Desde sua estreia, The Handmaid’s Tale provoca uma pergunta inevitável: como surgiu uma sociedade tão cruel como Gilead? Ao longo de seis temporadas, a série do Hulu revelou fragmentos do passado de seus personagens, sugerindo que o surgimento desse regime não está tão distante da realidade atual. E, recentemente, uma das personagens mais intrigantes voltou a ganhar foco: Serena Joy Waterford.
Serena Joy: muito além da vilã tradicional
Interpretada magistralmente por Yvonne Strahovski, Serena Joy não é apenas a esposa do Comandante Waterford — ela também foi uma das mentes por trás da ideologia opressora de Gilead. Autora e palestrante influente antes da queda dos Estados Unidos, ela abandonou sua carreira para assumir o papel de esposa obediente… por um tempo.
Seu desejo de ser mãe guiou algumas das decisões mais cruéis da série. No entanto, ao longo da trama, Serena mostrou sinais de arrependimento e complexidade emocional, revelando que talvez não seja uma seguidora tão cega quanto parecia no início.
Episódio “Exílio”: revelações do passado
No segundo episódio da nova temporada, intitulado “Exílio”, conhecemos o pai de Serena pela primeira vez — um pastor. Sua mãe já havia aparecido na terceira temporada, deixando uma impressão negativa. Agora, com flashbacks que mostram momentos da juventude de Serena, entendemos melhor sua decisão de voltar para Gilead, especialmente para New Bethlehem, uma região mais reformista, onde acredita poder encontrar redenção.
A escolha de retornar ao lugar onde tudo começou está carregada de culpa e fé, dois temas centrais em sua trajetória. Serena enxerga essa jornada como uma chance de recomeço, talvez até como uma missão divina.
As motivações de Serena sob nova luz
Para o criador da série, Bruce Miller, explorar a relação de Serena com seu pai é fundamental para entender sua complexidade. Em entrevista ao site The Wrap, ele destacou: “É interessante porque não se trata de uma relação que ela escolheu, como foi com Fred. Com o pai, é diferente. A pergunta passa a ser: como ela se tornou essa mulher?”.
Segundo Miller, a sexta temporada trará novas peças desse quebra-cabeça. A força de Serena, suas contradições e sua fé serão examinadas com mais profundidade. “Ela tem muitas relações na vida, mas tudo se torna mais fascinante quando vemos sua resiliência”, completou.
Uma personagem em eterna transformação
Serena nunca foi uma personagem estática. Desde o início da série, sua jornada é marcada por conflitos internos, dilemas morais e mudanças de perspectiva. A nova temporada promete explorar ainda mais essas tensões, mostrando que Serena pode ser, ao mesmo tempo, vítima e algoz — e que a linha entre essas duas posições nem sempre é clara em Gilead.