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Tecnologia

A aposta ousada da IBM que virou surpresa: ela trocou humanos por IA e teve que contratá-los de volta

Ao substituir milhares de funcionários por inteligência artificial, a IBM esperava reduzir custos e acelerar processos. Mas o que parecia um caminho irreversível levou a uma reviravolta surpreendente: a mesma IA que causou as demissões abriu espaço para novas contratações em outras áreas estratégicas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando anunciou a demissão de quase 8 mil funcionários em 2023, a IBM parecia seguir um caminho sem volta: substituir pessoas por tecnologia. A promessa era automatizar setores inteiros com soluções de inteligência artificial. Mas, dois anos depois, a empresa se viu diante de um efeito inesperado. O número de empregados voltou a crescer — por causa da própria IA.

A decisão que mudou o rumo da IBM

A aposta ousada da IBM que virou surpresa: ela trocou humanos por IA e teve que contratá-los de volta
© Pexels

No início de 2023, a IBM se uniu à onda global de grandes demissões. Enquanto empresas como Google, Spotify e X reduziam drasticamente suas equipes, a IBM desligava cerca de 7.800 funcionários. O plano era claro: automatizar processos com inteligência artificial, especialmente em áreas administrativas e de suporte.

Na época, o CEO Arvind Krishna explicou que até 30% das funções existentes poderiam ser automatizadas. E foi exatamente isso que a empresa começou a fazer. No setor de recursos humanos, por exemplo, a adoção de ferramentas de IA como o AskHR eliminou 94% das tarefas rotineiras. Essa eficiência gerou, segundo a empresa, uma economia de mais de US$ 3,5 bilhões, abrindo margem para investir em novas frentes.

Apesar disso, a automação acabou exigindo novas contratações. Com o avanço tecnológico, surgiu a necessidade de mais profissionais em engenharia de software, vendas e marketing. Assim, a mesma tecnologia que causou demissões passou a impulsionar recontratações em áreas que exigem pensamento criativo, habilidades interpessoais e atuação estratégica.

AskHR: o robô que revolucionou o RH

Uma das ferramentas mais representativas dessa mudança é o AskHR, assistente virtual da IBM desenvolvido para cuidar de tarefas relacionadas ao setor de recursos humanos. A plataforma começou a ser testada em 2017 e foi integrada de forma definitiva em 2021. Desde então, vem sendo constantemente aprimorada.

Em 2024, o AskHR processou mais de 11,5 milhões de interações. Dessas, apenas 6% precisaram ser encaminhadas a especialistas humanos. A maioria das solicitações — como gestão de férias, movimentações internas e promoções — foi resolvida diretamente na plataforma com poucos cliques.

Segundo a própria IBM, o Net Promoter Score (NPS) do sistema saiu de -35 e atingiu +74, resultado atribuído à eficiência e ao ganho de tempo proporcionado pela automação. Hoje, o AskHR conta com quase 90 automações e segue evoluindo. A expectativa é que, em 2025, ele assuma tarefas cada vez mais complexas, diminuindo ainda mais a dependência de atendimento humano para processos operacionais.

Uma tendência que vai além da IBM

O movimento de substituir parte da força de trabalho por inteligência artificial não é exclusivo da IBM. Empresas de diversos setores já vêm adotando soluções similares. Algumas chegaram a eliminar até 90% dos cargos de atendimento ao cliente, confiando plenamente em chatbots. No início de 2025, o Duolingo, por exemplo, anunciou a substituição de parte de seu setor de RH por IA — mas precisou recuar e buscar programadores no LinkedIn para corrigir falhas.

Relatórios como o The Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, indicam que a automação poderá eliminar até 92 milhões de empregos até 2030. Porém, especialistas ressaltam que a IA também cria novas oportunidades, especialmente em áreas ligadas à inovação, tecnologia e relacionamento com o cliente.

O caso da IBM mostra que, embora a substituição de funções repetitivas seja viável, a presença humana continua indispensável em segmentos que exigem adaptação, empatia e criatividade. A tecnologia avança, mas o trabalho humano evolui com ela — e, muitas vezes, por causa dela.

O que parecia um experimento radical acabou revelando um novo equilíbrio entre automação e talento humano. A IBM demitiu milhares com a promessa de eficiência tecnológica, mas foi obrigada a reconhecer que a inteligência artificial, sozinha, não basta. No fim, a solução não foi excluir pessoas — foi usá-las de forma mais inteligente.

[Fonte: IGN]

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