A corrida pela computação quântica está ganhando novos contornos com o anúncio da IBM, que pretende construir um sistema funcional até o final da década. Para isso, a empresa aposta em uma nova abordagem para corrigir erros, desafio que tem impedido os sistemas quânticos de superarem os clássicos. O plano, detalhado por executivos da companhia, representa um avanço significativo na viabilidade dessa tecnologia.
Meta ambiciosa e novo modelo de correção de erros
A IBM revelou nesta terça-feira (10) que pretende concluir até 2029 o desenvolvimento de um computador quântico funcional, com capacidade prática para resolver problemas que hoje desafiam os sistemas clássicos. Esse avanço virá acompanhado de um roteiro bem definido, que inclui o desenvolvimento do sistema “Starling”, com cerca de 200 qubits lógicos, instalado em um data center em construção em Nova York.
Os qubits, elementos essenciais da computação quântica, são extremamente sensíveis e propensos a erros. Esse é justamente o maior desafio da tecnologia: boa parte da capacidade computacional é consumida tentando corrigir essas falhas. Para resolver o impasse, a IBM aposta em um algoritmo novo, desenvolvido com base na engenharia real de chips, e não mais em teorias idealizadas.
Segundo Jay Gambetta, vice-presidente da divisão quântica da empresa, a mudança de estratégia foi fundamental. Ao invés de tentar adaptar os chips aos modelos teóricos de correção, a IBM passou a projetar os algoritmos a partir das possibilidades reais de fabricação. Essa inversão de lógica teria dado aos cientistas mais segurança e eficiência no desenvolvimento da nova arquitetura.
Um ecossistema em transformação e novos horizontes
A IBM não está sozinha nessa jornada. Gigantes como Microsoft, Alphabet (Google), Amazon e várias startups também investem pesado em computação quântica, vislumbrando aplicações nas áreas de criptografia, química, inteligência artificial e otimização logística. Todos, no entanto, esbarram na mesma limitação: os erros gerados pelos qubits.
A diferença agora é que a IBM acredita ter encontrado um caminho viável para lidar com o problema em escala. Com isso, pretende lançar uma série de sistemas progressivos entre 2024 e 2027, preparando o terreno para soluções ainda mais poderosas até 2033.
O próximo grande marco será alcançar, com os 200 qubits planejados, uma vantagem real sobre os computadores clássicos — algo inédito até agora. Caso a nova abordagem da IBM se concretize, isso poderá marcar o início de uma nova era tecnológica.
A corrida pelo domínio da computação quântica segue intensa, mas com o anúncio da IBM, o futuro parece um pouco mais tangível — e promissor.
[Fonte: Infomoney]