Quem são os cardeais brasileiros?
No atual cenário, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confirma que há oito cardeais brasileiros com potencial para serem eleitos, desde que não ultrapassem os 80 anos, critério que os habilita a votar. Cada um deles traz uma trajetória e experiências que contribuíram para a Igreja Católica.
Dom Odilo Scherer, da Arquidiocese de São Paulo, é um dos nomes mais conhecidos. Com 75 anos, o gaúcho foi nomeado bispo em 2001 e elevado a cardeal em 2007. Possui doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e recebeu o título de Doutor Honoris Causa na Universidade Católica de Kaslik, no Líbano, em 2019. Representante da CNBB no Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM), Scherer participou do conclave de 2013, e, por decisão de Francisco, em 2024, permanecerá à frente da Arquidiocese por mais dois anos, mesmo após atingir os 75 anos, o limite para renúncia de arcebispos.
Dom Orani João Tempesta, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, é outro nome relevante. Paulista de 74 anos, foi ordenado bispo em 1997 e assumiu a liderança de Belém como arcebispo em 2004, vindo a ser nomeado arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro em 2009. Elevado a cardeal pelo Papa Francisco em 2014, Tempesta teve papel significativo na Jornada Mundial da Juventude de 2013, reunindo milhões de jovens no Rio.
Da Arquidiocese de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, carioca de 57 anos, destaca-se pela formação teológica, possuindo doutorado pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Ordenado bispo em 2011, desempenhou diversas funções administrativas antes de ser transferido para Brasília em 2020, onde atua como arcebispo. Dois anos depois, foi elevado a cardeal por Francisco, consolidando sua posição na hierarquia da Igreja.
Dom Leonardo Ulrich Steiner, da Arquidiocese de Manaus, com 74 anos, é membro da Ordem dos Frades Menores. Natural de Santa Catarina, possui doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Anteneu Antonianus, em Roma, onde também atuou como secretário-geral. Ordenado bispo em 2005, Steiner passou a conduzir a Arquidiocese de Manaus em 2019 e foi criado cardeal na Amazônia, em agosto de 2022, sendo considerado um possível votante no novo conclave.
Outro representante importante é Dom Sergio da Rocha, da Arquidiocese de Salvador. Nascido no interior de São Paulo e com 65 anos, ele concluiu seu doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Iniciou sua carreira episcopal como bispo auxiliar em Fortaleza, em 2001, e passou por posições de liderança em Teresina e Brasília antes de assumir Salvador em 2020. Criado cardeal por Francisco, em novembro de 2016, da Rocha já presidiu a CNBB e é considerado um influente líder na Igreja.
Dom Jaime Spengler, da Arquidiocese de Porto Alegre, é um catarinense de 64 anos, integrante também da Ordem dos Frades Menores. Formado com doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma, Spengler exerceu missões por diversas regiões do país antes de ser ordenado bispo, em 2010. Desde 2013, lidera a Arquidiocese de Porto Alegre como arcebispo metropolitano e atualmente preside a CNBB. Criado cardeal pelo Papa Francisco em dezembro de 2024, ele é mais um nome de peso para o próximo conclave.
Entre os cardeais que não podem votar, devido à idade, mas que podem ser eleitos, encontra-se Dom Raymundo Damasceno Assis, emérito da Arquidiocese de Aparecida. Natural de Minas Gerais e com 88 anos, foi ordenado bispo em 1986 e nomeado arcebispo de Aparecida em 2004, permanecendo até 2016, quando renunciou a pedido de Francisco. Criado cardeal por Bento XVI em 2010, Damasceno Assis participou do conclave de 2013 e, atualmente, presta apoio pastoral na diocese de Brasília.
Também na categoria dos eméritos, Dom João Braz de Aviz, ex-arcebispo de Brasília, tem 77 anos. Doutorado em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Lateranense, ele iniciou sua carreira episcopal em 1994 e passou por diversas dioceses, tendo sido arcebispo de Maringá antes de assumir Brasília, em 2004. Em 2011, foi designado pelo Papa Bento XVI para integrar a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, permanecendo no Vaticano até janeiro de 2025. Criado cardeal em 2012, Aviz participou do conclave de 2013 e é outro nome que pode ser votado, mesmo não podendo participar ativamente das votações se ultrapassar o limite de idade.
Como funciona o conclave?
O conclave é um processo reservado e tradicional, realizado na Capela Sistina, no Vaticano, onde os cardeais eleitores se reúnem para escolher o novo papa. Apenas aqueles com menos de 80 anos podem votar, garantindo que o corpo eleitoral seja composto por membros ativos na gestão da Igreja. Durante o conclave, os cardeais permanecem em isolamento do mundo externo, submetendo-se a múltiplas sessões de votação distribuídas entre períodos matutinos e vespertinos. Para que um candidato seja eleito, é necessário que obtenha pelo menos dois terços dos votos dos presentes.
Um elemento simbólico fundamental do processo é a fumaça que emerge da chaminé da Capela Sistina. Se a fumaça for preta, indica que nenhum nome alcançou a maioria requerida; por outro lado, a fumaça branca anuncia a eleição de um novo pontífice. Esse ritual, que remonta a séculos de tradição, permanece como uma das imagens mais emblemáticas e esperadas por milhões de fiéis ao redor do mundo.
A eleição de Francisco em 2013 foi histórica, marcando a primeira vez que um latino-americano e jesuíta assumiu a liderança da Igreja Católica. Esse episódio não só evidenciou as mudanças internas na hierarquia e na mentalidade da instituição, mas também ressaltou a importância de uma maior representatividade no colegiado dos cardeais.
A possibilidade de um novo conclave e a eventual eleição de um novo papa traz à tona diversas discussões e especulações sobre o futuro da Igreja. Entre os nomes que figuram na lista de possíveis candidatos, os oito cardeais brasileiros se destacam pela experiência, relevância e papel desempenhado em momentos históricos anteriores. Embora o processo permaneça envolto em mistério e tradição, os detalhes apresentados evidenciam a diversidade de trajetórias e a representatividade desses líderes. Independentemente do resultado, a eventual convocação do conclave certamente marcará mais um capítulo importante na história da Igreja Católica e na dinâmica de sua liderança global.
[Fonte: Diario do Nordeste]