Em meio às tentativas de redefinir o cenário político e humanitário no Oriente Médio, o governo dos Estados Unidos avançou com uma proposta inédita para o pós-guerra na Faixa de Gaza. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o presidente Donald Trump convidou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar um conselho internacional que teria como missão supervisionar a reconstrução do território palestino e atuar como instância política de coordenação.
Convite enviado por via diplomática
De acordo com informações confirmadas pela CNN Brasil neste sábado (17), o convite foi formalizado por meio de uma carta enviada diretamente a Lula pela Embaixada do Brasil em Washington, capital dos Estados Unidos. Até o momento, o Palácio do Planalto não informou se o presidente brasileiro pretende aceitar ou recusar o convite.
A proposta faz parte de um plano mais amplo elaborado pela Casa Branca com o objetivo declarado de pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas, que devastou a Faixa de Gaza e agravou uma crise humanitária de grandes proporções. Segundo o governo norte-americano, o projeto ainda está em fase de desenvolvimento.
O que é o “Conselho de Paz” para Gaza
Chamado oficialmente de “Conselho Executivo fundador”, o órgão seria presidido pelo próprio Donald Trump e funcionaria como uma instância de supervisão política e econômica da reconstrução de Gaza no período pós-conflito.
Além de Trump, o conselho inclui nomes próximos ao presidente norte-americano e figuras de peso do cenário internacional. Entre eles estão Steve Witkoff, enviado especial de política externa; Robert Gabriel, vice-conselheiro de segurança nacional; e Jared Kushner, genro de Trump e ex-assessor sênior da Casa Branca para assuntos do Oriente Médio.
O grupo também conta com o empresário bilionário Marc Rowan e com Ajay Banga, diretor-geral do Banco Mundial, cuja presença sugere um papel relevante de instituições financeiras internacionais no processo de reconstrução.
Países convidados e possíveis adesões
Segundo a Casa Branca, outros membros ainda serão anunciados nas próximas semanas. Entre os países já convidados a integrar o conselho estão Argentina, Brasil, Canadá, Paraguai, Turquia e Egito — nações com diferentes posições históricas em relação ao conflito israelo-palestino.
Um funcionário do governo canadense confirmou à CNN que o primeiro-ministro Mark Carney aceitou o convite para integrar o conselho. Já no Brasil, o governo mantém silêncio oficial até o momento.
A CNN Brasil informou que tentou contato com o Palácio do Planalto e com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações oficiais.
Creo en el gigante que es Paraguay. Un país de principios, con vocación de paz y con voz propia en el mundo.
Agradezco al Presidente Donald Trump @realDonaldTrump por la invitación para formar parte del Board Of Peace. Esta nueva organización internacional tiene como fin actuar… pic.twitter.com/OWZZNkVNXo
— Santiago Peña (@SantiPenap) January 17, 2026
Trump defende desmilitarização do Hamas
Em publicação feita em sua própria rede social, Donald Trump afirmou que o Hamas deve ser completamente desmilitarizado como condição para qualquer plano de paz duradouro em Gaza.
“Como já disse antes, eles podem fazer isso da maneira fácil ou da difícil. O povo de Gaza já sofreu o suficiente”, escreveu o presidente norte-americano, reiterando uma posição alinhada à de Israel e de setores mais duros da política externa dos EUA.
A declaração reforça críticas de que o plano prioriza questões de segurança e controle político antes de discutir plenamente a autodeterminação palestina.
Reação imediata da Argentina
GRACIAS PRESIDENTE TRUMP @realDonaldTrump@POTUS
Es un honor para mí haber recibido esta noche la invitación para que la Argentina integre, como Miembro Fundador, el Board of Peace, una organización creada por el Presidente Trump para promover una paz duradera en regiones… pic.twitter.com/ORalzkzhlv
— Javier Milei (@JMilei) January 17, 2026
O presidente argentino, Javier Milei, foi um dos primeiros líderes a reagir publicamente ao convite. Em postagem na rede social X, Milei celebrou a inclusão da Argentina como membro fundador do conselho.
“É uma honra para mim ter recebido nesta noite o convite para que a Argentina integre, como Membro Fundador, o Board of Peace, uma organização criada pelo presidente Trump para promover uma paz duradoura em regiões afetadas por conflitos, começando pela Faixa de Gaza”, escreveu.
Milei acrescentou que a Argentina “sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de forma direta” e que defendem “a vida, a propriedade, a paz e a liberdade”, sinalizando alinhamento ideológico com a proposta norte-americana.
Um convite com peso diplomático
O eventual ingresso do Brasil no conselho colocaria o governo Lula em uma posição diplomática delicada. Historicamente, o país tem adotado uma postura de defesa do direito internacional, do multilateralismo e da criação de um Estado palestino, além de manter críticas públicas às ações militares de Israel em Gaza.
Aceitar ou recusar o convite pode ter impactos diretos na relação do Brasil com os Estados Unidos, com países árabes e com outros atores globais envolvidos no conflito — tornando a decisão não apenas simbólica, mas estrategicamente relevante no atual tabuleiro geopolítico.
[ Fonte: CNN Brasil ]