Sempre fui fã de cadernos de anotações, mesmo com minha caligrafia ruim. A experiência de escrever manualmente tem um charme especial, e o ReMarkable Paper Pro consegue replicar essa sensação de forma impressionante. No entanto, seu preço elevado e algumas limitações levantam a questão: vale o investimento?
Design e recursos
O Paper Pro é uma evolução do ReMarkable 2, com tela maior (11,8 polegadas contra 10,3 polegadas), exibição em cores e iluminação embutida para leitura em ambientes escuros. A proposta é substituir tablets e smartphones, oferecendo uma experiência livre de distrações.
Apesar de ser um pouco mais espesso que seu antecessor (5,1 mm), ainda é leve e confortável para segurar, lembrando a sensação de manusear um livro ou revista. A maior novidade é a tela colorida, que facilita a leitura de quadrinhos e destaque de textos em PDFs, embora o desempenho ao escrever em cores deixe a desejar, com pequenas latências na exibição das tonalidades escolhidas.
Experiência de escrita e organização
O maior diferencial do Paper Pro é sua experiência de escrita. Utilizando diferentes estilos de caneta, como esferográfica e lapiseira, ele proporciona sensações distintas que se ajustam ao gosto do usuário. Durante um mês de testes, usei o dispositivo para reuniões, listas de tarefas e leitura de e-books armazenados no Google Drive.
A organização de anotações é intuitiva, permitindo realçar trechos, redimensionar texto e utilizar templates como listas de tarefas. A versão testada incluía a caneta Marker Plus, que possui uma borracha embutida, tornando as correções mais naturais.
A integração entre notas manuscritas e digitadas também é fluida, permitindo uma experiência híbrida que evita aquela bagunça típica de anotações confusas. Ao ler PDFs, é possível destacar passagens e fazer anotações nas margens, ideal para estudos e trabalho colaborativo.
Desempenho e funcionalidade
A escrita no Paper Pro é um prazer, com um estilo responsivo e confortável. No entanto, a conversão de texto manuscrito para digital varia conforme a caligrafia do usuário. Enquanto meu reconhecimento foi de apenas 50%, colegas com letra mais legível obtiveram até 90% de precisão.
O acesso remoto às notas é um ponto positivo, possibilitando edição e compartilhamento via app ReMarkable. Um recurso útil é a exportação de PDFs para aplicativos como Slack e Threads. No entanto, o armazenamento em nuvem exige uma assinatura de US$ 3 mensais ou US$ 30 anuais.
A transferência de arquivos para o Paper Pro ainda é complicada, exigindo upload pelo app ou site. Para quem tem uma grande biblioteca Kindle, encontrar e transferir os arquivos pode ser um incômodo. Seria ideal que ele suportasse aplicativos de leitura variados.
Como e-reader, o Paper Pro é mediano. A luz ajustável facilita a leitura tanto no escuro quanto sob luz direta. Porém, a lentidão no carregamento de páginas e na navegação entre documentos pode frustrar os usuários.
Vale a pena?
O Paper Pro custa a partir de US$ 530, com a caneta Marker Plus adicionando mais US$ 50. O teclado Type Folio eleva o custo total para cerca de US$ 800. Se o objetivo for um dispositivo para anotações e escrita sem distrações, ele atende bem. No entanto, sua falta de suporte a aplicativos de terceiros e a lentidão em tarefas simples podem afastar alguns compradores.
Para quem busca uma opção mais acessível, o ReMarkable 2 (US$ 330) pode ser uma alternativa viável, desde que você não se importe com a tela menor e ausência de cores. Já quem deseja um tablet multifuncional, um iPad Mini pode ser uma escolha mais flexível.
Apesar de suas limitações, o Paper Pro oferece uma experiência de escrita inigualável. Se você valoriza essa sensação e quer um dispositivo que incentive a escrita sem distrações, pode ser uma excelente escolha. No entanto, seu alto preço pode fazer com que muitas pessoas optem por alternativas mais completas e acessíveis.