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Ciência

Se o mundo entrasse em colapso, alguns lugares teriam uma vantagem importante

Uma revisão científica analisou quais regiões poderiam resistir melhor a guerras, pandemias, erupções e colapsos tecnológicos. Um país chamou atenção por reunir várias vantagens.
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Tempo de leitura: 4 minutos

E se uma catástrofe atingisse simultaneamente boa parte do planeta? Não estamos falando apenas de guerras ou pandemias, mas também de grandes erupções vulcânicas, impactos de asteroides, tempestades geomagnéticas e ataques capazes de derrubar infraestruturas essenciais. Uma nova revisão científica tentou descobrir quais sociedades teriam melhores condições de continuar funcionando em um cenário desse tipo. E os resultados apontam para um lugar que talvez você não esperasse.

O que aconteceria se o mundo parasse de funcionar?

A pergunta parece saída de um filme, mas os pesquisadores trataram o problema de maneira bastante concreta: quais regiões teriam maior capacidade de resistir a uma catástrofe global e continuar funcionando por meses ou até anos?

O estudo, publicado na revista Global Challenges, revisou trabalhos anteriores sobre diferentes tipos de riscos catastróficos globais, incluindo guerra nuclear, impactos de objetos próximos da Terra, grandes erupções vulcânicas, pandemias, ataques cibernéticos, tempestades geomagnéticas e pulsos eletromagnéticos.

Os cenários foram divididos em grandes grupos. Alguns poderiam bloquear temporariamente parte da luz solar e provocar mudanças drásticas no clima e na produção de alimentos. Outros poderiam destruir ou interromper sistemas essenciais, como eletricidade, transporte e comunicações. Há ainda os riscos biológicos, capazes de sobrecarregar simultaneamente sistemas de saúde e cadeias de abastecimento.

A ideia não era encontrar um esconderijo perfeito onde uma pessoa pudesse simplesmente esperar a crise passar.

O que os pesquisadores procuraram foram sociedades com características capazes de aumentar a resiliência coletiva: produção suficiente de alimentos, capacidade industrial, instituições funcionais, infraestrutura descentralizada e menor vulnerabilidade às interrupções do comércio internacional.

E, quando todos esses fatores foram considerados em conjunto, um país apareceu com frequência particularmente alta na literatura analisada.

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© Magnific

O isolamento pode ser uma vantagem — mas não é suficiente

O país que mais se destacou foi a Austrália.

Segundo os autores, sua posição geográfica, no Hemisfério Sul e distante de vários possíveis focos de conflitos, é uma das características que podem favorecer sua resiliência em determinados cenários. O fato de ser uma enorme ilha também oferece maior possibilidade de controle de fronteiras durante algumas ameaças.

Mas a distância não explica tudo.

A Austrália possui uma produção agrícola significativa, recursos energéticos, mineração e uma base industrial capaz de fabricar diversos produtos internamente. Essas características podem se tornar especialmente importantes caso uma crise global interrompa cadeias de abastecimento.

Outro fator apontado pelos pesquisadores é a capacidade institucional. Governança de qualidade, menor desigualdade, coesão social e estruturas descentralizadas aparecem repetidamente como elementos associados à resiliência.

Esse último ponto é particularmente interessante. Uma sociedade que depende de poucos centros de produção, energia ou distribuição pode sofrer consequências maiores quando um desses pontos falha. Sistemas mais distribuídos tendem a evitar que um único problema provoque um colapso em cadeia.

A revisão também encontrou Nova Zelândia em diversos cenários, enquanto países como Suíça, Japão e Argentina aparecem em diferentes partes da literatura analisada. Isso não significa que esses países estejam protegidos de uma catástrofe, mas que determinadas características podem oferecer vantagens em situações específicas.

E existe uma ressalva fundamental: até mesmo o país que reúne mais desses fatores continua extremamente conectado ao restante do mundo.

Não existe um verdadeiro refúgio contra todas as catástrofes

A Austrália pode apresentar características favoráveis em uma variedade particularmente ampla de cenários, mas também possui vulnerabilidades. Mesmo uma economia grande e relativamente autossuficiente depende do comércio internacional para determinados combustíveis, medicamentos, fertilizantes e produtos industriais. Uma interrupção prolongada dessas conexões teria consequências importantes.

Além disso, cada catástrofe apresenta um conjunto diferente de problemas.

Um território pode ser relativamente favorecido durante um inverno nuclear e, ao mesmo tempo, estar exposto a outros riscos. O isolamento pode ajudar durante uma pandemia, mas também pode se transformar em desvantagem quando uma economia precisa importar determinados produtos. E grandes ilhas podem ter problemas específicos relacionados a tsunamis, aumento do nível do mar ou outros fenômenos naturais.

Por isso, os pesquisadores destacam quatro características que aparecem repetidamente entre os diferentes riscos: isolamento geográfico, produção própria de alimentos, boa governança e descentralização.

A mensagem, portanto, é menos sobre escolher um país para fugir e mais sobre entender o que torna uma sociedade capaz de resistir a choques extremos.

No fim das contas, não existe um ponto do planeta completamente seguro. A verdadeira proteção pode estar menos na distância de uma catástrofe e mais na capacidade de uma sociedade continuar produzindo alimentos, energia, serviços essenciais e cooperação quando os sistemas que parecem garantidos deixam de funcionar.

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