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Ciência

Por que esta doença antiga voltou a preocupar especialistas em 2025

Uma infecção que parecia controlada está avançando novamente na região, impulsionada por desigualdades sociais, diagnósticos tardios e um estigma que mantém milhares longe do sistema de saúde. Novos dados revelam um aumento preocupante, formas resistentes do patógeno e falhas que podem transformar o cenário em uma crise maior se nada for feito.
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Embora associada a tempos remotos, uma doença que marcou civilizações antigas voltou a ocupar o centro das preocupações sanitárias no continente americano. Relatórios recentes mostram um crescimento inesperado, impulsionado por fatores sociais, atrasos no diagnóstico e falhas estruturais na prevenção. Especialistas alertam que esse ressurgimento não é um episódio isolado, mas o resultado de condições que se agravaram nos últimos anos — e que exigem respostas urgentes.

Um aumento que surpreende a região

Longe de desaparecer, a doença registrou um avanço significativo entre 2015 e 2022: a incidência aumentou cerca de 18%, segundo a Organização Mundial da Saúde. Muitos especialistas, porém, acreditam que o número real pode ser maior, devido ao subdiagnóstico e à limitada disponibilidade de testes rápidos em várias áreas.

Os sintomas iniciais confundem: tosse crônica superior a duas semanas, febre, suor noturno, dor torácica e perda de peso. Por parecer um resfriado persistente, muitos adiam a consulta médica. O tratamento, quando iniciado corretamente e mantido por pelo menos seis meses, costuma ser eficaz.

O perigo crescente da resistência

Interromper a medicação antes do tempo é um dos maiores riscos. Esse hábito favorece o surgimento de variantes resistentes, difíceis e caras de tratar — problema mais frequente entre populações vulneráveis, onde há maior dificuldade de acesso e de continuidade do cuidado.

Brasil e Peru registraram aumentos notáveis, e o continente como um todo viu as mortes relacionadas à doença crescerem 16% desde 2015. A combinação de resistência, atraso no diagnóstico e falhas no acompanhamento cria um cenário de alerta internacional.

O papel do estigma e os grupos mais afetados

O medo de discriminação afasta muitas pessoas dos serviços de saúde. Esse estigma agrava o problema e impede intervenções precoces. Entre os mais vulneráveis estão povos indígenas, migrantes, pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida, moradores de rua e população carcerária.

Nas prisões, a taxa de infecção é especialmente elevada. Pesquisas apontam que até um terço dos casos da América Latina está ligado ao sistema penitenciário, o que afeta não apenas internos, mas comunidades inteiras após a libertação.

O que precisa ser feito agora

Entre as principais recomendações estão ampliar o acesso a testes modernos, garantir que todos completem o tratamento e fortalecer ações de prevenção. Organismos internacionais também defendem o combate ao estigma, o investimento em pesquisa e o desenvolvimento de vacinas mais eficazes antes de 2030.

Outra prioridade é oferecer terapias preventivas a familiares e pessoas vivendo com HIV — grupos de maior risco.

Por que os casos aumentaram?

Segundo especialistas, parte do crescimento recente se explica pelo impacto da pandemia de Covid-19: sistemas sobrecarregados, consultas interrompidas e atrasos generalizados em diagnósticos. Ao mesmo tempo, métodos moleculares rápidos passaram a ser mais utilizados e revelaram casos anteriormente invisíveis — como ocorreu no Paraguai, que identificou até 50% mais infecções.

Nos Estados Unidos, o aumento está ligado à pobreza e à migração. Na Argentina, à expansão de populações vulneráveis afetadas por superlotação e falta de acesso a testes rápidos.

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