Pular para o conteúdo
Tecnologia

Sam Altman diz que sociedade terá de aceitar alguns riscos da IA para aproveitar seus benefícios

CEO da OpenAI afirma que fraudes, ataques cibernéticos e outros problemas serão inevitáveis, mas estabelece uma linha vermelha: riscos catastróficos e perda de controle sobre sistemas avançados não são aceitáveis.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O avanço da inteligência artificial pode trazer consequências negativas, e tentar eliminar completamente esses riscos significaria abrir mão de parte dos benefícios da tecnologia. Essa é a visão defendida por Sam Altman, CEO da OpenAI, ao discutir até onde governos e empresas deveriam limitar sistemas cada vez mais poderosos.

Em uma entrevista ao boletim tecnológico Decoded, do Politico, Altman afirmou que a sociedade deveria estar disposta a aceitar alguns efeitos adversos em troca das oportunidades criadas pela IA e, principalmente, da possibilidade de as pessoas continuarem tendo autonomia para utilizar essas ferramentas.

Nem todos os riscos da inteligência artificial podem ser eliminados

Robôs Precisam Aprender A Conviver Com Humanos Sem Machucá Los
© Getty Images – Unsplash

A declaração de Altman parte de uma ideia relativamente simples: disponibilizar uma tecnologia poderosa para milhões de pessoas inevitavelmente permite usos positivos e negativos.

Fraudes, ataques cibernéticos e outras formas de uso indevido da inteligência artificial provavelmente continuarão acontecendo. Para Altman, porém, impedir completamente essas situações exigiria controles tão rígidos que poderiam limitar também aplicações benéficas.

O executivo acredita que as pessoas usarão a IA para realizar muito mais coisas positivas do que prejudiciais. Por isso, ele rejeita a ideia de restringir fortemente o acesso apenas para garantir que determinados abusos nunca ocorram.

A posição acompanha princípios publicados pela própria OpenAI em 2026. Em um texto sobre o futuro da tecnologia, a empresa afirmou que pretende distribuir amplamente o acesso à inteligência artificial, em vez de permitir que sistemas extremamente avançados fiquem concentrados nas mãos de poucas organizações. Os princípios da OpenAI sobre inteligência artificial

OpenAI e Anthropic divergem sobre como controlar sistemas avançados

Uma Plataforma De Inteligência Artificial Desenvolvida Pela Anthropic Está Revolucionando O Setor Financeiro Ao Automatizar Tarefas Antes Realizadas Por Analistas Iniciantes.
© Jaque Silva/NurPhoto via Getty Images

As declarações também expõem diferenças entre a OpenAI e a Anthropic, empresa responsável pelo Claude e uma das principais concorrentes da companhia de Altman.

Segundo o CEO da OpenAI, existe uma distância importante entre as duas organizações quando o assunto é regulamentação.

Altman disse compreender a visão de quem acredita que uma tecnologia extremamente poderosa e potencialmente perigosa deveria permanecer sob controle rigoroso de um pequeno número de laboratórios. Ele, porém, considera problemática a possibilidade de uma única empresa decidir como a tecnologia será utilizada e como seus benefícios serão distribuídos.

A discussão não significa que a OpenAI rejeite medidas de segurança. A empresa afirma que sistemas avançados precisam permanecer alinhados às intenções humanas, sujeitos a supervisão e desenvolvidos com mecanismos capazes de reduzir riscos graves.

Em junho, Altman e Jakub Pachocki, cientista-chefe da empresa, defenderam que a IA deve ampliar a capacidade humana sem substituir decisões fundamentais das pessoas. O texto também reconhece que tecnologias poderosas precisam de estruturas de segurança semelhantes às criadas historicamente para automóveis e outras inovações de grande impacto. Plano da OpenAI para que a IA beneficie a sociedade

Existe uma linha que Altman não aceita cruzar

Aceitar determinados problemas não significa, segundo Altman, aceitar qualquer nível de risco.

O executivo diferencia fraudes, ataques cibernéticos e outros usos criminosos de cenários capazes de provocar consequências catastróficas ou fazer com que seres humanos percam o controle sobre sistemas avançados de inteligência artificial.

Esse segundo grupo representa uma linha vermelha.

Altman afirmou recentemente que a questão do alinhamento — fazer com que sistemas extremamente avançados continuem seguindo objetivos e valores humanos — ainda não está resolvida. Ele também disse não acreditar que algum laboratório tenha solucionado completamente esse problema.

Assim, a discussão não é simplesmente entre desenvolver ou interromper a inteligência artificial. O verdadeiro debate está em determinar quanto risco uma sociedade está disposta a aceitar para manter uma tecnologia poderosa amplamente disponível.

Para Altman, tentar chegar ao risco zero pode significar concentrar excessivamente o controle da IA. Ao mesmo tempo, permitir seu avanço sem limites também não é uma opção quando existe a possibilidade de consequências catastróficas.

Encontrar o ponto entre essas duas posições provavelmente será uma das questões mais importantes conforme os sistemas de inteligência artificial se tornarem ainda mais capazes.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados