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Ciência

Terra em crise: sete dos nove limites planetários já foram ultrapassados

O planeta está em estado crítico: segundo o relatório Planetary Health Check 2025, sete dos nove limites que garantem a estabilidade da Terra já foram rompidos. Biodiversidade, clima, oceanos e uso do solo estão em alerta máximo. Mas também há sinais de esperança em áreas-chave.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Se a Terra fosse um paciente em um hospital, estaria hoje internada em uma UTI. Essa é a metáfora usada pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK) em seu novo relatório sobre a saúde do planeta. O estudo, fruto de uma colaboração científica internacional, avalia os chamados limites planetários, indicadores que definem até onde podemos explorar os recursos sem comprometer o equilíbrio da vida.

O que são os limites planetários

Planeta Tierra
© Unsplash

O conceito foi criado em 2009 e define nove áreas críticas, como clima, biodiversidade e recursos hídricos. Quando um limite é ultrapassado, aumenta o risco de colapso dos sistemas naturais que sustentam a vida humana.

Em 2009, já haviam sido rompidos três limites. Em 2015, quatro. Em 2023, seis. Agora, em 2025, sete dos nove limites estão além da zona segura.

Biosfera em alerta vermelho

A biosfera — que inclui todos os ecossistemas do planeta — é uma das áreas mais críticas. A perda acelerada de biodiversidade e de habitats naturais está muito além da margem de segurança. A extinção de espécies e a degradação de ecossistemas não mostram sinais de reversão.

Excesso de nitrogênio e fósforo

A agricultura intensiva e os fertilizantes químicos dobraram a quantidade de nitrogênio disponível no ambiente em apenas um século. O excesso polui solos, rios e mares, favorecendo proliferação de algas, falta de oxigênio e morte de espécies. O fósforo, usado de forma semelhante, agrava o desequilíbrio. O limite já foi amplamente ultrapassado.

Substâncias químicas e poluição invisível

Hoje, a humanidade produz quase 350 mil substâncias químicas que se acumulam no planeta, muitas sem estudos adequados. Microplásticos, pesticidas e compostos como PFAS já foram detectados em água potável, peixes e até espumas do mar. Segundo os pesquisadores, basta uma dessas substâncias para criar um problema global.

Clima em zona de alto risco

As emissões de gases de efeito estufa continuam em níveis recordes, muito acima do período pré-industrial. O aquecimento global acelera, e o chamado forçamento radiativo — medida do calor extra retido na atmosfera — já ultrapassou a zona de alto risco. O principal fator segue sendo o CO₂ liberado por atividades humanas.

Água doce sob pressão

A exploração da água e da umidade do solo pela agricultura, indústria e consumo doméstico, somada ao impacto do clima, está alterando os ciclos hídricos. Em mais de 20% da superfície terrestre já se observam secas, enchentes e mudanças na umidade em níveis preocupantes.

Uso do solo além da capacidade

O desmatamento, a expansão agrícola e a urbanização reduziram a cobertura florestal mundial para menos de 60%, quando o mínimo seguro seria 75%. Se cair abaixo de 54%, entramos em zona de alto risco. Apesar da desaceleração do desmatamento, o planeta ainda perde florestas em ritmo preocupante.

Oceanos mais ácidos

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© Pexels

Os oceanos absorvem um quarto do CO₂ emitido pela humanidade. No mar, esse gás se transforma em ácido carbônico, reduzindo o pH da água e dificultando a vida de corais e moluscos. A acidificação, combinada ao aquecimento dos mares e ao excesso de nutrientes, já cria zonas mortas sem oxigênio em várias regiões costeiras.

Dois limites ainda dentro da segurança

Há, no entanto, sinais positivos. A poluição atmosférica segue em queda, e a camada de ozônio está em recuperação graças à proibição dos CFCs pelo Protocolo de Montreal. O caso mostra que políticas globais podem reverter danos ambientais.

Os cientistas destacam que proteger florestas tropicais, por exemplo, gera ganhos múltiplos: ajuda o clima, conserva a biodiversidade e protege os recursos hídricos.


O relatório Planetary Health Check 2025 alerta: sete dos nove limites planetários já foram ultrapassados, colocando a Terra em estado crítico. Biodiversidade, clima e oceanos estão em alerta vermelho. Mas a recuperação da camada de ozônio mostra que, com ação global, ainda é possível reverter parte dos danos.

 

[ Fonte: DW ]

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