As relações entre os Estados Unidos e o Canadá estão passando por um momento delicado. O que antes era uma travessia de fronteira comum, agora se tornou motivo de sérias recomendações por parte de instituições canadenses. O governo e diversas organizações estão alertando seus cidadãos para tomarem precauções extras ao viajar para o país vizinho. As medidas vão desde inspeções detalhadas de dispositivos eletrônicos até o uso de telefones descartáveis. O que está acontecendo realmente?
Crescente Preocupação Institucional com as Viagens
Várias instituições canadenses, incluindo organizações de prestígio, começaram a recomendar que seus funcionários evitem viajar para os Estados Unidos. O Hospital Infantil do Leste de Ontário (CHEO), por exemplo, emitiu um comunicado interno aconselhando seus colaboradores a não viajar para os EUA, devido à crescente instabilidade do contexto político e social no país.
Além disso, a Alberta Investment Management Corporation (Aimco), um fundo de pensões público, também decidiu restringir viagens de seus funcionários para os Estados Unidos, permitindo apenas casos excepcionais. Essas decisões marcam uma mudança significativa nas relações laborais e acadêmicas entre os dois países.

Inspeções Rigorosas de Dispositivos Eletrônicos
O governo canadense atualizou suas recomendações de viagem, alertando os cidadãos de que os agentes de fronteira dos Estados Unidos podem realizar inspeções completas de dispositivos eletrônicos, como telefones e laptops, incluindo redes sociais. Para proteger a privacidade e evitar a exposição de dados sensíveis, o CHEO orientou seus funcionários a limpar seus dispositivos, fechar sessões de contas e, se possível, usar telefones descartáveis.
A Universidade de Waterloo também seguiu essa linha, oferecendo laptops “limpos” para seus pesquisadores, com o objetivo de evitar qualquer tipo de vazamento de dados durante viagens aos Estados Unidos. Essas medidas, embora focadas na proteção de informações científicas e pessoais, refletem um clima crescente de desconfiança entre os dois países.
Casos de Suspensão de Entrada e Suspeitas Crescentes
Um caso que chama a atenção é o de um cientista francês que teve sua entrada negada nos Estados Unidos, aparentemente devido a críticas ao governo americano. Esse incidente apenas alimenta as suspeitas sobre a verdadeira natureza das novas medidas de segurança na fronteira e aumenta a percepção de que algo sério está acontecendo. O que antes parecia impensável, como a negação de entrada por razões políticas, agora parece se tornar uma prática cada vez mais comum.
As alertas estão sendo emitidas, mas ainda há aqueles que não estão levando essas recomendações a sério. No entanto, as advertências oficiais já estão em vigor, e a questão que se coloca é: o que mais será necessário para que as pessoas reconsiderem a ideia de cruzar a fronteira?