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Ciência

Um asteroide de 60 metros ainda vai passar perto da Terra em 2032, mas há uma notícia importante

Um asteroide de cerca de 60 metros chegou a colocar a Terra e a Lua em cenários de risco para 2032. Novas observações finalmente encerraram a história.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante meses, um pequeno ponto no espaço foi acompanhado com atenção incomum. Sua órbita ainda permitia diferentes trajetórias para dezembro de 2032, incluindo uma possibilidade que chegou a preocupar os astrônomos. Conforme os telescópios reuniram mais dados, o cenário mudou várias vezes. Primeiro, a Terra saiu da equação. Depois, restou uma última hipótese envolvendo a Lua. Agora, uma das ferramentas mais poderosas já construídas para observar o Universo ajudou a fechar definitivamente esse capítulo.

Por algumas semanas, a Terra esteve dentro das possibilidades

O asteroide 2024 YR4 foi descoberto em 27 de dezembro de 2024 pelo sistema ATLAS, em Río Hurtado, no Chile. As primeiras observações ainda não eram suficientes para determinar sua trajetória com grande precisão.

Isso produziu um efeito curioso: conforme novos dados chegavam, a probabilidade calculada de uma colisão com a Terra chegou a aumentar antes de desaparecer completamente. Em fevereiro de 2025, ela atingiu aproximadamente 3% para um possível impacto em 2032.

Isso não significava que o asteroide estivesse necessariamente indo em direção ao planeta. A questão era que a região de possíveis trajetórias ainda incluía a Terra. À medida que os astrônomos acumulavam observações, essa região diminuía e finalmente deixou nosso planeta completamente de fora.

As observações também permitiram estimar melhor o tamanho do objeto. Dados infravermelhos indicaram um diâmetro entre 53 e 67 metros — aproximadamente a altura de um prédio de 15 andares.

Para a Terra, a história parecia encerrada. Mas ainda havia uma segunda possibilidade.

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© NASA Hubble Space Telescope – Unsplash

A Lua entrou no caminho e o cenário ficou ainda mais estranho

Depois que o risco de impacto terrestre caiu para zero, os cálculos ainda mantinham uma pequena possibilidade de colisão com a Lua em 22 de dezembro de 2032. Em determinado momento, essa chance chegou a 4,3%.

A hipótese era improvável, mas cientificamente interessante. Afinal, um objeto com dezenas de metros atingindo a superfície lunar produziria um evento muito diferente de um impacto na Terra.

Um estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters estimou o que poderia acontecer nesse cenário. Um asteroide de aproximadamente 60 metros atingindo diretamente a Lua liberaria cerca de 6,5 megatons de energia equivalente a TNT e poderia abrir uma cratera próxima de um quilômetro de diâmetro.

O impacto também teria força suficiente para lançar uma enorme quantidade de material lunar para o espaço. As simulações indicaram que até cerca de 100 milhões de quilos de detritos poderiam ser ejetados a velocidades capazes de escapar da gravidade da Lua.

Uma parte desse material poderia, dependendo do local exato da colisão, alcançar as proximidades da Terra em poucos dias. Isso produziria um aumento temporário de meteoros de origem lunar e de pequenas partículas na região orbital terrestre.

Mas havia um problema: para saber se esse cenário realmente aconteceria, era necessário descobrir com muito mais precisão onde o asteroide estaria em 2032.

O James Webb encontrou a resposta onde quase não havia luz

Foi aí que entrou o telescópio espacial James Webb.

Em 18 e 26 de fevereiro de 2026, os astrônomos conseguiram realizar duas observações extremamente difíceis. O 2024 YR4 estava distante e muito fraco, mas o instrumento NIRCam permitiu localizá-lo em relação a estrelas cuja posição é conhecida com enorme precisão.

O ponto mais importante é que o Webb não alterou a trajetória do asteroide. Ele simplesmente ajudou os cientistas a determinar essa trajetória com uma precisão muito maior.

Os novos cálculos mostraram que o 2024 YR4 passará a aproximadamente 21.200 quilômetros acima da superfície lunar em 22 de dezembro de 2032. Isso é relativamente próximo em termos astronômicos, mas suficiente para eliminar a possibilidade de colisão.

A NASA e a Agência Espacial Europeia passaram então a considerar o impacto lunar descartado, e a Rede Internacional de Alerta de Asteroides atualizou a probabilidade de colisão para zero em 5 de março de 2026.

Assim, o asteroide que durante mais de um ano passou por diferentes cenários de risco terminou com uma trajetória muito menos dramática. Em 2032, ele ainda passará relativamente perto do sistema Terra-Lua, mas não atingirá nenhum dos dois corpos.

E o possível impacto que poderia ter aberto uma cratera de um quilômetro na Lua ficará apenas como uma hipótese que os astrônomos puderam calcular — mas que o James Webb ajudou a eliminar.

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