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Quem é o cientista brasileiro mais influente do mundo? Novo estudo revela nomes que moldam políticas públicas globais

Um mapeamento internacional identificou 107 cientistas brasileiros entre os mais citados em documentos oficiais usados para orientar políticas de governos e organizações. No topo da lista está César Victora, referência mundial em saúde infantil. Levantamento destaca também desigualdades de gênero na ciência.

Um levantamento inédito revelou quais pesquisadores brasileiros mais influenciam políticas públicas no mundo. O estudo analisou milhões de relatórios, pareceres e documentos estratégicos utilizados por governos, organismos internacionais e entidades civis desde 2019 — materiais que orientam decisões sobre saúde, alimentação, clima e desenvolvimento social. Ao todo, 107 pesquisadores do Brasil foram identificados como referências diretas nessas decisões, influenciando mais de 33,5 mil políticas públicas em diferentes países.

Na primeira posição está o epidemiologista César Victora, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), renomado por seus estudos sobre saúde infantil e aleitamento materno. Seus trabalhos aparecem citados em 3.109 documentos oficiais, com impacto comprovado em programas adotados em mais de 20 países, além de contribuir para a formulação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança, no Brasil.

Por que César Victora é referência mundial

Victora é considerado um dos mais importantes especialistas em nutrição infantil. Seu trabalho sobre a importância do aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e fundamentou recomendações adotadas em diferentes continentes.

Para ele, ver suas pesquisas se transformarem em políticas públicas é o auge da carreira científica:

“Embasa políticas públicas é o mais alto reconhecimento que um cientista pode receber da sociedade”, afirmou.

Os demais nomes no topo da lista

Logo após Victora, o estudo destaca outros pesquisadores com forte impacto internacional:

  • Carlos Monteiro (USP) — criador da classificação NOVA, referência mundial nos debates sobre alimentos ultraprocessados.

  • Aluísio Barros (UFPel) — especialista em saúde materno-infantil e metodologias de avaliação de desigualdades.

  • Paulo Saldiva (USP) — pesquisador de poluição atmosférica e saúde urbana, com estudos utilizados em ações ambientais no Brasil e no exterior.

  • Pedro Hallal (UFPel) — epidemiologista que coordenou os maiores inquéritos nacionais sobre prevalência da Covid-19.

Juntos, os cinco pesquisadores acumulam mais de 5.500 citações em documentos oficiais que orientaram políticas de saúde pública, nutrição, saneamento, mobilidade urbana e resposta à pandemia.

Top 10 pesquisadores brasileiros mais influentes em políticas públicas

  1. César Victora (UFPel)

  2. Carlos Monteiro (USP)

  3. Aluísio Barros (UFPel)

  4. Paulo Saldiva (USP)

  5. Pedro Hallal (UFPel)

  6. João Campari (WWF International)

  7. Pedro Brancalion (USP)

  8. Bernardo Strassburg (PUC-Rio)

  9. Álvaro Avezum (Hospital Alemão Oswaldo Cruz)

  10. Britaldo Filho (UFMG)

A USP concentra o maior número de pesquisadores na lista, com 22 nomes.

A desigualdade de gênero persiste

Apesar do destaque brasileiro, o levantamento também evidencia baixa representatividade feminina: apenas 22 dos 107 pesquisadores identificados são mulheres.

Entre elas:

  • Ester Sabino (USP) — conhecida por seu trabalho sobre vírus emergentes e atuação na pandemia.

  • Luciana Gatti (Inpe) — referência em mudanças climáticas e no monitoramento das emissões de carbono na Amazônia.

  • Mercedes Bustamante (UnB) — especialista em conservação e políticas ambientais, com estudos citados em mais de 130 documentos internacionais.

O que o estudo revela sobre a ciência brasileira

O levantamento foi conduzido pela Agência Bori, em parceria com a Overton, a maior plataforma de dados sobre a interface entre ciência e políticas públicas.

Para Euan Adie, fundador da Overton, o resultado confirma o peso crescente da ciência brasileira no debate internacional:

“O mapeamento mostra a força da ciência brasileira e ajuda a entender quais cientistas influenciam as políticas — e quem ainda está fora dessa conversa.”

Já Ana Paula Morales, diretora da Bori, destaca a importância da comunicação científica:

“Quando a evidência é comunicada de forma clara e acessível, molda o entendimento público e capacita a sociedade a exigir decisões embasadas no conhecimento.”

Em um momento global de disputas narrativas e desinformação, o estudo reforça uma mensagem essencial: não basta produzir ciência — é preciso fazê-la circular.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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