A Geração Z é vista como nativa digital. Cresceram com smartphones, redes sociais e acesso constante à internet. No entanto, essa familiaridade com a tecnologia não significa, necessariamente, domínio sobre as ferramentas que o mercado de trabalho exige. Um estudo americano jogou luz sobre uma contradição que desafia empresas e instituições de ensino.
A Geração Z não domina o essencial para o mercado
Pesquisadores da Universidade de Toledo, nos Estados Unidos, analisaram o nível de preparo tecnológico da Geração Z — jovens com menos de 30 anos — em relação ao uso de ferramentas como Microsoft Excel e Outlook. O resultado? Apesar da imagem de “experts digitais”, muitos deles demonstram sérias dificuldades para utilizar essas plataformas, essenciais em ambientes corporativos.
Segundo o professor Gary Insch, coautor do estudo, esse déficit de habilidades não atinge apenas a Geração Z, mas é especialmente marcante nela. Até mesmo os millennials, nascidos entre os anos 1980 e meados dos anos 90, tendem a ter um domínio mais sólido de softwares profissionais.
Por que jovens têm dificuldade com Excel e Outlook?

O estudo identificou uma diferença crítica entre o uso passivo da tecnologia e o desenvolvimento de habilidades técnicas. A Geração Z está habituada a navegar em redes sociais, usar aplicativos e interagir com conteúdos digitais, mas esse uso não desenvolve competências específicas como fórmulas no Excel ou gestão de e-mails corporativos.
Além disso, muitos estudantes dessa geração cresceram usando o sistema ChromeOS e a suíte Google, como Docs e Sheets, muito comuns nas escolas. Apesar de úteis, essas ferramentas funcionam de forma distinta das da Microsoft — que continuam sendo padrão em grande parte do mercado profissional.
A comparação com os millennials
A pesquisa mostra que os millennials, ao contrário da Geração Z, tiveram contato direto com o ensino formal de informática, especialmente com Word, Excel e PowerPoint. Essas aulas faziam parte do currículo escolar nos anos 90 e 2000, e esse aprendizado ainda reflete em sua preparação para o mercado.
Já os jovens da Geração Z tiveram uma formação mais voltada ao consumo digital e ao entretenimento. A habilidade técnica foi, muitas vezes, deixada em segundo plano. O resultado? Empresas que contratam esses profissionais precisam investir em treinamentos básicos logo nos primeiros meses.
O impacto nas empresas e na produtividade
Para as organizações, essa lacuna representa tempo e dinheiro. Jovens recém-contratados chegam sem saber realizar tarefas simples como montar planilhas, organizar dados ou usar agendas corporativas. Isso reduz a eficiência, exige treinamento interno e atrasa a adaptação do profissional à rotina da empresa.
O professor Insch alerta que, se essa tendência continuar, o problema pode se agravar nas próximas gerações. A produtividade e integração dos novos funcionários ficará comprometida se não houver uma reavaliação de como as competências tecnológicas estão sendo ensinadas e desenvolvidas.
Como resolver essa lacuna de habilidades?
A pesquisa sugere que escolas e universidades incorporem disciplinas voltadas ao uso de ferramentas práticas e técnicas no currículo. Não basta ensinar apenas programação ou robótica — é necessário preparar os alunos para os softwares que de fato encontrarão em seus ambientes de trabalho.
Empresas, por sua vez, podem implementar treinamentos internos regulares voltados à alfabetização digital profissional. Isso não apenas melhora a produtividade, mas também reduz a frustração de jovens talentos que chegam cheios de vontade, mas sem as ferramentas certas.
Conclusão
A ideia de que os mais jovens dominam a tecnologia precisa ser revista. Ser fluente em redes sociais não equivale a estar preparado para os desafios do mercado. A Geração Z pode ser a mais conectada da história, mas isso não garante que esteja pronta para lidar com planilhas, e-mails corporativos ou relatórios.
A solução está em investir em educação prática, alinhar as expectativas e preparar os jovens para um futuro onde saber usar Excel pode ser tão importante quanto saber postar no TikTok.
Fonte: Infobae