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Reino Unido aprova lei que proíbe cigarro para futuras gerações e amplia restrições a vapes

O Parlamento britânico deu aval a uma legislação inédita que impede a venda de tabaco para pessoas nascidas a partir de 2009. A proposta também endurece regras sobre cigarros eletrônicos e outros produtos com nicotina, com o objetivo de reduzir doenças e mortes evitáveis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Reino Unido decidiu dar um passo ousado na luta contra o tabagismo. Parlamentares aprovaram um projeto de lei que estabelece uma proibição progressiva da venda de cigarros, criando na prática uma geração livre do fumo. A medida afeta diretamente jovens que ainda nem atingiram a maioridade — e redefine a política de saúde pública no país.

Uma proibição que cresce com o tempo

A nova legislação determina que qualquer pessoa nascida a partir de 1º de janeiro de 2009 nunca poderá comprar produtos de tabaco legalmente. Hoje, a idade mínima para compra é de 18 anos, mas o modelo adotado pelo governo britânico prevê que esse limite aumente gradualmente, acompanhando o envelhecimento dessa geração.

Na prática, isso significa que um jovem que completar 18 anos nos próximos anos não terá acesso legal ao cigarro — e essa restrição será permanente ao longo da vida.

O projeto, conhecido como Tobacco and Vapes Bill, faz parte de um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas à redução dos impactos do tabagismo no sistema de saúde.

Um problema de saúde pública persistente

O tabagismo continua sendo a principal causa de mortes evitáveis no Reino Unido. Segundo o National Health Service, cerca de 74.600 pessoas morreram em 2019 por doenças relacionadas ao cigarro.

Globalmente, o cenário também preocupa. A World Health Organization estima que o tabaco seja responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano — incluindo cerca de 1,6 milhão de pessoas que nunca fumaram, mas foram expostas à fumaça de terceiros.

Doenças como câncer, problemas cardiovasculares e enfermidades respiratórias estão diretamente associadas ao consumo de tabaco, o que reforça a urgência de medidas mais restritivas.

Vapes também entram na mira

Além do cigarro tradicional, a nova lei britânica amplia as restrições sobre produtos alternativos, como os cigarros eletrônicos.

O texto prevê a proibição do uso de vapes em diversos espaços públicos, incluindo carros com crianças, playgrounds, hospitais e áreas próximas a escolas. A legislação também abre caminho para que o governo regule sabores, embalagens e publicidade desses produtos — um ponto sensível, já que aromas doces e designs chamativos costumam atrair jovens.

A medida reflete uma preocupação crescente com o aumento do uso de dispositivos eletrônicos entre adolescentes, especialmente em países onde o consumo de cigarros convencionais está em queda.

“Prevenir é melhor que remediar”

Autoridades de saúde britânicas defendem que a estratégia adotada é uma forma eficaz de reduzir custos futuros e salvar vidas. O secretário de Saúde, Wes Streeting, destacou que a política tem foco preventivo.

Segundo ele, a iniciativa deve aliviar a pressão sobre o sistema de saúde e contribuir para a construção de uma população mais saudável nas próximas décadas.

Um movimento global contra o tabaco

O Reino Unido não está sozinho nessa abordagem. Outros países já começaram a adotar medidas semelhantes. A New Zealand aprovou, em 2022, uma legislação que proíbe a venda de tabaco para pessoas nascidas após 2008. Já as Maldives implementaram, em 2025, uma política equivalente para indivíduos nascidos a partir de 2007.

Nos United States, embora o número de fumantes esteja em queda — com menos de 10% dos adultos consumindo cigarros em 2024 —, o uso de produtos alternativos, como e-cigarettes, ainda é motivo de preocupação entre jovens. Desde 2019, a idade mínima para compra de tabaco no país é de 21 anos.

Uma geração sem cigarro?

A proposta britânica é ambiciosa e pode marcar uma mudança histórica na forma como governos lidam com o tabagismo. Ao invés de apenas restringir o consumo, a ideia é eliminá-lo gradualmente, começando pelas novas gerações.

Se a estratégia funcionar, o país poderá se tornar um dos primeiros do mundo a reduzir drasticamente o número de fumantes nas próximas décadas — não por proibição imediata, mas por um processo contínuo de substituição geracional.

O impacto real ainda levará anos para ser medido. Mas uma coisa já está clara: o futuro do cigarro, ao menos no Reino Unido, parece cada vez mais limitado.

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