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Tecnologia

Startup brasileira que usa IA para restaurar florestas vence o Prêmio Earthshot — e coloca o Brasil no centro da agenda climática global

Combinando inteligência artificial, dados de satélite e trabalho comunitário, a re.green levou a categoria Proteger e Restaurar a Natureza do prêmio criado pelo príncipe William. A iniciativa reforça o papel do Brasil na liderança ambiental antes da COP30.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A startup brasileira re.green conquistou destaque internacional ao vencer o Prêmio Earthshot, uma das iniciativas ambientais mais prestigiadas do mundo, criada pelo príncipe William para incentivar soluções inovadoras na luta contra as mudanças climáticas. A empresa foi premiada na categoria Proteger e Restaurar a Natureza graças a um projeto que utiliza inteligência artificial e tecnologia de monitoramento por satélite para restaurar florestas, gerar empregos e fortalecer comunidades locais.

A cerimônia deste ano aconteceu no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — marcando a primeira edição do prêmio sediada na América Latina. O evento reuniu pesquisadores, ativistas, empreendedores e investidores do mundo inteiro, reforçando o papel do Brasil como protagonista nas discussões ambientais globais às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, em 2025.

Um prêmio que movimenta soluções climáticas no mundo todo

O Earthshot Prize é dividido em cinco categorias:

  • Proteger e Restaurar a Natureza

  • Purificar o Ar

  • Revitalizar Nossos Oceanos

  • Construir um Mundo Sem Resíduos

  • Combater a Crise Climática

Cada categoria premia um vencedor entre três finalistas, que recebe £1 milhão (cerca de R$ 7,3 milhões) para ampliar a solução apresentada. A re.green disputou o prêmio com outras iniciativas internacionais — incluindo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), projeto brasileiro proposto pelo governo federal como uma estratégia de financiamento permanente para conservar florestas tropicais no mundo todo.

A presença de duas propostas brasileiras na mesma categoria mostra a força do país quando o assunto é preservação e restauração ecológica — especialmente pela dimensão da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica, biomas que concentram biodiversidade única e também grandes pressões ambientais.

Como funciona o projeto da re.green

A proposta da re.green combina tecnologia de ponta e conhecimento ecológico tradicional. A startup utiliza:

  • Inteligência Artificial

  • Drones

  • Imagens de satélite

  • Dados financeiros e ambientais

Essas ferramentas ajudam a identificar áreas prioritárias para restauração e a planejar, para cada região, a recomposição da vegetação nativa de maneira eficiente e sustentável. A empresa trabalha em parceria com 22 viveiros, capazes de produzir cerca de 3 milhões de mudas por ano de espécies nativas de diferentes biomas.

Até agora, já foram plantadas mais de 6 milhões de mudas, com a meta de chegar a 65 milhões até 2032.

Tecnologia, conservação e impacto social juntos

Além de restaurar ecossistemas, a startup mantém monitoramento de longo prazo das áreas recuperadas, garantindo que a floresta continue se desenvolvendo depois do plantio. Um dos pilares do projeto é o envolvimento das comunidades locais, que participam do processo de manejo florestal e recebem formação técnica para desenvolver atividades sustentáveis.

Até o momento, a iniciativa:

  • Criou mais de 230 empregos diretos

  • Capacitou cerca de 300 pessoas

  • Atraiu investimentos de empresas globais, como Nestlé, Microsoft, Agro Penido e BNDES

Essa abordagem integra conservação ambiental com desenvolvimento econômico, reforçando que restaurar florestas também pode significar gerar renda e qualidade de vida.

Brasil no centro da discussão climática

A vitória da re.green ocorre em um momento estratégico. Com a aproximação da COP30, cresce a pressão internacional para que países tropicais liderem a ação climática. O prêmio ajuda a consolidar uma imagem do Brasil não apenas como dono de grandes florestas — mas como lugar de inovação ambiental.

Em um cenário global que busca soluções urgentes, tecnologias brasileiras começam a ganhar espaço — e voz.

A floresta, aqui, não é só paisagem: é futuro.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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