O levantamento acompanhou, durante 20 meses, cerca de 220 mil crianças entre 6 e 59 meses — o equivalente a dois terços de todas as crianças em idade pré-escolar que vivem em Gaza. O estudo foi conduzido por equipes da Agência das Nações Unidas para Refugiados da Palestina (UNRWA) em parceria com pesquisadores locais.
Os dados mostram que, entre janeiro de 2024 e agosto de 2025, houve um aumento expressivo nos casos de desnutrição e emaciação, condição em que o corpo começa a consumir seus próprios tecidos — músculos e gordura — por falta de energia e proteína. Essa deterioração física não só reduz drasticamente o peso e a massa muscular, como aumenta o risco de morte infantil.
Como a desnutrição é medida
De acordo com a Science News, o diagnóstico de emaciação é feito medindo a circunferência do braço da criança, entre o ombro e o cotovelo. Quando o valor fica abaixo de 125 milímetros, já há sinal de alerta. Abaixo de 115 milímetros, o caso é considerado severo.
Essas medições foram realizadas mensalmente em 16 centros de saúde e 78 pontos de atendimento emergencial espalhados pela Faixa de Gaza. O resultado é alarmante: em agosto de 2025, 16% das crianças avaliadas apresentavam emaciação aguda, e 3,7% estavam em situação severa.
Bloqueios e falta de acesso pioram o cenário
Entre setembro de 2024 e janeiro de 2025, a taxa de emaciação entre crianças cresceu de 8,8% para 14,3%. Em Rafah, uma das áreas mais atingidas pelos bombardeios e bloqueios, 32% das crianças entre 2 e 5 anos apresentavam desnutrição grave.
Os pesquisadores afirmam que os bloqueios à entrada de alimentos, água potável, medicamentos e combustível agravaram o quadro nutricional das crianças, que vivem em condições de deslocamento forçado e insegurança alimentar extrema.
Fome evitável, vidas em risco
O estudo conclui que milhares de crianças em Gaza estão “sofrendo de desnutrição aguda evitável e enfrentando um risco elevado de mortalidade”. Para os autores, a crise poderia ser contida com o restabelecimento urgente da ajuda humanitária internacional e o acesso seguro a alimentos e medicamentos.
Enquanto a atenção global se volta para o conflito, a fome avança de forma silenciosa, ameaçando uma geração inteira — não por falta de recursos, mas por bloqueios e falta de acesso.
[Fonte: Revista Galileu]