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Ciência

O surpreendente efeito de um clássico dos videogames no tratamento do TEPT

Pesquisadores estudam como um jogo popular pode ajudar na redução de lembranças traumáticas em pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Embora os primeiros resultados sejam promissores, especialistas alertam que ele não deve substituir o tratamento tradicional.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um videogame pode ajudar a lidar com traumas?

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) afeta milhões de pessoas que passaram por experiências marcantes e perturbadoras. Os sintomas incluem ansiedade, insônia e memórias intrusivas, tornando o dia a dia extremamente desafiador. Buscando soluções inovadoras, cientistas exploram o potencial terapêutico de um jogo clássico e amplamente conhecido.

O estudo que revelou um efeito inesperado

Em 2009, pesquisadores realizaram um experimento com 40 participantes que assistiram a um vídeo de conteúdo chocante, simulando uma experiência traumática. Depois disso, metade dos voluntários jogou um videogame por 10 minutos, enquanto o outro grupo permaneceu inativo. Durante a semana seguinte, os participantes registraram quantas vezes tiveram lembranças intrusivas do vídeo.

Os resultados foram surpreendentes: aqueles que jogaram tiveram menos da metade das lembranças incômodas em comparação ao grupo que não jogou. Isso levou os cientistas a considerar que certas atividades poderiam interferir na forma como nosso cérebro processa e fixa memórias traumáticas.

Por que este jogo em particular?

O jogo em questão é Tetris, um clássico dos anos 80 que desafia os jogadores a encaixar blocos coloridos de forma estratégica. Mas como ele pode ajudar a reduzir os efeitos do TEPT?

Pesquisadores sugerem que a atividade visoespacial exigida pelo jogo pode interromper a consolidação das memórias traumáticas no cérebro. Nos momentos imediatamente após um trauma, o cérebro trabalha para processar e armazenar essas informações. Jogar Tetris pode, teoricamente, “competir” por essa atenção, reduzindo a intensidade das lembranças intrusivas.

O papel das atividades visoespaciais

O efeito positivo observado pode não ser exclusivo do Tetris, mas sim de qualquer atividade que envolva raciocínio visoespacial. Estudos sugerem que quebra-cabeças, desenho e outras atividades similares também podem ter impactos benéficos no processamento de memórias traumáticas. O ponto crucial parece ser a capacidade de desviar a atenção do trauma para uma tarefa cognitiva envolvente.

O psicoterapeuta Federico Sciretta destaca que esses jogos podem ser aliados para aliviar temporariamente os sintomas do TEPT, mas não substituem um tratamento profissional. “Eles oferecem um alívio momentâneo, mas a terapia e, em alguns casos, a medicação são fundamentais para um tratamento completo”, explica.

Ceticismo entre especialistas

Nem todos os profissionais de saúde mental estão convencidos do impacto terapêutico do Tetris. O Dr. Alberto Trimboli, presidente honorário da Associação Argentina de Saúde Mental (AASM), alerta que jogos podem servir como uma distração temporária, mas também podem estimular mecanismos de fuga, dificultando o enfrentamento real do trauma. Ele enfatiza que a terapia psicológica estruturada ainda é a abordagem mais eficaz.

O futuro das pesquisas

Apesar do ceticismo, o estudo abre caminho para novas pesquisas sobre o uso de jogos como ferramenta complementar no tratamento do TEPT. Os cientistas seguem investigando se a interferência na consolidação de memórias pode ser aplicada a outros distúrbios, como ansiedade e depressão.

Embora o Tetris possa oferecer um efeito positivo na redução de lembranças intrusivas, especialistas reforçam que ele não substitui um tratamento profissional. A psicoterapia continua sendo essencial para lidar com o TEPT. No entanto, esses achados mostram que, no futuro, a interação entre jogos e terapia pode se tornar uma estratégia valiosa na saúde mental.

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