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Ciência

Oceanos batem novo recorde de temperatura e cientistas alertam que a Terra pode estar entrando em um território desconhecido

As temperaturas da superfície dos oceanos atingiram um novo recorde global em junho, superando a marca estabelecida em 2024. Para os cientistas, a combinação entre o aquecimento global e a chegada de um forte El Niño pode desencadear uma sequência de novos extremos climáticos, com impactos sobre tempestades, secas, ecossistemas marinhos e o nível do mar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os oceanos da Terra acabam de atingir um novo marco preocupante. Dados divulgados por dois serviços do programa europeu de observação da Terra Copernicus confirmam que a temperatura média da superfície dos mares ultrapassou o recorde registrado em 2024, até então o ano mais quente já observado para esse período.

Embora a diferença em relação ao recorde anterior seja inferior a um décimo de grau Celsius, especialistas alertam que esse aumento pode intensificar eventos climáticos extremos nos próximos meses. A combinação entre o aquecimento provocado pelas atividades humanas e o fortalecimento do fenômeno El Niño cria um cenário que alguns pesquisadores já descrevem como um possível “território desconhecido” para o sistema climático do planeta.

Um novo recorde para os oceanos

Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) e o Serviço Marinho Copernicus (CMEMS), a temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu entre 20,86 °C e 21 °C em 21 de junho, superando o recorde registrado na mesma época de 2024, quando a média havia alcançado 20,83 °C.

Embora a diferença seja pequena, ela representa um novo patamar para um indicador considerado essencial no monitoramento do clima global.

Para Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, as condições atuais podem marcar o início de uma nova fase de aquecimento, na qual recordes deixam de ser exceções e passam a ocorrer com frequência cada vez maior.

El Niño e aquecimento global atuam juntos

Uma das principais razões para esse aumento é a chegada de um novo episódio de El Niño.

Em junho, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o retorno do fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

O El Niño é considerado a principal fonte de variação climática natural entre um ano e outro. Quando se estabelece, costuma elevar a temperatura média do planeta e alterar padrões de chuva, ventos e circulação atmosférica em diversas regiões do mundo.

As projeções indicam que o episódio atual poderá se tornar um dos mais intensos das últimas décadas, com partes do Pacífico registrando temperaturas até 3,8 °C acima da média até o fim do ano.

Mas o El Niño não explica tudo

Apesar de sua influência, os pesquisadores destacam que o fenômeno natural, sozinho, não seria suficiente para produzir temperaturas oceânicas tão elevadas.

Segundo a NASA, cerca de 90% do calor adicional gerado pelo aquecimento global ao longo do último século foi absorvido pelos oceanos. Isso elevou gradualmente a temperatura de base das águas.

Quando um episódio de El Niño se desenvolve sobre esse cenário já aquecido, seus efeitos acabam sendo potencializados, aumentando significativamente a probabilidade de novos recordes.

Mais calor significa eventos climáticos mais intensos

Oceanos mais quentes armazenam mais energia e mais vapor d’água na atmosfera.

Esse processo favorece tempestades mais intensas, aumenta o risco de chuvas extremas, enchentes e ciclones tropicais e pode fortalecer furacões durante suas fases de desenvolvimento.

Além disso, o aquecimento dos mares acelera o derretimento de geleiras, contribui para a elevação do nível do mar e intensifica as chamadas ondas de calor marinhas, fenômenos que afetam profundamente ecossistemas costeiros, recifes de corais e atividades como pesca e aquicultura.

Os próximos anos podem quebrar novos recordes

Especialistas acreditam que 2026 tem potencial para superar 2024 e se tornar o ano mais quente já registrado globalmente.

E esse cenário pode não parar por aí. Como o El Niño costuma atingir seu pico no fim do ano, parte de seus efeitos se estende para o ano seguinte, elevando a possibilidade de que 2027 registre temperaturas ainda mais altas.

Os cientistas ressaltam que ainda é cedo para afirmar se o recorde observado em junho representa apenas um pico temporário ou o início de uma tendência mais duradoura. No entanto, a combinação entre um planeta progressivamente mais quente e um El Niño de grande intensidade indica que os extremos climáticos podem se tornar cada vez mais frequentes.

Mais do que um novo recorde estatístico, o aumento da temperatura dos oceanos reforça uma preocupação crescente entre climatologistas: aquilo que hoje parece excepcional pode se transformar rapidamente no novo padrão climático da Terra.

 

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