Quase 30 anos após uma das tragédias mais marcantes da música brasileira, a história dos Mamonas Assassinas volta ao centro das atenções. Uma iniciativa recente decidiu transformar a forma como o público se conecta com o legado do grupo. O projeto, que envolve tecnologia, natureza e participação das famílias, pretende criar um espaço permanente de lembrança — e já desperta forte emoção entre fãs.
Exumação faz parte de homenagem inédita

Os restos mortais dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas foram exumados na segunda-feira (23), em Guarulhos, na Grande São Paulo. A medida integra a criação de um chamado “memorial vivo” dedicado ao grupo, que morreu em 1996.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre as famílias dos músicos e o BioParque Cemitério de Guarulhos. O projeto prevê a cremação de uma pequena parte dos restos mortais, que será transformada em adubo para o plantio de cinco árvores — cada uma representando um integrante da banda.
Segundo Jorge Santana, primo do vocalista Dinho e CEO da marca ligada ao grupo, todas as famílias participaram das decisões. Ele destacou que a proposta foi amplamente discutida antes de ser aprovada.
O futuro espaço contará com totens informativos, áreas de convivência e recursos digitais, incluindo QR Codes que permitirão aos visitantes acessar fotos, vídeos e relatos sobre a trajetória dos músicos. A visitação será gratuita.
Como funcionará o memorial vivo
O memorial será instalado atrás dos túmulos onde os integrantes estão enterrados, que continuarão preservados e abertos ao público. Apenas uma pequena fração das cinzas será utilizada no projeto ambiental.
De acordo com o BioParque, o processo segue etapas específicas: primeiro, cada família escolhe a espécie de árvore que simbolizará seu homenageado. Em seguida, as cinzas são colocadas em uma urna biodegradável junto com a semente. O crescimento da planta poderá ser acompanhado digitalmente desde a germinação até o plantio definitivo no local.
Cada árvore terá identificação própria e um totem interativo. A proposta é transformar o espaço em um ponto permanente de encontro para fãs, com bancos e áreas destinadas a mensagens e homenagens.
Uma tragédia que marcou o Brasil
Os Mamonas Assassinas estavam no auge da popularidade quando morreram em 2 de março de 1996. O avião em que viajavam caiu na Serra da Cantareira durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Estavam a bordo o vocalista Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além de membros da equipe e da tripulação. Não houve sobreviventes.
A comoção foi imediata e massiva: cerca de 30 mil pessoas passaram pelo velório em Guarulhos, e mais de 100 mil acompanharam o cortejo até o cemitério. Mesmo com apenas um álbum lançado, o grupo havia conquistado enorme sucesso nacional, especialmente entre o público jovem.
A organização do memorial informou que os detalhes finais da inauguração — incluindo datas e horários de visitação — ainda serão divulgados nos próximos dias.
[Fonte: Extra]