A disputa entre tecnologia e trabalho humano acaba de ganhar um novo capítulo. O TikTok anunciou a substituição de parte de seus moderadores por sistemas de inteligência artificial, numa decisão que busca reduzir custos e acelerar processos de segurança. A medida, no entanto, levantou preocupações sobre falhas no monitoramento de conteúdos nocivos e sobre o futuro da proteção digital.
Uma decisão que divide opiniões
De acordo com o Wall Street Journal, a plataforma chinesa afastou centenas de trabalhadores no Reino Unido e em países da Ásia, embora não tenha revelado números exatos. Os funcionários impactados, segundo a empresa, terão prioridade em futuras contratações se atenderem a critérios não especificados.
O Sindicato de Trabalhadores da Comunicação do Reino Unido classificou a decisão como um ato de “ganância corporativa acima da segurança pública”. O representante John Chadfield afirmou que os moderadores já vinham alertando para os riscos reais de depender de tecnologias ainda imaturas para filtrar conteúdo sensível.
O que diz o TikTok
Em resposta às críticas, a empresa afirmou que a reorganização faz parte de uma estratégia global para fortalecer a área de “Confiança e Segurança”. Segundo o TikTok, a inteligência artificial já desempenha papel central na exclusão automática de publicações nocivas, e a companhia alega que cerca de 85% dos conteúdos que violam regras são removidos antes de serem vistos.
A plataforma garante que a IA é uma aliada, não uma substituta completa, e que os sistemas vêm sendo aprimorados ao longo de anos de pesquisa. A promessa é de maior rapidez e eficácia na moderação, reduzindo também a exposição de moderadores humanos a material perturbador.
O impacto das novas regulações
No Reino Unido, a pressão sobre o TikTok aumentou em 2025 com a entrada em vigor de leis mais rígidas de proteção digital, que preveem multas de até 10% do faturamento por falhas de segurança. A coleta de dados de adolescentes entre 13 e 17 anos já está sob investigação da autoridade britânica de informação.
Nesse cenário, a empresa argumenta que o reforço da IA é essencial para cumprir os novos parâmetros regulatórios e evitar sanções milionárias. Ainda assim, não apresentou dados concretos para comprovar a efetividade das ferramentas usadas.
Um futuro em debate
A decisão reacende o dilema entre eficiência tecnológica e segurança digital. Para críticos, entregar a moderação a algoritmos pode deixar brechas perigosas, enquanto para o TikTok, a aposta é inevitável diante do crescimento global da plataforma e das exigências legais.
O que está em jogo vai além dos empregos perdidos: é a confiança de bilhões de usuários em um dos aplicativos mais influentes do mundo.
Fonte: Gizmodo ES