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Por que Noruega, Canadá e Rússia podem sair ganhando com a guerra no Irã — e quem já está pagando a conta

O conflito no Oriente Médio já começa a impactar o bolso de consumidores ao redor do mundo. Enquanto alguns países enfrentam inflação, escassez e custos elevados, outros aproveitam a alta do petróleo e do carvão. O resultado é um mapa econômico desigual, com vencedores inesperados e perdedores evidentes.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Da alta nas contas de aquecimento no Reino Unido ao fechamento de escolas no sul da Ásia para economizar energia, os efeitos econômicos da guerra no Irã já são concretos. Mais do que um choque temporário, trata-se de uma disrupção com impactos globais e assimétricos. Em meio a esse cenário, alguns países se beneficiam diretamente, enquanto outros enfrentam riscos crescentes para suas economias.

Quem pode lucrar com a crise energética

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© https://x.com/BRICSinfo/

Apesar do avanço das energias renováveis, o mundo ainda depende fortemente de petróleo e gás. Quando os preços sobem, países produtores tendem a ganhar — e consumidores, a perder.

Mas desta vez, o cenário é mais complexo. O Oriente Médio continua sendo o coração do fornecimento global, e o estreito de Ormuz, uma rota crítica para o transporte de energia. Ataques à infraestrutura e ameaças de bloqueio têm afetado produtores tradicionais do Golfo, como Catar e Arábia Saudita.

Com isso, países fora da região entram em vantagem. Noruega e Canadá, por exemplo, surgem como alternativas mais estáveis. Após a guerra na Ucrânia, a Noruega já havia ampliado sua produção para suprir a Europa. Agora, pode repetir esse papel.

O Canadá também tenta se posicionar como fornecedor confiável, embora existam dúvidas sobre sua capacidade de expandir rapidamente a produção.

Ainda assim, o maior beneficiado pode ser a Rússia. Com o relaxamento de algumas restrições globais e a necessidade urgente por energia, suas exportações voltaram a crescer. As vendas para a Índia aumentaram significativamente, e estimativas indicam bilhões de dólares adicionais em receita.

Além disso, o aumento do uso de carvão abre espaço para países como a Indonésia, que também podem lucrar com a alta dos preços.

Estados Unidos: ganhos no papel, riscos na prática

Trump En Davos
© X – @hectorchamizo

À primeira vista, os Estados Unidos poderiam parecer vencedores. Com preços mais altos, produtores de petróleo tendem a lucrar mais.

No entanto, a realidade é mais ambígua.

Empresas americanas também estão expostas aos riscos da região. A ExxonMobil, por exemplo, tem operações no Catar afetadas por ataques e paralisações.

Além disso, muitos produtores de petróleo de xisto reduziram sua capacidade nos últimos anos e não conseguem aumentar rapidamente a produção.

O ponto mais crítico, porém, é o consumo. Os EUA são um dos maiores consumidores de energia do mundo. Isso significa que a alta dos preços impacta diretamente a população — desde o aquecimento no inverno até o custo das viagens.

Economistas da Oxford Economics alertam que, se o petróleo atingir US$140 e permanecer nesse nível, a economia americana pode entrar em retração.

Europa e inflação: um risco silencioso

A vulnerabilidade não é exclusiva dos EUA. Europa e Reino Unido dependem fortemente de gás importado, o que aumenta o risco econômico.

O impacto aparece principalmente na inflação. O aumento dos preços da energia encarece fertilizantes, transporte e alimentos, pressionando toda a cadeia produtiva.

Estimativas indicam que essa tendência pode adicionar cerca de 0,5% à inflação anual, caso persista.

Ainda assim, há um ponto positivo: ao longo dos anos, os países ocidentais melhoraram sua eficiência energética, tornando-se mais resilientes do que em crises anteriores.

Ásia: a região mais exposta

China Petroleo
© X – @c7neuquen

A Ásia é, possivelmente, a região mais vulnerável.

Cerca de 59% do petróleo consumido no continente vem do Oriente Médio. Na Coreia do Sul, essa dependência chega a 70%. Isso coloca setores estratégicos, como a indústria de semicondutores, em risco.

Em países como Sri Lanka, Bangladesh e Filipinas, já há sinais concretos de crise: racionamento de combustível, semanas de trabalho reduzidas e fechamento de escolas.

Por outro lado, grandes economias asiáticas têm conseguido amortecer parte do impacto.

A China possui reservas estratégicas que garantem meses de consumo e tem ampliado suas compras de petróleo iraniano. A Índia segue caminho semelhante, além de aumentar suas importações da Rússia.

Um efeito global que ainda pode se intensificar

O desfecho desse cenário depende diretamente da evolução do conflito. No entanto, já está claro que seus efeitos econômicos não são uniformes.

Enquanto alguns países acumulam ganhos com a alta dos combustíveis, outros enfrentam inflação, desaceleração e pressão fiscal.

E há um risco maior: quanto mais o conflito se prolongar, maior será a chance de contágio econômico global.

O que começou como uma crise regional pode se transformar em um novo choque energético com impacto mundial — redefinindo, mais uma vez, quem ganha e quem perde no tabuleiro da economia global.

 

[ Fonte: BBC ]

 

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