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Ciência

O asteroide que matou os dinossauros deixou uma marca na Terra que ainda pode ser vista hoje

O impacto que extinguiu os dinossauros também transformou profundamente uma região do planeta. Milhões de anos depois, suas marcas continuam presentes em paisagens que atraem turistas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Há 66 milhões de anos, um asteroide gigantesco atingiu a Terra e desencadeou uma das maiores extinções da história. Mas a colisão não provocou apenas a morte de inúmeras espécies. Ela também modificou a estrutura geológica de uma região inteira, deixando marcas que sobreviveram durante milhões de anos. Hoje, algumas dessas cicatrizes estão escondidas sob florestas, cidades e piscinas naturais de águas cristalinas.

O impacto que mudou a história da Terra

O asteroide que matou os dinossauros deixou uma marca na Terra que ainda pode ser vista hoje
© Unsplash

O asteroide que atingiu a península de Yucatán, no atual México, tinha aproximadamente 10 a 15 quilômetros de diâmetro.

A colisão ocorreu há cerca de 66 milhões de anos, próximo ao final do período Cretáceo, e produziu uma cratera conhecida como Chicxulub, com aproximadamente 200 quilômetros de diâmetro.

A energia liberada foi suficiente para provocar terremotos intensos, tsunamis e a ejeção de enormes quantidades de rochas e partículas na atmosfera.

Parte desse material contribuiu para bloquear a luz solar e alterar drasticamente o clima global, prejudicando a fotossíntese e desestabilizando cadeias alimentares.

O episódio está associado à extinção de aproximadamente 75% das espécies existentes, incluindo todos os dinossauros não avianos.

Entretanto, a colisão também produziu transformações geológicas permanentes na região atingida.

A força do impacto fraturou profundamente as rochas calcárias, alterou a circulação subterrânea da água e criou condições para o surgimento de estruturas que ainda caracterizam a paisagem de Yucatán.

As piscinas naturais que escondem uma cicatriz de 66 milhões de anos

Uma das consequências mais impressionantes do impacto pode ser observada nos chamados cenotes.

Essas formações são cavidades naturais, frequentemente preenchidas por água subterrânea, que surgem quando rochas calcárias são dissolvidas e partes do terreno desabam.

A península de Yucatán possui milhares dessas estruturas, algumas transformadas em atrações turísticas.

O detalhe surpreendente é que muitos cenotes estão distribuídos ao longo de um enorme arco semicircular conhecido como Anel dos Cenotes.

Essa formação acompanha aproximadamente a borda da antiga cratera de Chicxulub, atualmente enterrada sob camadas de sedimentos.

Segundo um estudo publicado na revista científica Geology, as características geológicas associadas à cratera influenciaram a circulação das águas subterrâneas e favoreceram a formação dessas cavidades.

As fraturas modificaram a permeabilidade das rochas, permitindo que a água dissolvesse progressivamente o calcário.

Isso não significa que todos os cenotes tenham sido criados diretamente no momento da colisão. Muitos se formaram milhões de anos depois, por processos de erosão química e colapso do terreno.

Ainda assim, sua distribuição preserva uma assinatura geológica do impacto que mudou a vida na Terra.

Cientistas descobriram que o asteroide veio de uma região distante do Sistema Solar

Outra descoberta importante envolve a origem do objeto que atingiu a Terra.

Pesquisadores analisaram isótopos de rutênio encontrados em depósitos geológicos associados ao impacto.

Esse elemento apresenta características químicas que ajudam a identificar diferentes tipos de meteoritos.

Os resultados indicaram que o asteroide de Chicxulub era do tipo carbonáceo, associado a materiais formados nas regiões externas do Sistema Solar, além da órbita de Júpiter.

Isso não significa necessariamente que o asteroide tenha partido diretamente daquela região pouco antes da colisão. Sua composição revela principalmente onde o material original se formou.

A descoberta reforça a hipótese de que um objeto vindo do espaço, e não exclusivamente a atividade vulcânica terrestre, foi responsável pela camada global de materiais extraterrestres associada à extinção.

A cratera também criou condições para novas formas de vida

Embora a colisão tenha provocado destruição em escala planetária, seus efeitos geológicos também criaram ambientes que poderiam favorecer a sobrevivência de microrganismos.

Um estudo publicado em junho de 2026 na revista Communications Earth & Environment revelou que o sistema hidrotermal formado após o impacto permaneceu ativo durante pelo menos 8 milhões de anos.

Isso significa que água aquecida circulou pelas rochas fraturadas da cratera durante um período muito mais longo do que estimativas anteriores sugeriam.

Esses ambientes podem fornecer calor, minerais e energia química para organismos microscópicos.

Os resultados não demonstram que a vida tenha surgido ali, mas indicam que grandes impactos podem criar condições potencialmente habitáveis.

A descoberta também interessa à exploração espacial, já que crateras de impacto em outros planetas podem preservar ambientes semelhantes.

Hoje, a cratera de Chicxulub permanece praticamente invisível na superfície de Yucatán. Entretanto, suas consequências continuam presentes no subsolo, na circulação da água e nas paisagens da região.

O mesmo evento que contribuiu para encerrar a era dos dinossauros também ajudou a moldar um território que milhões de pessoas conhecem por suas impressionantes piscinas naturais.

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