A amamentação é um momento único e desafiador para muitas mulheres. Além da emoção que envolve o vínculo entre mãe e bebê, surgem dúvidas frequentes sobre a produção de leite. Será que fatores como parto, dieta ou estresse podem atrapalhar? Especialistas afirmam que, embora o corpo esteja naturalmente preparado, alguns elementos podem interferir no processo e dificultar a descida do leite.
A ação dos hormônios
De acordo com a mastologista Fernanda Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês, a produção de leite é regulada por hormônios. Durante a gestação, estrogênio e progesterona preparam as mamas. Após o parto, a prolactina estimula a produção e a ocitocina promove a ejeção do leite.
O fator mais importante é o estímulo da sucção frequente do bebê, que mantém e aumenta a produção. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido.
O que pode atrapalhar
Mesmo com o corpo pronto, alguns fatores podem dificultar a amamentação. O estresse, a falta de sono e determinados medicamentos prejudicam a liberação hormonal necessária. Além disso, a pega incorreta do bebê na mama é uma das principais causas de dor, fissuras e redução de estímulo, resultando em menor produção.
Um mito comum é acreditar que mães que passam por cesárea produzem menos leite. A diferença está apenas no tempo: no parto normal, a descida do leite tende a ser mais rápida, mas, no médio prazo, não há diferença entre os tipos de parto.
O papel da alimentação
A nutricionista materno-infantil Camila Machado Rissotto explica que a dieta não aumenta diretamente o volume de leite, mas garante energia e qualidade nutricional para sustentar a mãe e o bebê.
A lactação eleva o gasto calórico em cerca de 500 kcal por dia, exigindo uma alimentação rica em carboidratos saudáveis (arroz, batata, mandioca), proteínas de qualidade (carnes, ovos, leguminosas), gorduras boas (azeite, sementes, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3) e micronutrientes como cálcio, ferro, iodo, zinco e vitaminas do complexo B.
Alguns estudos sugerem que ervas como feno-grego e funcho (erva-doce) podem ajudar, mas faltam evidências robustas. Já alimentos como aveia e gergelim fornecem nutrientes valiosos que auxiliam indiretamente no processo.
Como aumentar a produção
- Sucção frequente do bebê é o principal estímulo.
- Pega correta, abocanhando mamilo e aréola.
- Retirada manual ou com bomba quando o bebê não mama bem.
- Descanso adequado para favorecer a liberação da ocitocina.
- Dieta equilibrada, sem restrições exageradas.
- Boa hidratação, evitando desidratação.
- Suplementação de vitaminas e ômega-3 apenas com orientação profissional.

Mitos e verdades
Segundo Fernanda, não existe “leite fraco”: todo leite materno tem a composição adequada para o bebê. O problema pode ser a quantidade, mas nunca a qualidade.
Outro equívoco é acreditar que alimentos como hortelã ou repolho “secam” o leite. Não há comprovação científica. O que realmente prejudica é o intervalo prolongado entre mamadas, o uso precoce de fórmulas sem indicação, estresse e baixa ingestão calórica.
Se o bebê apresenta ganho de peso insuficiente, pouca troca de fraldas ou insatisfação constante, é importante procurar orientação médica.
Mais do que fisiologia
A amamentação envolve não apenas hormônios, mas também o bem-estar físico, mental e nutricional da mãe. Apoio profissional e familiar são fundamentais para transformar esse processo em uma experiência saudável e plena para mãe e filho.
Fonte: Metrópoles