Numa reviravolta inesperada, os chamados empregos “sem graça” estão ganhando nova vida graças à geração Z. Enquanto os millennials buscavam carreiras criativas e flexíveis, os jovens nascidos entre 1995 e 2010 estão optando por cargos mais tradicionais — e colhendo ótimos resultados. Profissões antes negligenciadas, como a de contador, oferecem hoje estabilidade, bons salários e pouco risco de substituição imediata.
Contabilidade: antes ignorada, agora valorizada
Durante muito tempo, ser contador era associado a uma carreira sem brilho. Muitos millennials viam a profissão como repetitiva e desinteressante. No entanto, com a previsão de que 75% dos contadores se aposentem na próxima década, abriu-se uma enorme lacuna no mercado. Só nos Estados Unidos, estima-se que há uma demanda de cerca de 340 mil profissionais da área, segundo a revista Fortune.
A geração Z tem aproveitado essa oportunidade com sabedoria. Em vez de almejar promoções estressantes, muitos jovens preferem cargos que permitam equilíbrio emocional e segurança no longo prazo. Isso alinha-se perfeitamente com os novos valores profissionais da geração, que prioriza saúde mental e propósito de vida.
Estabilidade, bons salários e rápido retorno

De acordo com um estudo conduzido em 2022 pelo Centro de Estudos Financeiros da Universidade a Distância de Madri e pela Universidade de Múrcia, 94% dos estudantes de contabilidade na Espanha conseguiram emprego estável logo após a graduação. A maioria atua em jornada integral, com salários anuais acima de 30 mil euros — e quase 20% ultrapassa os 40 mil euros pouco tempo depois de se formar.
Apesar de estar entre as profissões mais “chatas” segundo a Universidade de Essex (ficando atrás apenas da de analista de dados), o trabalho de contador tem conquistado um novo significado. Muitos jovens o utilizam para impactar positivamente suas comunidades, ajudando pessoas com suas finanças pessoais e impostos. Para a geração Z, isso significa unir carreira e propósito.
Uma escolha consciente: menos estresse, mais vida
Enquanto os millennials corriam atrás de cargos dinâmicos e ambientes flexíveis, a geração Z busca algo diferente: paz de espírito. Segundo o relatório Un problema como una casa, do Conselho da Juventude da Espanha, 87% dos jovens no país precisam dividir moradia para conseguir se sustentar. A idade média para sair da casa dos pais em 2023 era de 30,4 anos. Diante desse cenário, ter um emprego estável e com bom salário tornou-se prioridade.
Esse desejo por previsibilidade também explica o interesse crescente em profissões tradicionalmente menos glamourosas, mas financeiramente sólidas. A contabilidade, por exemplo, oferece estrutura para planejar o futuro — algo raro em tempos de incerteza econômica.
Velhas profissões, novos olhares
Além da contabilidade, diversas outras ocupações técnicas vêm atraindo a atenção dos jovens. Ao contrário das gerações anteriores, que priorizavam diplomas universitários e cargos corporativos, muitos da geração Z estão apostando em formações práticas e profissões valorizadas, mas esquecidas.
Claro, o avanço da inteligência artificial lança uma sombra sobre esses empregos. Há um risco real de que tarefas repetitivas sejam automatizadas nos próximos anos. Ainda assim, especialistas como Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmam que a IA servirá para eliminar apenas os trabalhos mais entediantes. A análise estratégica — e o toque humano — continuarão sendo essenciais.
Fonte: Xataka