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Ração para cães pode conter níveis alarmantes de chumbo, mercúrio e acrilamida — novo estudo acende alerta sobre contaminantes invisíveis

Uma investigação independente encontrou metais pesados, compostos plásticos e substâncias potencialmente cancerígenas em alimentos industrializados para cães. Especialistas pedem mais transparência da indústria e defendem testes regulares para reduzir riscos à saúde dos animais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quem divide a casa com um cachorro sabe: a alimentação é uma das maiores preocupações. Mas uma nova investigação sugere que a ração industrializada — especialmente a versão seca — pode conter contaminantes em níveis considerados preocupantes.

O estudo foi conduzido pela organização sem fins lucrativos Clean Label Project, sediada no Colorado, que analisa a pureza de produtos de consumo. Segundo os pesquisadores, amostras populares de alimentos para cães apresentaram “níveis perigosos” de metais pesados, resíduos de plásticos e acrilamida — um composto classificado como potencialmente cancerígeno.

Metais pesados: o que foi encontrado

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© Pexels

Entre os contaminantes detectados estão chumbo e mercúrio. Um levantamento anterior, de 2021, já havia indicado que 81% das rações analisadas ultrapassavam o limite máximo tolerado de mercúrio estabelecido por agências reguladoras, enquanto 100% excediam os níveis considerados aceitáveis para chumbo.

A Environmental Protection Agency (EPA), agência ambiental dos Estados Unidos, afirma que não existe nível seguro de exposição ao chumbo para humanos. Para cães, não há parâmetros específicos amplamente estabelecidos.

Os limites de segurança para alimentos animais são definidos por entidades como a Association of American Feed Control Officials (AAFCO) e o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA (NRC). No entanto, especialistas apontam que essas diretrizes não são específicas para cães domésticos, já que alimentos pet são classificados na mesma categoria que ração para animais de produção.

O problema é que há poucos estudos de longo prazo avaliando os efeitos da exposição crônica a metais pesados em cães. Ainda não se sabe exatamente como o consumo contínuo dessas substâncias pode impactar a saúde ao longo dos anos.

Acrilamida: risco ligado ao processamento térmico

A pesquisa também identificou níveis elevados de acrilamida em alimentos secos. Em um dos produtos analisados, a concentração chegou a 780 partes por bilhão — cerca de 24 vezes mais do que em alimentos frescos ou congelados.

A acrilamida se forma quando alimentos ricos em carboidratos são submetidos a altas temperaturas, acima de 120 °C, durante processos como assar ou fritar. Ela também pode surgir na torra do café, na batata frita e em produtos assados.

A EPA classifica a substância como “provavelmente cancerígena para humanos”. Estudos em animais indicam que a acrilamida pode causar diferentes tipos de câncer e afetar a fertilidade masculina. Ainda não há dados conclusivos sobre os efeitos específicos em cães.

Compostos plásticos: BPA, BPS e ftalatos

Além dos metais pesados, o estudo analisou a presença de bisfenol A (BPA), bisfenol S (BPS) e do ftalato DEHP — compostos associados à fabricação de plásticos.

Em humanos, o BPA já foi relacionado a alterações hormonais, distúrbios metabólicos e maior risco de doenças cardiovasculares. O BPS, usado como substituto, apresenta efeitos semelhantes em pesquisas laboratoriais. Já o DEHP foi associado, em estudos recentes, ao aumento de mortalidade por doenças cardíacas em adultos.

Embora não existam pesquisas específicas em cães, especialistas consideram prudente investigar o impacto potencial dessas substâncias também em animais domésticos.

O que os tutores podem fazer?

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© FreePik

Especialistas recomendam cautela, mas não pânico. Uma alternativa é considerar alimentos frescos ou congelados, desde que aprovados pelo veterinário e compatíveis com o orçamento familiar.

Para quem opta por ração seca, uma estratégia sugerida é alternar marcas periodicamente. A rotação da dieta pode reduzir a exposição contínua aos mesmos contaminantes e ainda tornar a alimentação mais variada.

Outra medida defendida por pesquisadores é maior transparência da indústria. Testes regulares para metais pesados e outros contaminantes poderiam ser divulgados ao consumidor — embora isso provavelmente encarecesse o produto.

A discussão levanta uma questão mais ampla: à medida que cães são tratados como membros da família, cresce também a expectativa por padrões mais rigorosos de qualidade e segurança alimentar.

Enquanto a ciência avança para compreender melhor os riscos, a informação continua sendo a principal ferramenta dos tutores para tomar decisões conscientes sobre a saúde de seus animais.

 

[ Fonte: CNN Em Espalhol ]

 

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