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Ciência

Os seis hábitos diários que um neurocientista de Harvard recomenda para desacelerar o envelhecimento — e por que tudo começa no cérebro

Criador do plano SHIELD, o professor Rudolph E. Tanzi defende que envelhecer bem depende menos da genética e mais de escolhas cotidianas ligadas ao sono, ao estresse, às relações sociais, ao movimento, ao aprendizado e à alimentação. A proposta é simples, mas apoiada por décadas de pesquisa em saúde cerebral.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Muito antes de a expressão “saúde do cérebro” virar moda, Rudolph E. Tanzi já ajudava a redefinir o campo. Professor de Neurologia em Harvard e codiretor do Centro Henry e Allison McCance para Saúde Cerebral, no Hospital Geral de Massachusetts, Tanzi ficou conhecido por descobrir três genes centrais ligados à doença de Alzheimer. Ao longo de 46 anos de carreira, publicou centenas de artigos científicos que moldaram o entendimento moderno sobre doenças neurodegenerativas.

Em 2023, ele se uniu a Deepak Chopra para escrever Super Brain, livro que questiona a ideia de que usamos apenas uma fração do potencial mental. Para Tanzi, o cérebro é plástico, treinável e profundamente influenciado pelo estilo de vida. Dessa visão nasceu o plano SHIELD, uma estratégia prática para preservar a saúde cerebral e retardar o envelhecimento.

Hoje, aos 67 anos, Tanzi diz que nunca se sentiu tão ativo. “Trabalho mais, me divirto mais e estou mais entusiasmado do que nunca”, afirma. Segundo ele, a sensação de juventude está diretamente ligada à forma como cuidamos do cérebro. Eis os seis pilares do SHIELD.

Dormir bem não é luxo, é manutenção cerebral

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© Pexels

O primeiro hábito é dormir entre sete e oito horas de sono profundo por noite. O descanso adequado não apenas consolida memórias, mas também ajuda a eliminar toxinas do cérebro. Durante o sono profundo, ocorre uma espécie de “lavagem” cerebral que remove placas amiloides, substâncias associadas ao Alzheimer — muitas vezes décadas antes do surgimento dos sintomas.

Tanzi não segue um horário fixo para dormir, mas sempre calcula o momento de deitar a partir da hora em que precisa acordar. Uma hora antes, ele evita telas. Se dorme menos do que o ideal, recomenda cochilos curtos ao longo do dia.

Reduzir o estresse é proteger os neurônios

O estresse crônico é outro inimigo silencioso. Ele eleva o cortisol, um hormônio que, em excesso, prejudica o cérebro. Para Tanzi, a vida moderna amplificou esse problema com notificações constantes, redes sociais e a pressão por produtividade.

Sua principal estratégia é a meditação, especialmente técnicas que silenciam o diálogo interno. Fechar os olhos por alguns minutos e permitir apenas imagens, sem palavras, ajuda a reduzir a sobrecarga mental. Ficar preso ao passado ou ansioso pelo futuro, segundo ele, desgasta a saúde cerebral.

Relações sociais alimentam o cérebro

Manter vínculos sociais ativos é essencial. A solidão está associada a maior risco de doenças neurodegenerativas. O cérebro gosta de interações — desde que não sejam fonte de estresse.

Mesmo com uma agenda cheia, Tanzi mantém contato regular com amigos por mensagens ou telefone. Para ele, redes sociais podem ser benéficas quando usadas para fortalecer conexões reais, não para buscar validação constante.

Exercício físico como ferramenta neuroprotetora

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© Pexels

Mover o corpo faz muito mais do que fortalecer músculos. A atividade física aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro, estimula a formação de novas conexões neurais e favorece a neurogênese, especialmente em regiões vulneráveis ao Alzheimer.

Tanzi cita um estudo publicado na Nature Medicine indicando que cada mil passos diários podem adiar a doença em cerca de um ano. Ele alterna caminhadas com sessões de bicicleta ergométrica, mesmo no escritório.

Aprender algo novo constrói reserva cognitiva

Desafiar o cérebro é outro pilar central. Aprender coisas novas cria sinapses, as conexões que formam a rede neural responsável por memórias e habilidades. O envelhecimento cognitivo está ligado à perda dessas conexões.

Tanzi toca piano profissionalmente, compõe música e está sempre aprendendo novas peças. Também consome livros, documentários e podcasts. Para ele, repetir sempre os mesmos padrões mentais é um atalho para o declínio.

Alimentação que nutre o cérebro começa no intestino

Alimentacao
© X – @CatracaLivre

Por fim, a dieta. Tanzi defende uma alimentação que favoreça o microbioma intestinal, já que bactérias equilibradas produzem compostos que ajudam a reduzir inflamações e placas amiloides no cérebro.

Ele segue uma dieta majoritariamente mediterrânea e vegetal, rica em frutas, legumes, azeite de oliva, nozes e sementes. Evita ultraprocessados e diz que alimentos crocantes naturais são “os favoritos das bactérias boas”.

Atualmente, Tanzi investiga também fatores ambientais que afetam o cérebro, como plásticos, poluição e bactérias periodontais — as chamadas “P assassinas”. Seu próximo livro deve aprofundar como essas exposições, somadas à dieta moderna, influenciam o envelhecimento.

No fim, a mensagem do SHIELD é clara: envelhecer não é apenas uma questão de tempo, mas de hábitos. E cuidar do cérebro, segundo Tanzi, é a forma mais eficaz de continuar vivendo em um “mundo jovem”.

 

[ Fonte: Infobae ]

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