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Ciência

Um hábito aparentemente inofensivo pode estar enchendo seu corpo de microplásticos

Uma simples goma de mascar pode liberar milhares de microplásticos em poucos minutos, colocando mais um item cotidiano na lista de potenciais fontes de contaminação. Ainda sem conclusões definitivas sobre os efeitos à saúde, os cientistas alertam: talvez seja hora de repensar esse hábito aparentemente inofensivo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Você provavelmente já mascou chiclete sem pensar duas vezes. Mas e se esse hábito rotineiro estivesse liberando milhares de microplásticos na sua boca, todos os dias?

Com os microplásticos sendo encontrados em locais cada vez mais inesperados — do sangue humano à Antártida — a preocupação com seus efeitos à saúde cresce. Agora, uma nova pesquisa revela um dado surpreendente: apenas uma unidade de goma de mascar pode liberar centenas de milhares de microplásticos na saliva. Ou seja, estamos, literalmente, ingerindo plástico enquanto mascamos.

Chicletes: o novo vilão invisível

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, apresentaram esse estudo durante a reunião anual da Sociedade Norte-Americana de Química. O experimento mostrou que, ao mascar uma única goma, partículas microscópicas de plástico são liberadas na saliva nos primeiros minutos de uso. Embora os riscos diretos à saúde ainda não estejam totalmente esclarecidos, estudos anteriores já associaram a presença de microplásticos a possíveis complicações no organismo.

Segundo Sanjay Mohanty, engenheiro envolvido na pesquisa, o objetivo não é alarmar, mas sim compreender melhor o nível de exposição humana ao plástico no cotidiano. “Ainda não sabemos exatamente o impacto disso no corpo humano, mas estamos claramente sendo expostos a níveis preocupantes”, afirmou.

Como foi feito o estudo?

Para evitar variações no tipo de saliva e na forma de mastigação, os cientistas pediram a um único participante que mascasse sete unidades de dez marcas diferentes — cinco à base de materiais sintéticos e cinco com base natural. A suposição inicial era de que as gomas sintéticas liberariam mais microplásticos por serem feitas com derivados de plástico. No entanto, o resultado surpreendeu: tanto as versões naturais quanto as sintéticas liberaram quantidades semelhantes de partículas.

A média encontrada foi de cerca de 100 microplásticos por grama de chiclete, sendo que 94% dessas partículas eram liberadas nos primeiros oito minutos. E o motivo não é a ação química da saliva, mas sim o atrito mecânico da mastigação.

Muito além do que imaginamos

Algumas gomas chegaram a liberar até 600 partículas por grama. Levando em conta que uma pessoa comum masca entre 160 e 300 unidades de chiclete por ano, isso significa que poderíamos ingerir até 30.000 microplásticos anualmente só por esse hábito. E como o equipamento usado na pesquisa só detectava partículas com 20 micrômetros ou mais, os pesquisadores alertam que o número real pode ser ainda maior, considerando os fragmentos menores que escapam à medição.

Outro ponto importante é que o plástico liberado na saliva representa apenas uma fração do total de polímeros presentes na goma. Isso significa que, mesmo após ser descartado, o chiclete ainda contribui para a poluição ambiental — especialmente quando é jogado no chão ou colado em superfícies públicas.

Um alerta discreto, mas importante

Embora a ciência ainda não tenha concluído os efeitos dos microplásticos no corpo humano, os indícios sugerem que devemos ficar atentos. A pesquisa mostra que mesmo os produtos mais cotidianos podem esconder riscos silenciosos. Diminuir o consumo ou buscar alternativas mais sustentáveis pode ser uma escolha prudente até que haja mais respostas.

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