O que vai rolar no voo 10
O lançamento está previsto para domingo, 24 de agosto, a partir das 20h30 (horário de Brasília). Essa será a décima tentativa de teste do Starship e, para a SpaceX, é um ponto de virada: o objetivo é provar que o foguete pode, enfim, completar parte dos objetivos planejados — algo que ainda não aconteceu nos voos anteriores.
O teste será transmitido ao vivo no site oficial da SpaceX e no perfil da empresa no X (antigo Twitter). A missão vai simular o envio de 10 satélites Starlink de teste, que seguem o mesmo peso e dimensões da próxima geração da constelação. Mas, atenção: eles não ficarão em órbita. Em vez disso, serão enviados por uma trajetória suborbital e destruídos na reentrada, parte do plano de validação de sistemas.
Alterações no foguete para evitar novos desastres
Para este voo, a SpaceX implementou mudanças pesadas no Starship e nos procedimentos operacionais. Entre as novidades, o booster Super Heavy vai testar um pouso no Golfo do México em vez de tentar o retorno à base de lançamento. Durante a descida, um dos três motores será desligado de propósito para avaliar se o sistema de backup consegue assumir o controle com segurança.
Já no estágio superior, a empresa removeu alguns azulejos do escudo térmico de áreas estratégicas para “stress-testar” pontos vulneráveis durante a reentrada. Essa decisão veio depois da análise dos dados do sexto voo, quando regiões críticas apresentaram sobreaquecimento.
Entenda o histórico de falhas do Starship
O Starship tem enfrentado um caminho turbulento em 2025. O sétimo voo, realizado em janeiro, terminou com a explosão do estágio superior pouco mais de oito minutos após o lançamento. No oitavo teste, em março, seis dos nove motores Raptor falharam durante a subida, causando mais uma perda total.
O cenário não melhorou em maio, no nono voo: o foguete até atingiu a velocidade planejada, mas um vazamento de propelente levou à perda de controle, e a nave acabou se desintegrando na reentrada. Para piorar, em junho, um protótipo do Starship explodiu durante testes na base da SpaceX no Texas, adiando os planos para o décimo voo.
Como a SpaceX quer evitar mais um fracasso
Depois de uma investigação detalhada, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) liberou a SpaceX para realizar o voo 10. Segundo a empresa, o problema anterior envolveu mistura de metano e oxigênio líquido, o que gerou uma ignição descontrolada. Para evitar repetição, a SpaceX redesenhou parte do sistema e alterou o ângulo de descida do booster, reduzindo as forças aerodinâmicas.
Outro ponto crítico foi a explosão de um COPV — um reservatório de nitrogênio no compartimento de carga — durante os testes de junho. Agora, esses tanques vão operar com pressão reduzida e passar por inspeções extras antes do carregamento dos propelentes.
O voo mais importante até agora
O voo 10 é visto internamente como um divisor de águas para o futuro do Starship. A SpaceX aposta que, com essas alterações, o foguete finalmente consiga completar etapas-chave da missão, quebrando uma sequência de falhas que vem deixando investidores e fãs desconfiados.
Se a empresa conseguir provar que o Starship é confiável, Elon Musk pode retomar os planos ousados de levar humanos à Lua e a Marte. Caso contrário, a missão de colonizar outros planetas pode sofrer mais um duro revés.