Todos os anos, milhares de objetos passam relativamente próximos da Terra sem que ninguém perceba. Mas alguns poucos são grandes demais para serem ignorados. Em 2026, um grupo específico de asteroides volta a atrair a atenção de astrônomos e sistemas de defesa planetária. Eles não representam ameaça imediata, mas suas dimensões, velocidade e trajetórias explicam por que permanecem sob observação constante.
O que significa um asteroide “potencialmente perigoso”

A classificação de “potencialmente perigoso” não indica impacto iminente. Ela é usada para objetos que combinam dois fatores: tamanho significativo e órbitas que se aproximam relativamente da Terra. Em termos astronômicos, “relativamente” pode significar milhões de quilômetros — ainda assim, perto o suficiente para justificar atenção.
A NASA mantém um monitoramento contínuo desses corpos por meio do Center for Near-Earth Object Studies (CNEOS). A maioria passará a distâncias seguras, mas cada aproximação fornece dados valiosos sobre composição, dinâmica orbital e possíveis riscos futuros.
Em 2026, seis desses objetos se destacam não apenas pela classificação, mas pelo porte e pelo contexto raro de suas passagens.
Uma montanha voadora cruza a vizinhança da Terra
O maior destaque do ano é o asteroide 152637 (1997 NC1). Com até 1,6 quilômetro de diâmetro, ele se aproxima da escala de uma montanha espacial. Sua passagem máxima ocorre em 27 de junho de 2026, a cerca de 6,7 distâncias lunares da Terra — algo em torno de 2,5 milhões de quilômetros.
Apesar de seguro, o evento é incomum. Objetos desse porte só costumam se aproximar com essa frequência uma vez por década. Por isso, ele se torna um alvo prioritário para observações detalhadas, mesmo sem risco real de colisão.
Fevereiro e o asteroide difícil de enxergar
No início do ano, um visitante mais discreto chama atenção por outro motivo. O asteroide 2026 BX4 atinge sua maior aproximação em 16 de fevereiro, coincidindo com o período de Carnaval. Com até 390 metros de diâmetro, ele é menor que os gigantes quilométricos, mas ainda assim impressionante.
O diferencial está em sua órbita. Ele pertence à rara classe Atira, composta por objetos que permanecem sempre dentro da órbita da Terra, quase escondidos pelo brilho do Sol. Isso torna sua detecção e acompanhamento muito mais complexos. Depois dessa passagem, ele só voltará a se aproximar de forma semelhante em 2066.
Agosto concentrará os olhares dos astrônomos
O mês de agosto será particularmente movimentado. Em apenas dois dias consecutivos, dois grandes asteroides passam pela vizinhança terrestre. O primeiro é o 173561 (2000 YV137), com até 1,3 quilômetro de diâmetro, que se aproxima em 9 de agosto, a cerca de 13 distâncias lunares.
Apesar de mais distante, seu tamanho o mantém sob vigilância especial. A última visita semelhante ocorreu em 1972, quando missões do programa Apollo ainda estavam em andamento. Já no dia seguinte, 10 de agosto, é a vez do 2019 NY2, menor — cerca de 340 metros —, mas relativamente mais próximo, a 6,5 distâncias lunares.
Essa combinação de proximidade e porte faz do 2019 NY2 um dos objetos mais acompanhados do segundo semestre.
Um visitante rápido e quase invisível
Entre o fim de junho e o início de julho, outro asteroide chama atenção pela velocidade. O 523808 (2007 ML24) passa em 4 de julho, deslocando-se a mais de 60 mil km/h. Com até 800 metros de diâmetro, ele pertence à classe Aten, que passa boa parte do tempo entre a Terra e o Sol.
Essa característica faz com que muitos desses objetos sejam detectados apenas quando já estão relativamente próximos. No caso do 2007 ML24, a aproximação ocorre a cerca de 9 distâncias lunares, encerrando uma sequência intensa de passagens em poucas semanas.
Um asteroide empurrado pela luz do Sol
Fechando a lista, o 162882 (2001 FD58) se aproxima em 14 de fevereiro. Ele passa a quase 17 distâncias lunares — a maior margem entre os seis —, mas entra no radar por atingir cerca de 1 quilômetro de diâmetro.
Além do tamanho, esse asteroide é especial por apresentar medições claras do chamado efeito Yarkovsky, um fenômeno em que a luz solar, ao aquecer e resfriar a superfície do corpo, gera uma força minúscula capaz de alterar lentamente sua trajetória ao longo de décadas e séculos. Para a ciência, ele funciona como um laboratório natural em movimento.
Vigilância constante, risco controlado
Nenhum desses seis objetos representa perigo imediato. Ainda assim, todos ajudam a responder uma pergunta essencial: quão preparados estamos para lidar com ameaças reais vindas do espaço? Cada aproximação refina cálculos, melhora modelos e fortalece sistemas de alerta.
Em 2026, o céu estará tranquilo — mas longe de vazio.
[Fonte: Olhar digital]