Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte e do Instituto Carnegie combinaram duas ferramentas poderosas:
- TESS, satélite da NASA que monitora variações de brilho para encontrar exoplanetas, mas também registra taxas de rotação estelar.
- GFaia, a missão europeia que mapeia os movimentos tridimensionais de mais de 2 bilhões de estrelas da Via Láctea.
Essa união de dados permitiu encontrar aglomerados abertos dispersos — grupos de estrelas que nasceram juntas, mas perderam a estrutura ao longo de centenas de milhões de anos.
A partir daí, a equipe aplicou uma estrutura bayesiana, baseada no Teorema de Bayes, para atualizar continuamente as evidências e refinar o mapa das estrelas. O alvo inicial foi um velho conhecido: o aglomerado aberto das Plêiades, na constelação de Touro.
Plêiades: de aglomerado compacto a megaestrutura estelar
A análise revelou algo surpreendente: as Plêiades não estão sozinhas. Elas fazem parte de um conjunto muito maior, batizado de Complexo das Plêiades Maior, que reúne estrelas da mesma época (coevas) e com trajetórias semelhantes.
O tamanho impressiona: O complexo se estende por mais de 600 parsecs — cerca de 2 mil anos-luz.
Engloba múltiplos grupos estelares já conhecidos, mas que nunca tinham sido conectados entre si.
A descoberta mostra que aquilo que enxergamos como clusters separados pode, na verdade, ser parte de uma mesma família estelar gigante, espalhada pela Via Láctea ao longo de centenas de milhões de anos.
O que isso revela sobre a formação de estrelas
A pesquisa indica que as subpopulações do Complexo das Plêiades compartilham:
- idade semelhante
- composições químicas parecidas
- origens dinâmicas comuns
Ou seja: tudo aponta para uma mesma nuvem molecular gigante como ponto de partida — uma espécie de berçário estelar ancestral que deu origem a vários grupos, agora espalhados pelo espaço.
Isso também resolve limitações de métodos antigos que dependiam apenas da cinemática (os movimentos das estrelas). Em regiões de baixa densidade, essas técnicas não conseguiam identificar conexões tão amplas.
Com a abordagem bayesiana, TESS e Gaia trabalhando juntos, o mapa estelar ganha profundidade — e revelações como essa se tornam possíveis.
A descoberta do Complexo das Plêiades Maior mostra como novas ferramentas estão redesenhando o que sabemos da Via Láctea. As Plêiades, antes vistas como um grupo isolado, agora se revelam parte de uma linhagem cósmica muito maior e mais antiga. Um lembrete fascinante de que o céu ainda guarda segredos — basta saber olhar com as tecnologias certas. Quer apostar quantos outros “supergrupos” ainda estão escondidos pela galáxia?
[Fonte: Correio Braziliense]