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Ciência

Tesouro congelado: artefato milenar é revelado com o derretimento dos glaciares

O derretimento do gelo nas montanhas da Noruega revelou um esquí de madeira com mais de 1.300 anos, surpreendentemente bem preservado. A descoberta é um testemunho impressionante de como o aquecimento global, apesar de preocupante, tem trazido à luz segredos ocultos por séculos.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Enquanto os efeitos do aquecimento global preocupam cientistas e ambientalistas, em meio ao retrocesso dos glaciares surgem revelações inesperadas. Um desses casos aconteceu nas montanhas centrais da Noruega, onde arqueólogos encontraram um esquí da Idade do Ferro enterrado há mais de mil anos — um artefato que lança nova luz sobre a vida em regiões montanhosas no passado remoto.

Um achado único preservado pelo gelo

O derretimento do gelo nas montanhas da Noruega revelou um esquí de madeira com mais de 1.300 anos.
© Unsplash

A peça, feita em madeira de bétula, foi descoberta na região de Digervarden, acima da linha natural de crescimento das árvores. Ela foi localizada a poucos metros de outro esquí, encontrado sete anos antes, feito de madeira de pinho. Ambos foram datados por radiocarbono e pertencem ao mesmo período histórico, sugerindo que formavam um par, apesar de serem construídos com materiais diferentes.

Segundo Lars Holger Pilø, arqueólogo e codiretor do projeto Secrets of the Ice, trata-se do par de esquís pré-históricos mais bem conservado já registrado. Seu estado de preservação é tão notável que permitirá a criação de réplicas funcionais, oferecendo uma visão prática sobre a mobilidade nas regiões montanhosas durante o primeiro milênio.

Mobilidade em tempos congelantes

O local da descoberta não deixa dúvidas: já na Idade do Ferro, humanos enfrentavam o clima rigoroso das montanhas para caçar e explorar. Durante o chamado período da Pequena Idade do Gelo Tardia, entre os anos 535 e 660, o cultivo agrícola nas altitudes se tornou inviável. Em resposta, as comunidades locais intensificaram a caça de renas, como demonstram os inúmeros vestígios arqueológicos da região, incluindo pontas de flecha.

O uso de esquís em locais tão inóspitos reforça a ideia de que os antigos moradores adaptavam suas técnicas de sobrevivência ao ambiente gelado. A peça encontrada é uma prova concreta da engenhosidade desses povos para atravessar terrenos difíceis e hostis.

Como a ciência encontra relíquias congeladas

Arqueólogos que estudam regiões geladas concentram seus esforços em placas de gelo estacionárias — mais seguras para a preservação de artefatos do que os glaciares em constante movimento. Combinando imagens de satélite, drones e relatos de excursionistas, eles conseguem identificar pontos estratégicos para futuras explorações.

No caso do esquí norueguês, não foi suficiente esperar o derretimento natural do gelo. A peça estava parcialmente presa e precisou ser cuidadosamente extraída com ferramentas manuais, o que garantiu sua integridade. Pilø destacou que, apesar de o recuo do gelo ser causado pelas mudanças climáticas, esse processo tem contribuído, ainda que de forma involuntária, para avanços científicos significativos.

Entre o passado e o presente

O achado vai muito além da curiosidade arqueológica: ele conecta o presente às histórias congeladas do passado, lembrando que o planeta carrega registros valiosos sob suas camadas de gelo. Enquanto o mundo enfrenta os impactos do aquecimento global, descobertas como essa revelam como antigas civilizações se adaptavam e sobreviviam em ambientes extremos — e nos mostram que, mesmo em meio às transformações climáticas, há espaço para aprender com o passado.

 

Fonte: Canal26

 

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