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Sci-Fi Instigante com Robert Pattinson Divide Opiniões e Mexe com a Realidade

A nova aposta da ficção científica traz uma história inovadora e atuações brilhantes, mas surpreende ao esbarrar em paralelos desconfortáveis com o mundo real. O resultado é um filme que encanta e inquieta, gerando reflexões que vão muito além da tela.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Explorando a Imortalidade Através da Clonagem

Dirigido pelo premiado Bong Joon-ho, Mickey 17 se passa em um futuro próximo, onde avanços na clonagem permitem a criação de cópias perfeitas de seres humanos, preservando até mesmo suas memórias recentes. Essa tecnologia, embora banida na Terra por questões éticas e religiosas, é utilizada em missões espaciais.

Nesse contexto, Mickey (Robert Pattinson) aceita o trabalho de “descartável” — alguém cuja função é realizar tarefas perigosas e, se morrer, ser substituído por uma nova versão de si mesmo.

A narrativa apresenta uma construção de mundo impressionante, respondendo a questões como “Como isso funciona?” e “Que implicações sociais teria?”. Cada revelação sobre os processos de clonagem e suas repercussões é feita com humor e criatividade, evidenciando a paixão de Bong pela ficção científica.

Entre a Aventura e a Crítica Social

Mickey 17 se destaca em seus momentos de aventura e exploração psicológica, acompanhando Mickey em repetidas mortes e renascimentos. O protagonista se aproxima de Berto (Steven Yeun), um amigo oportunista, e de Nasha (Naomi Ackie), uma soldada por quem desenvolve um romance.

Porém, à medida que a trama avança, surge um elemento político que rouba parte da leveza inicial. O líder da missão, Senador Marshall (Mark Ruffalo), é um ex-político derrotado em eleições na Terra que, junto com sua esposa Gwen (Toni Collette), tenta fundar uma nova sociedade em outro planeta. Sua característica aparência e atitudes arrogantes remetem diretamente a figuras polêmicas da política mundial, o que pode causar desconforto para alguns espectadores.

Essa mudança de tom afeta o equilíbrio do filme. A narrativa, que começa como uma reflexão existencial e satírica sobre a imortalidade, torna-se cada vez mais previsível e carregada de críticas sociopolíticas evidentes.

Atuações Brilhantes em Meio à Oscilação

Apesar dessas oscilações, o elenco entrega atuações memoráveis. Robert Pattinson brilha ao interpretar múltiplas versões de Mickey, transmitindo as nuances emocionais do personagem mesmo diante da repetição de suas mortes.

Ruffalo diverte como o excêntrico Marshall, embora, em alguns momentos, seu desempenho roce na caricatura. Collette se destaca com sua presença exuberante, enquanto Yeun e Ackie garantem naturalidade e carisma, conferindo humanidade à história.

Entre Criaturas Alienígenas e Críticas Contemporâneas

Nos momentos finais, o filme toma outro rumo. O contato com criaturas chamadas “Creepers” traz frescor e revigora a narrativa, explorando novos desdobramentos da convivência humana com formas de vida alienígena.

Porém, a força desse desfecho não compensa totalmente o desgaste da trama central. As críticas políticas, ainda que pertinentes, acabam sobrepondo o potencial da história de ficção científica.

Um Filme Que Cresce Com o Tempo

Mickey 17 é, sem dúvida, uma experiência instigante. No entanto, assistir ao filme em um momento político global conturbado pode torná-lo menos escapista e mais desconfortável do que pretendia ser.

Provavelmente, com o distanciamento do atual contexto, suas qualidades se destacarão mais, revelando um equilíbrio mais claro entre humor, existencialismo e crítica social.

Por ora, é um filme que vale a pena ser visto pela atuação impecável de Pattinson e pela mente criativa de Bong Joon-ho. Mesmo que sua fusão de tons não seja perfeita, o longa se firma como uma peça singular do cinema sci-fi contemporâneo.

 

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