Pular para o conteúdo
Ciência

O que realmente influencia na produção de leite materno? Especialistas esclarecem mitos e verdades

Muitas mães têm receio de não produzir leite suficiente para seus bebês, mas grande parte dessas inseguranças está cercada de mitos. Médicas mastologistas e nutricionistas explicam como hormônios, sucção frequente e alimentação equilibrada influenciam diretamente a amamentação — e o que realmente não passa de crença popular.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A amamentação é um momento único e desafiador para muitas mulheres. Além da emoção que envolve o vínculo entre mãe e bebê, surgem dúvidas frequentes sobre a produção de leite. Será que fatores como parto, dieta ou estresse podem atrapalhar? Especialistas afirmam que, embora o corpo esteja naturalmente preparado, alguns elementos podem interferir no processo e dificultar a descida do leite.

A ação dos hormônios

De acordo com a mastologista Fernanda Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês, a produção de leite é regulada por hormônios. Durante a gestação, estrogênio e progesterona preparam as mamas. Após o parto, a prolactina estimula a produção e a ocitocina promove a ejeção do leite.

O fator mais importante é o estímulo da sucção frequente do bebê, que mantém e aumenta a produção. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido.

O que pode atrapalhar

Mesmo com o corpo pronto, alguns fatores podem dificultar a amamentação. O estresse, a falta de sono e determinados medicamentos prejudicam a liberação hormonal necessária. Além disso, a pega incorreta do bebê na mama é uma das principais causas de dor, fissuras e redução de estímulo, resultando em menor produção.

Um mito comum é acreditar que mães que passam por cesárea produzem menos leite. A diferença está apenas no tempo: no parto normal, a descida do leite tende a ser mais rápida, mas, no médio prazo, não há diferença entre os tipos de parto.

O papel da alimentação

A nutricionista materno-infantil Camila Machado Rissotto explica que a dieta não aumenta diretamente o volume de leite, mas garante energia e qualidade nutricional para sustentar a mãe e o bebê.

A lactação eleva o gasto calórico em cerca de 500 kcal por dia, exigindo uma alimentação rica em carboidratos saudáveis (arroz, batata, mandioca), proteínas de qualidade (carnes, ovos, leguminosas), gorduras boas (azeite, sementes, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3) e micronutrientes como cálcio, ferro, iodo, zinco e vitaminas do complexo B.

Alguns estudos sugerem que ervas como feno-grego e funcho (erva-doce) podem ajudar, mas faltam evidências robustas. Já alimentos como aveia e gergelim fornecem nutrientes valiosos que auxiliam indiretamente no processo.

Como aumentar a produção

  • Sucção frequente do bebê é o principal estímulo. 
  • Pega correta, abocanhando mamilo e aréola. 
  • Retirada manual ou com bomba quando o bebê não mama bem. 
  • Descanso adequado para favorecer a liberação da ocitocina. 
  • Dieta equilibrada, sem restrições exageradas. 
  • Boa hidratação, evitando desidratação. 
  • Suplementação de vitaminas e ômega-3 apenas com orientação profissional. 
Leite Materno
© Sarah Chai – Pexels

Mitos e verdades

Segundo Fernanda, não existe “leite fraco”: todo leite materno tem a composição adequada para o bebê. O problema pode ser a quantidade, mas nunca a qualidade.

Outro equívoco é acreditar que alimentos como hortelã ou repolho “secam” o leite. Não há comprovação científica. O que realmente prejudica é o intervalo prolongado entre mamadas, o uso precoce de fórmulas sem indicação, estresse e baixa ingestão calórica.

Se o bebê apresenta ganho de peso insuficiente, pouca troca de fraldas ou insatisfação constante, é importante procurar orientação médica.

Mais do que fisiologia

A amamentação envolve não apenas hormônios, mas também o bem-estar físico, mental e nutricional da mãe. Apoio profissional e familiar são fundamentais para transformar esse processo em uma experiência saudável e plena para mãe e filho.

Fonte: Metrópoles

Partilhe este artigo

Artigos relacionados