Pular para o conteúdo
Ciência

Os mitos sobre protetor solar que ainda colocam sua pele em risco

O protetor solar é usado todos os dias, mas raramente do jeito certo. Entre mitos populares e verdades ignoradas, pequenos erros podem comprometer a proteção da pele sem que você perceba.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Poucos produtos são tão comuns — e tão mal compreendidos — quanto o protetor solar. Presente em praias, piscinas e rotinas urbanas, ele costuma ser tratado como um detalhe, quando na verdade é uma das principais ferramentas de prevenção contra danos graves à pele. Em um país com alta incidência de radiação solar, entender o que é mito e o que é verdade faz toda a diferença entre proteção real e falsa sensação de segurança.

Por que o uso do protetor solar é mais sério do que parece

Os mitos sobre protetor solar que ainda colocam sua pele em risco
© Pexels

O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, respondendo por cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo o Instituto Nacional do Câncer. O principal fator de risco é conhecido: exposição excessiva e desprotegida à radiação ultravioleta, especialmente em períodos de maior intensidade solar.

O protetor solar atua como uma barreira contra os raios UVA e UVB, responsáveis por danos celulares, envelhecimento precoce e aumento do risco de tumores cutâneos. No entanto, sua eficácia depende diretamente da forma como é escolhido, aplicado e reaplicado. Erros comuns — muitas vezes baseados em informações equivocadas — reduzem drasticamente essa proteção.

Para esclarecer essas dúvidas, a dermatologista Elisabeth Lima, com atuação em dermatologia oncológica, aponta os principais mitos e verdades que ainda confundem grande parte da população.

Mitos e verdades que ainda confundem muita gente

Um dos equívocos mais difundidos é a ideia de que apenas pessoas de pele clara precisam usar protetor solar. Isso não é verdade. Todos os tons de pele podem desenvolver câncer cutâneo. A diferença está no risco relativo, não na imunidade. A fotoproteção é necessária para todos, sem exceção.

Outro ponto que gera confusão é o fator de proteção solar. FPS mais alto, de fato, oferece maior tempo de proteção, mas isso não significa que dispense reaplicação ou que seja obrigatório para todos. A recomendação geral é usar FPS acima de 30, ajustando conforme o tom de pele e a sensibilidade individual.

Há também quem evite o produto por medo de acne. Nesse caso, a afirmação é parcialmente verdadeira. Protetores com textura oleosa podem favorecer o surgimento de espinhas, mas fórmulas em gel, sérum ou base aquosa tendem a ser bem toleradas, inclusive por peles acneicas.

Dias nublados são outro ponto crítico. A ausência de sol visível não significa ausência de radiação. Os raios UVA e UVB atravessam nuvens e continuam agindo sobre a pele. O chamado “mormaço” também causa queimaduras, tornando o uso do protetor indispensável mesmo em dias encobertos.

Crianças, bebês e o cuidado que exige atenção redobrada

Muita gente acredita que protetores solares são iguais para todas as idades, mas isso não procede. Protetores infantis possuem formulações específicas, com menor potencial alergênico, pensadas para a sensibilidade da pele das crianças.

No caso dos bebês, o uso exige ainda mais cautela. A aplicação de protetor solar só é indicada a partir dos seis meses de idade. Antes disso, a pele é extremamente sensível, e a principal forma de proteção deve ser o afastamento do sol, o uso de roupas adequadas e sombra constante. Após os seis meses, produtos infantis podem ser utilizados, preferencialmente com orientação médica.

Outro mito comum envolve os protetores “à prova d’água”. Mesmo essas versões precisam ser reaplicadas. Água, suor e o simples passar do tempo reduzem a eficácia do produto. A recomendação segue sendo a reaplicação a cada duas horas, ou antes, em caso de mergulhos ou transpiração intensa.

O erro mais comum: achar que protetor solar é coisa de verão

Talvez o mito mais perigoso seja associar o uso do protetor solar apenas aos dias quentes ou às idas à praia. No Brasil, a radiação solar é significativa durante todo o ano, inclusive no inverno e em ambientes urbanos.

Para pessoas com histórico de câncer de pele, manchas, melasma ou doenças que pioram com a radiação, o uso diário não é opcional — é parte do tratamento e da prevenção. Mesmo trajetos curtos ao ar livre, exposição indireta ou luz solar através de janelas contribuem para o dano cumulativo à pele.

Mais do que um hábito estético, o uso correto do protetor solar é uma medida de saúde pública. Associado a outras estratégias, como evitar o sol nos horários de pico e usar acessórios de proteção, ele reduz de forma significativa os riscos a longo prazo.

Entender esses mitos e verdades não é apenas informação — é uma escolha que impacta diretamente a saúde da pele ao longo da vida.

[Fonte: Correio Braziliense]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados