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Trump convida Lula para integrar conselho internacional que pretende supervisionar reconstrução da Faixa de Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou Luiz Inácio Lula da Silva para integrar um conselho internacional que pretende supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza após o conflito entre Israel e o Hamas. A iniciativa, ainda em fase de elaboração, já conta com adesões e provoca reações distintas no cenário internacional.
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Tempo de leitura: 4 minutos

 Em meio às tentativas de redefinir o cenário político e humanitário no Oriente Médio, o governo dos Estados Unidos avançou com uma proposta inédita para o pós-guerra na Faixa de Gaza. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o presidente Donald Trump convidou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar um conselho internacional que teria como missão supervisionar a reconstrução do território palestino e atuar como instância política de coordenação.

Convite enviado por via diplomática

De acordo com informações confirmadas pela CNN Brasil neste sábado (17), o convite foi formalizado por meio de uma carta enviada diretamente a Lula pela Embaixada do Brasil em Washington, capital dos Estados Unidos. Até o momento, o Palácio do Planalto não informou se o presidente brasileiro pretende aceitar ou recusar o convite.

A proposta faz parte de um plano mais amplo elaborado pela Casa Branca com o objetivo declarado de pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas, que devastou a Faixa de Gaza e agravou uma crise humanitária de grandes proporções. Segundo o governo norte-americano, o projeto ainda está em fase de desenvolvimento.

O que é o “Conselho de Paz” para Gaza

Chamado oficialmente de “Conselho Executivo fundador”, o órgão seria presidido pelo próprio Donald Trump e funcionaria como uma instância de supervisão política e econômica da reconstrução de Gaza no período pós-conflito.

Além de Trump, o conselho inclui nomes próximos ao presidente norte-americano e figuras de peso do cenário internacional. Entre eles estão Steve Witkoff, enviado especial de política externa; Robert Gabriel, vice-conselheiro de segurança nacional; e Jared Kushner, genro de Trump e ex-assessor sênior da Casa Branca para assuntos do Oriente Médio.

O grupo também conta com o empresário bilionário Marc Rowan e com Ajay Banga, diretor-geral do Banco Mundial, cuja presença sugere um papel relevante de instituições financeiras internacionais no processo de reconstrução.

Países convidados e possíveis adesões

Segundo a Casa Branca, outros membros ainda serão anunciados nas próximas semanas. Entre os países já convidados a integrar o conselho estão Argentina, Brasil, Canadá, Paraguai, Turquia e Egito — nações com diferentes posições históricas em relação ao conflito israelo-palestino.

Um funcionário do governo canadense confirmou à CNN que o primeiro-ministro Mark Carney aceitou o convite para integrar o conselho. Já no Brasil, o governo mantém silêncio oficial até o momento.

A CNN Brasil informou que tentou contato com o Palácio do Planalto e com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações oficiais.

Trump defende desmilitarização do Hamas

Em publicação feita em sua própria rede social, Donald Trump afirmou que o Hamas deve ser completamente desmilitarizado como condição para qualquer plano de paz duradouro em Gaza.

“Como já disse antes, eles podem fazer isso da maneira fácil ou da difícil. O povo de Gaza já sofreu o suficiente”, escreveu o presidente norte-americano, reiterando uma posição alinhada à de Israel e de setores mais duros da política externa dos EUA.

A declaração reforça críticas de que o plano prioriza questões de segurança e controle político antes de discutir plenamente a autodeterminação palestina.

Reação imediata da Argentina

O presidente argentino, Javier Milei, foi um dos primeiros líderes a reagir publicamente ao convite. Em postagem na rede social X, Milei celebrou a inclusão da Argentina como membro fundador do conselho.

“É uma honra para mim ter recebido nesta noite o convite para que a Argentina integre, como Membro Fundador, o Board of Peace, uma organização criada pelo presidente Trump para promover uma paz duradoura em regiões afetadas por conflitos, começando pela Faixa de Gaza”, escreveu.

Milei acrescentou que a Argentina “sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de forma direta” e que defendem “a vida, a propriedade, a paz e a liberdade”, sinalizando alinhamento ideológico com a proposta norte-americana.

Um convite com peso diplomático

O eventual ingresso do Brasil no conselho colocaria o governo Lula em uma posição diplomática delicada. Historicamente, o país tem adotado uma postura de defesa do direito internacional, do multilateralismo e da criação de um Estado palestino, além de manter críticas públicas às ações militares de Israel em Gaza.

Aceitar ou recusar o convite pode ter impactos diretos na relação do Brasil com os Estados Unidos, com países árabes e com outros atores globais envolvidos no conflito — tornando a decisão não apenas simbólica, mas estrategicamente relevante no atual tabuleiro geopolítico.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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