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Tecnologia

Tempestades solares estão derrubando satélites de Elon Musk — e isso pode ser um problema maior do que parece

Com a órbita da Terra cada vez mais lotada, novas pesquisas revelam que a atividade solar intensa está encurtando a vida útil dos satélites Starlink, forçando sua reentrada precoce na atmosfera. Isso pode aumentar os riscos de colisões no espaço e até de destroços atingirem o solo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

À medida que a quantidade de satélites em órbita cresce rapidamente, impulsionada por megaconstelações privadas como a Starlink da SpaceX, cientistas alertam para um fator inesperado: o Sol. Um novo estudo sugere que as tempestades solares estão acelerando a queda desses satélites, o que não só compromete suas funções, como também pode aumentar os riscos para a Terra. Entenda como o clima espacial está afetando diretamente o nosso céu — e por que isso deve nos preocupar.

 

Sol em alta atividade, satélites em queda

Um estudo liderado pelo pesquisador Denny Oliveira, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, analisou a trajetória de reentrada de satélites Starlink entre 2020 e 2024 — justamente o período de ascensão do atual ciclo solar, que atingiu seu máximo em outubro de 2024.

Durante esses cinco anos, 523 satélites Starlink voltaram à atmosfera terrestre. A equipe observou que a atividade geomagnética, causada por explosões solares que aquecem e expandem as camadas superiores da atmosfera, está reduzindo em até 12 dias a vida útil desses satélites, que normalmente orbitariam por cerca de cinco anos.

 

Mais calor, mais atrito, mais quedas

Quando a atmosfera se expande por causa do calor solar, os satélites enfrentam mais arrasto — ou seja, uma resistência maior ao seu movimento orbital. Esse aumento de atrito faz com que eles percam altitude mais rápido e entrem novamente na atmosfera antes do previsto.

Esse processo não apenas antecipa a queda dos satélites, como também complica os planos da SpaceX de controlar essas reentradas. Segundo Oliveira, com prazos mais curtos, pode ser inviável garantir que os satélites voltem à Terra de forma segura e totalmente queimada.

 

Mais velocidade, mais risco de destroços

Curiosamente, o estudo aponta que o aumento da velocidade de reentrada — causado pelo maior arrasto — pode, ao contrário do esperado, fazer com que partes dos satélites sobrevivam à queima na atmosfera. Normalmente, velocidades mais altas favorecem a desintegração completa. Mas, segundo Oliveira, é possível que a interação com a atmosfera seja reduzida nesses casos, aumentando a chance de fragmentos chegarem ao solo.

Ainda não há dados suficientes para confirmar essa hipótese, mas o alerta é relevante: em 2024, um pedaço de 2,5 kg de um satélite Starlink caiu numa fazenda no Canadá. A própria SpaceX reconheceu que fragmentos podem retornar à Terra, mas afirma que não há risco para pessoas em solo, no mar ou no ar.

 

A órbita está ficando cada vez mais cheia

Hoje, há mais de 7.500 satélites Starlink em órbita. E a SpaceX pretende chegar a 42.000 nos próximos anos. Isso sem contar os milhares de satélites de outras empresas e governos. “É a primeira vez na história que temos tantos satélites no espaço ao mesmo tempo”, disse Oliveira. “Hoje, já temos reentradas semanais. Em breve, serão diárias.”

Essa frequência crescente torna ainda mais urgente entender como as tempestades solares afetam os satélites — desde sua durabilidade até o comportamento na reentrada. Um cálculo mal feito pode levar a colisões em órbita ou à queda inesperada de destroços.

 

O espaço ao redor da Terra está mudando — e rápido. A revolução dos satélites promete conectar o mundo como nunca antes, mas também traz novos riscos. Com o Sol entrando em ciclos de atividade mais intensa, o clima espacial passou a ser um fator-chave na equação orbital. A segurança da nossa infraestrutura espacial, e talvez até aqui embaixo, dependerá de quanto conseguimos prever e mitigar os efeitos de uma estrela que ainda dita o ritmo da vida — e agora, também da tecnologia.

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