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Ciência

Parque Criado para Proteger a Gruta da Lagoa Azul Está Sob Ameaça no MT

Criado para preservar um dos mais belos patrimônios naturais de Mato Grosso, o Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul enfrenta ameaças constantes. O avanço do agronegócio, o desmatamento e a presença de gado na região colocam em risco sua biodiversidade e a integridade da gruta. Além disso, a falta de regularização fundiária e a ausência de fiscalização favorecem invasões e passeios clandestinos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Problemas Ambientais e Conflitos de Ocupação

O parque foi criado em 2000, com o objetivo de preservar a Gruta da Lagoa Azul e seu ecossistema. No entanto, desde sua interdição em 1999 devido à degradação ambiental, a área segue desprotegida e enfrenta desafios como:

🌱 Plantações na zona de amortização, onde a atividade humana deveria ser limitada; 🌳 Desmatamento dentro e ao redor do parque, ameaçando a vegetação nativa; 🛑 Falta de sinalização adequada, dificultando a distinção entre áreas privadas e de preservação; 🐎 Presença de gado e outros animais domésticos, prejudicando o solo e o equilíbrio ecológico.

A área do parque, com 12 mil hectares, é fragmentada por terras do assentamento Coqueiral/Quebó, onde cerca de 700 famílias vivem desde a década de 1980. O governo estadual não cumpriu a determinação de desapropriação dessas terras, alegando que os assentamentos não impactam diretamente a reserva.

Desmatamento e Agricultura Ilegal

A exploração agrícola e a ocupação desordenada têm levado ao desmatamento acelerado. Um levantamento do Instituto Centro de Vida (ICV) revelou que, nos últimos 15 anos, o parque perdeu pelo menos 47 hectares de vegetação nativa, enquanto 4 mil hectares foram desmatados ao seu redor. Além disso, imagens de satélite mostram o avanço da soja na área de preservação.

🚜 Impactos identificados no parque e arredores:

  • Plantio de mandioca identificado em 2023 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente;
  • Presença de barracos clandestinos com combustível e equipamentos agrícolas;
  • Áreas devastadas utilizadas para descarte irregular de lixo e entulho;
  • Trilhas clandestinas facilitando o acesso irregular à gruta.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) informou que tomará medidas para impedir acessos irregulares e punir responsáveis, mas não especificou um prazo para a execução dessas ações.

Turismo Irregular e Riscos à Gruta

A Gruta da Lagoa Azul, conhecida por suas águas cristalinas e formações rochosas únicas, segue interditada, mas isso não impede a atuação de guias clandestinos. Passeios ilegais continuam sendo promovidos, alguns cobrando até R$ 250 por visitante. Em março de 2024, seis turistas e um guia foram detidos no local, mas logo liberados.

📌 Principais riscos do turismo desordenado:

  • Degradação da água e do ecossistema subterrâneo;
  • Risco à segurança dos visitantes, que não contam com estrutura adequada;
  • Possível extinção de espécies sensíveis ao contato humano.

Em resposta às denúncias, a Sema implementou multas para visitação irregular e bloqueou acessos clandestinos à gruta. No entanto, especialistas alertam que o problema persiste e exige fiscalização mais rigorosa.

Especialistas Alertam Para os Impactos Ambientais

O professor de geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn, destaca que a presença de gado e atividades agrícolas dentro do parque prejudicam a fauna e aceleram a erosão do solo, comprometendo a estrutura da caverna.

Já Natally Carvalho Neves, do Instituto Matogrossense de Espeleologia, explica que a visitação desordenada pode alterar a composição química da água e afetar espécies raras que habitam o local. Segundo ela, o acesso deve ser restrito a visitas contemplativas e realizadas sob rigoroso controle ambiental.

O Que Dizem os Órgãos Públicos

A Sema afirma que o Plano de Manejo do parque está em fase de implementação e que a reabertura da gruta dependerá da infraestrutura necessária para garantir a segurança dos visitantes e a conservação da área. No entanto, não há previsão para que isso ocorra.

Enquanto isso, a fiscalização segue limitada a agentes da prefeitura e à Polícia Militar, sem estrutura suficiente para coibir as invasões e atividades ilegais.

Conclusão

O Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul enfrenta um grave dilema: proteger um patrimônio ambiental único ou ceder à ocupação humana e à exploração econômica. Enquanto o poder público não adota medidas eficazes para a regularização fundiária e a fiscalização, o desmatamento avança, colocando em risco a biodiversidade e a preservação da gruta.

Sem ações concretas e urgentes, o parque pode perder sua identidade como área de conservação e se transformar em mais um exemplo de degradação ambiental no Brasil.

 

Fonte: G1.Globo

 

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