O nascimento de um filho costuma ser descrito como um dos momentos mais marcantes da vida de um casal. No entanto, para profissionais que passam anos acompanhando partos, essa experiência também funciona como uma espécie de teste inesperado para muitos relacionamentos. Em meio à tensão, à dor e às decisões importantes, alguns parceiros demonstram apoio e presença. Outros, porém, revelam atitudes que deixam enfermeiras perplexas e fazem surgir dúvidas sobre o futuro daquela relação.
Quando a ausência emocional aparece no momento mais importante

Para enfermeiras obstétricas, o trabalho de parto costuma mostrar facetas das pessoas que dificilmente aparecem em situações comuns do cotidiano. Segundo profissionais entrevistadas, existem parceiros que se tornam uma fonte de força e tranquilidade durante o nascimento do bebê. Outros fazem exatamente o contrário.
Um dos comportamentos mais criticados é dormir durante a fase ativa do trabalho de parto. Embora o processo possa durar muitas horas, enfermeiras relatam que alguns homens permanecem completamente desconectados do que acontece ao redor, inclusive durante momentos delicados ou emergências médicas.
Em situações nas quais a equipe precisa agir rapidamente por alterações nos sinais do bebê ou da mãe, há casos de parceiros que continuam dormindo ou demonstram pouco interesse em entender o que está acontecendo. Para as profissionais, isso transmite uma mensagem de desinteresse justamente quando a gestante mais precisa de apoio.
Outro ponto frequentemente observado é a tendência de alguns homens transformarem o parto em uma experiência centrada neles mesmos. Reclamações sobre cansaço, desconforto na acomodação, temperatura do quarto ou falta de entretenimento costumam causar indignação entre as equipes médicas.
Enquanto uma mulher enfrenta contrações intensas e o desgaste físico do parto, ouvir comentários sobre travesseiros, televisão ou inconvenientes pessoais pode ser interpretado como uma demonstração de falta de empatia.
Atitudes que fazem profissionais perderem a paciência

Entre os relatos mais surpreendentes está o de parceiros que priorizam videogames durante o trabalho de parto. Algumas enfermeiras afirmam já ter visto homens usando fones de ouvido e participando de partidas online enquanto a companheira enfrentava momentos difíceis na sala de parto.
Em situações extremas, houve quem saísse para comprar equipamentos eletrônicos para continuar jogando durante a internação. Embora momentos de descanso possam acontecer ao longo de um parto prolongado, profissionais consideram problemático quando a atenção ao jogo se torna mais importante do que a presença ao lado da gestante.
Também chamam atenção os casos em que parceiros simplesmente deixam o hospital em momentos decisivos. Algumas enfermeiras relatam ter visto homens saírem para resolver compromissos pessoais, fazer compras ou participar de eventos enquanto o nascimento do filho estava prestes a acontecer.
Para quem trabalha diariamente em maternidades, esse tipo de atitude costuma revelar prioridades que dificilmente passam despercebidas.
Outro comportamento frequentemente citado envolve comentários inadequados sobre o corpo da mulher após o parto. Profissionais afirmam já ter ouvido perguntas e observações consideradas desrespeitosas logo após procedimentos médicos delicados, demonstrando preocupação estética em um momento que deveria estar voltado para a recuperação da paciente.
Julgamentos e falta de respeito às decisões da gestante
As enfermeiras também apontam como problemático quando o parceiro tenta controlar decisões que pertencem à mulher que está dando à luz.
Comentários minimizando a dor, críticas ao uso de anestesia ou tentativas de convencer a gestante a seguir determinada escolha médica aparecem entre as situações mais desconfortáveis observadas pelas equipes.
Segundo as profissionais, o trabalho de parto exige que a mulher se sinta segura, respeitada e capaz de tomar decisões sobre seu próprio corpo. Quando alguém questiona constantemente essas escolhas, o ambiente pode se tornar ainda mais estressante.
Também há relatos de parceiros que ignoram os limites estabelecidos pela gestante, insistindo na presença de familiares ou pessoas que ela não deseja ter na sala de parto. Para muitas enfermeiras, isso representa uma falha importante de respeito e proteção emocional.
O que faz um parceiro ser lembrado de forma positiva
Apesar das histórias negativas, as profissionais ressaltam que a maioria dos parceiros demonstra apoio genuíno durante o nascimento do bebê.
Segundo elas, não é necessário saber exatamente o que fazer em todos os momentos. O mais importante é estar presente, ouvir, respeitar as necessidades da gestante e demonstrar disposição para ajudar.
Uma recomendação frequente é conversar antes do parto sobre expectativas e formas de apoio. Algumas pessoas gostam de contato físico e palavras de incentivo. Outras preferem silêncio, espaço ou ajuda prática. Entender essas preferências antecipadamente pode fazer toda a diferença.
As enfermeiras também destacam que pedir orientação à equipe médica não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. Demonstrar humildade e vontade de aprender costuma ser visto como uma atitude positiva.
E, para gestantes que acreditam que o parceiro pode aumentar o estresse em vez de oferecer suporte, as profissionais deixam um conselho simples: escolher alguém de confiança para acompanhá-las. Pode ser um irmão, uma amiga, um familiar próximo ou qualquer pessoa capaz de proporcionar segurança emocional durante um dos momentos mais intensos da vida.
[Fonte: Huffpost]