Um novo estudo lança preocupações sobre os riscos oculares dos medicamentos GLP-1, como Ozempic e Wegovy. A pesquisa documentou casos de pacientes que desenvolveram doenças oculares após iniciarem esses tratamentos, sugerindo que a relação entre esses medicamentos e problemas de visão precisa ser mais investigada.
Possíveis ligações entre Ozempic e problemas oculares
O estudo, conduzido por oftalmologistas da Universidade de Utah Health e outras instituições, identificou vários casos de pacientes que desenvolveram complicações oculares após iniciarem o uso de medicamentos GLP-1. Os pesquisadores documentaram três condições que podem levar à cegueira:
- Neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION): Uma doença rara causada por redução do fluxo sanguíneo ao nervo óptico.
- Papilite: Inflamação do nervo óptico.
- Maculopatia aguda paracentral: Dano aos vasos sanguíneos na região central da retina.
Dos nove casos analisados, sete apresentaram NAION, um teve papilite e outro sofreu de maculopatia. Em algumas situações, os pacientes melhoraram após interromperem o uso do medicamento, mas outros continuaram o tratamento sem agravamento da visão.
Estudos anteriores apontam riscos semelhantes
Outras pesquisas recentes também sugerem uma relação entre os medicamentos GLP-1 e problemas oculares. Em um estudo publicado no ano passado, cientistas observaram que pacientes tratados com semaglutida tinham maior risco de desenvolver NAION. A preocupação com esse vínculo levou autoridades de saúde da Dinamarca a solicitarem uma investigação formal da União Europeia sobre o tema.
A semaglutida é o princípio ativo do Ozempic e Wegovy, enquanto a tirzepatida, outro medicamento GLP-1, está presente no Mounjaro e Zepbound. Com o aumento do uso global desses remédios, especialistas alertam que mesmo um pequeno acréscimo no risco dessas condições pode impactar milhares de pessoas.
Causas possíveis e hipóteses dos pesquisadores
Apesar das evidências crescentes, ainda não está claro se os medicamentos GLP-1 realmente causam essas doenças oculares ou se outros fatores estão envolvidos. Os pesquisadores apontam duas hipóteses principais:
- Rápida Redução do Açúcar no Sangue: Pacientes diabéticos podem ter quedas abruptas de glicemia ao iniciar o tratamento com GLP-1, o que poderia afetar o nervo óptico e levar ao desenvolvimento de NAION.
- Efeito Direto no Nervo Óptico: Algumas células do nervo óptico possuem receptores GLP-1, sugerindo que o medicamento pode impactar diretamente sua função.
Se a primeira hipótese for confirmada, um ajuste na dosagem e um aumento gradual da medicação poderiam reduzir o risco em pacientes vulneráveis.
A necessidade de mais pesquisas e cuidados
Os autores do estudo reforçam que os casos relatados não são prova definitiva de que os medicamentos GLP-1 causam cegueira. Entretanto, alertam que é essencial que oftalmologistas e médicos que prescrevem esses medicamentos estejam cientes do possível vínculo.
“Estudos adicionais são necessários para confirmar essa hipótese. No entanto, é um problema importante para oftalmologistas, que devem monitorar o uso desses medicamentos e manter uma comunicação clara com seus pacientes”, afirmou Bradley Katz, neuro-oftalmologista da Universidade de Utah, em comunicado.
Até que mais pesquisas sejam realizadas, a recomendação para pacientes em tratamento com GLP-1 é estar atentos a qualquer alteração na visão e relatar sintomas imediatamente a um profissional de saúde.
Fonte: Gizmodo US