Pular para o conteúdo
Tecnologia

Por que a segurança digital já vale tanto quanto os lucros dos bancos

Os ataques cibernéticos contra bancos e fintechs dobraram desde 2023 e já custam bilhões às instituições financeiras. Além do impacto econômico, cresce o temor entre investidores, que agora avaliam a maturidade em cibersegurança com a mesma atenção que os balanços financeiros.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Durante décadas, os bancos foram sinônimo de solidez e confiança. Hoje, porém, enfrentam um campo minado digital cada vez mais complexo. Um relatório da AInvest mostra que as violações de segurança no setor financeiro, sobretudo ligadas a fornecedores externos, duplicaram desde 2023. Cada ataque custa em média US$ 4,8 milhões, podendo chegar a US$ 17,4 milhões quando envolve falhas internas.

Um alerta para o setor financeiro

Casos recentes ilustram a gravidade da situação. Em 2025, o Santander sofreu um ataque que expôs dados de 30 milhões de clientes na Espanha, Uruguai e Chile. Embora as credenciais bancárias não tenham sido comprometidas, o impacto reputacional foi imediato: a ação caiu antes mesmo de qualquer multa.

A sanção posterior de 50 mil euros da AEPD, por violar o GDPR, reforçou a mensagem: cibersegurança é também uma questão regulatória. Para o FMI, a escala e sofisticação dos ataques já representam risco real à estabilidade econômica global.

O custo agregado — entre indenizações, multas e danos à imagem — já chega a US$ 2,5 bilhões anuais no mundo. E a contenção de uma invasão pode levar até 80 dias, tempo crítico para qualquer instituição.

Reguladores mais exigentes

Governos e entidades reguladoras aceleram novas regras. A União Europeia aprovou o DORA (Digital Operational Resilience Act), e o Reino Unido trabalha em uma Cyber Resilience Bill. Ambas aumentam a pressão sobre prestadores de serviços e a continuidade digital das operações bancárias.

Na Ásia, o Banco da Reserva da Índia exige arquiteturas de confiança zero e defesas “conscientes da IA”, diante da dependência excessiva de poucos provedores. A conclusão é clara: cibersegurança deixou de ser assunto técnico e se tornou prioridade de negócio no nível mais alto da gestão.

Mesmo com investimentos milionários, falhas persistem. No Reino Unido, bancos como HSBC, Santander e Barclays continuam a registrar dezenas de interrupções de serviço a cada ano. Só o Barclays notificou 33 quedas entre 2023 e 2025.

O fator humano e a confiança dos investidores

O elo mais frágil ainda são os funcionários: cerca de 45% seguem vulneráveis a ataques de phishing. Por isso, investidores começam a valorizar critérios como:

  • Arquiteturas de confiança zero, em que cada usuário e dispositivo precisa ser verificado.

  • Detecção em tempo real por IA de anomalias.

  • Auditorias regulares de fornecedores de cibersegurança.

  • Treinamento contínuo de funcionários.

  • Simulações de ataques cibernéticos, conduzidas em parceria com reguladores.

Instituições que seguem essas práticas transmitem maior confiança ao mercado e são vistas como apostas mais seguras diante de riscos digitais crescentes.

Cibersegurança como ativo estratégico

O futuro da banca dependerá de tratar a defesa digital como ativo estratégico, não apenas como custo. Em um cenário de ameaças impulsionadas por inteligência artificial — e, em breve, pela computação quântica — o verdadeiro valor de um banco será medido não só em números de balanço, mas na robustez de suas defesas invisíveis.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados