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Ciência

Planeta do tamanho da Terra é descoberto em sistema que viverá muito além do Sol

Astrônomos detectaram um novo planeta rochoso semelhante à Terra, orbitando uma estrela que pode durar até dez vezes mais que o nosso Sol. O ambiente é inóspito, mas a descoberta abre caminho para estudar a geologia de mundos fora do Sistema Solar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma equipe internacional de astrônomos, incluindo cientistas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), anunciou a descoberta de um exoplaneta com características semelhantes às da Terra. Chamado SPECULOOS-3 b, o planeta orbita uma estrela anã vermelha a apenas 55 anos-luz da Terra e representa uma oportunidade inédita para estudar a formação e evolução de mundos rochosos fora do nosso sistema solar.

 

Um planeta rochoso em órbita extrema

Planeta Perto Da Sol 2
© Unsplash

O SPECULOOS-3 b tem tamanho semelhante ao da Terra, mas sua semelhança termina aí. O planeta completa uma órbita ao redor de sua estrela em apenas 17 horas — ou seja, seu ano dura menos de um dia terrestre. Além disso, ele está travado gravitacionalmente, o que significa que um de seus lados está sempre voltado para a estrela, enquanto o outro permanece em escuridão eterna.

 

A estrela anfitriã é uma anã ultrafria com cerca de 7 bilhões de anos, do tamanho de Júpiter e centenas de vezes menos brilhante que o Sol. Apesar de sua baixa luminosidade, ela emite radiação suficiente para ter vaporizado completamente a atmosfera do planeta, deixando-o como uma rocha nua, parecida com Mercúrio — mas ainda mais inóspita.

 

Sem chance para a vida, mas cheio de respostas

Os astrônomos destacam que SPECULOOS-3 b não possui condições para abrigar vida como conhecemos. Sua superfície é escaldante e inóspita, com radiação intensa e ausência de atmosfera. No entanto, o planeta oferece um alvo científico valioso: por estar relativamente próximo da Terra, pode ser analisado em detalhe por instrumentos avançados, como o Telescópio Espacial James Webb (JWST).

 

Com ele, os pesquisadores esperam investigar a composição do planeta, possíveis traços de atividade vulcânica passada e entender melhor como planetas rochosos se formam e evoluem em torno de estrelas anãs ultrafrias. Essa é uma oportunidade rara de estudar um planeta terrestre fora do Sistema Solar com alto nível de detalhe.

 

Descoberta com assinatura mexicana

O SPECULOOS-3 b foi identificado inicialmente em 2021 com o telescópio SAINT-EX, localizado no Observatório Astronômico Nacional de San Pedro Mártir, no México. As observações foram conduzidas pelas astrônomas Yilen Gómez Maqueo Chew, Laurence Sabin e Ilse Plauchu-Frayn, da UNAM. A descoberta foi confirmada entre 2022 e 2023 com apoio do telescópio Artemis, instalado nas Ilhas Canárias, parte da rede internacional SPECULOOS.

 

O método utilizado foi o do trânsito: os astrônomos monitoraram a luz da estrela em busca de pequenas quedas de brilho, que indicam a passagem de um planeta em sua frente. Essa técnica tem sido uma das mais eficazes na detecção de exoplanetas nos últimos anos.

 

Uma estrela com vida muito além do Sol

Planeta Perto Da Sol 1
© Unsplash

Um dos aspectos mais impressionantes da descoberta é a longevidade da estrela que SPECULOOS-3 b orbita. Diferente do Sol, que tem uma expectativa de vida de cerca de 10 bilhões de anos, a estrela anã vermelha pode brilhar por até 100 bilhões de anos — dez vezes mais. Isso significa que, mesmo após o desaparecimento do nosso Sistema Solar, esse sistema poderá continuar existindo.

 

Segundo a astrônoma Yilen Maqueo Chew, esse é apenas o segundo sistema planetário encontrado ao redor de uma estrela anã ultrafria — o primeiro foi o famoso TRAPPIST-1, descoberto em 2016. Porém, os planetas são bastante distintos, o que revela uma diversidade inesperada entre os corpos que orbitam esse tipo de estrela.

 

Uma janela para outros mundos

A descoberta de SPECULOOS-3 b marca um avanço significativo na busca por entender planetas semelhantes à Terra fora do nosso sistema. Mesmo em um ambiente extremo, ele oferece aos cientistas um laboratório natural para investigar a geologia planetária em escalas cósmicas.

 

Enquanto a busca por mundos habitáveis continua, esse tipo de achado nos ajuda a compreender melhor a vastidão e diversidade do universo — e como nosso pequeno planeta se encaixa nele.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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