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Ciência

Uma abertura descoberta há 17 anos pode revelar uma nova possibilidade para viver na Lua

Uma abertura misteriosa na superfície lunar pode levar a uma enorme estrutura subterrânea. A NASA prepara uma investigação que poderá transformar os planos de permanência humana na Lua.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Lua guarda segredos que décadas de observações espaciais ainda não conseguiram desvendar. Um deles está escondido sob uma abertura identificada há mais de 15 anos, em uma região marcada por antigas erupções vulcânicas. Cientistas suspeitam que esse buraco possa revelar uma estrutura subterrânea de grandes proporções. Agora, uma nova investigação da NASA pretende descobrir o que realmente existe ali e por que isso pode ser fundamental para os futuros astronautas.

NASA quer descobrir o que existe sob uma abertura misteriosa na Lua

A NASA anunciou, em 30 de setembro de 2026, a seleção de um projeto científico destinado a investigar uma possível caverna subterrânea na Lua.

A iniciativa recebeu o nome de GIMLI, sigla em inglês para Geophysical Instruments for Marius Lunar pit Investigation, e será conduzida por pesquisadores do Planetary Science Institute, nos Estados Unidos.

O alvo da investigação é o Marius Hills Pit, uma abertura localizada em uma região vulcânica do Oceanus Procellarum, na face visível da Lua.

A estrutura foi identificada em 2009 pela missão japonesa Kaguya, também conhecida como SELENE. Desde então, cientistas tentam compreender se ela representa apenas uma depressão no terreno ou a entrada de uma rede de túneis subterrâneos.

O buraco possui aproximadamente 34 metros de profundidade e uma abertura de cerca de 65 por 90 metros, segundo medições divulgadas anteriormente pela NASA.

A hipótese mais interessante é que ele esteja conectado a um antigo tubo de lava, uma estrutura formada quando o interior de um fluxo vulcânico permanece líquido enquanto sua superfície esfria e endurece.

Quando o material derretido deixa de circular, pode permanecer um túnel vazio sob a camada rochosa.

Entretanto, a existência de uma grande caverna conectada a essa abertura ainda precisa ser confirmada.

Uma missão vai procurar sinais de estruturas escondidas no subsolo

Uma abertura descoberta há 17 anos pode revelar uma nova possibilidade para viver na Lua
© NASA – Unsplash

Para investigar a região, os cientistas pretendem utilizar uma combinação de instrumentos geofísicos capazes de examinar o terreno sem realizar grandes escavações.

O projeto será liderado pelo pesquisador Than Putzig, com participação da Honeybee Robotics, empresa pertencente à Blue Origin, e colaboração da Agência Espacial Norueguesa.

Entre os equipamentos previstos estão um radar de penetração no solo, sensores sísmicos, um gravímetro e câmeras.

Cada instrumento terá uma função específica.

O radar buscará estruturas enterradas, enquanto os sensores sísmicos analisarão como as ondas se propagam pelo terreno. Já o gravímetro poderá identificar pequenas variações na gravidade provocadas por diferenças na distribuição de massa subterrânea.

As câmeras registrarão imagens da superfície e das paredes da abertura, permitindo estudar camadas geológicas normalmente escondidas.

Segundo o comunicado oficial da NASA sobre as novas investigações lunares, o projeto será transportado por meio da iniciativa Commercial Lunar Payload Services, que utiliza empresas privadas para levar equipamentos científicos à Lua.

A agência ainda não anunciou uma data específica para o lançamento da investigação.

Por que uma caverna lunar poderia proteger astronautas?

A possibilidade de encontrar grandes espaços subterrâneos interessa especialmente aos pesquisadores que planejam futuras bases humanas na Lua.

O principal desafio é que a superfície lunar apresenta condições extremamente hostis.

Durante o dia, temperaturas próximas ao equador podem alcançar aproximadamente 127 °C. À noite, podem cair para cerca de -173 °C.

Além disso, a ausência de uma atmosfera protetora expõe astronautas à radiação espacial e ao impacto de micrometeoritos.

Uma caverna suficientemente profunda poderia reduzir parte desses riscos.

A rocha acima dos túneis funcionaria como uma barreira natural contra a radiação e pequenos impactos, enquanto o ambiente subterrâneo poderia apresentar temperaturas muito mais estáveis.

Em 2022, pesquisadores financiados pela NASA identificaram temperaturas próximas de 17 °C em áreas permanentemente sombreadas de determinadas cavidades lunares.

Isso não significa que todas as cavernas apresentem condições semelhantes, mas demonstra o potencial dessas estruturas para futuras missões.

Ainda seria necessário instalar habitats pressurizados, sistemas de oxigênio, equipamentos de comunicação e fontes confiáveis de energ`ia.

Outra descoberta já mostrou que cavernas lunares não são apenas teoria

Uma abertura descoberta há 17 anos pode revelar uma nova possibilidade para viver na Lua
© Pexels

O interesse por Marius Hills aumentou depois que cientistas encontraram evidências mais concretas de uma passagem subterrânea em outra região da Lua.

Em julho de 2024, um estudo publicado na revista Nature Astronomy apresentou dados de radar indicando a existência de um conduto conectado a uma abertura no Mare Tranquillitatis, conhecido como Mar da Tranquilidade.

A passagem identificada se estende por pelo menos dezenas de metros além da abertura, embora suas dimensões totais permaneçam desconhecidas.

Essa descoberta fortaleceu a hipótese de que antigas atividades vulcânicas tenham deixado redes subterrâneas preservadas no satélite.

Os pesquisadores também acreditam que essas estruturas podem revelar informações sobre a história geológica lunar.

O Planetary Science Institute explica que, mesmo se o projeto GIMLI não encontrar uma grande caverna, suas medições poderão ajudar a compreender como o Marius Hills Pit se formou e como a lava circulava pela região bilhões de anos atrás.

A descoberta pode influenciar a construção das primeiras bases lunares

A investigação faz parte de um esforço mais amplo para preparar a presença humana prolongada na Lua.

Além do GIMLI, a NASA selecionou projetos destinados a estudar riscos ambientais e investigar depósitos de gelo em regiões permanentemente sombreadas.

Esses trabalhos poderão fornecer informações essenciais para o desenvolvimento de futuras instalações.

No caso de Marius Hills, confirmar uma grande cavidade subterrânea representaria um avanço científico importante, mas não significaria que o local estaria imediatamente pronto para receber astronautas.

Seria necessário avaliar a estabilidade das paredes, as condições de acesso e os riscos envolvidos na utilização do espaço.

Ainda assim, a possibilidade é significativa.

Se os cientistas confirmarem que antigos túneis vulcânicos podem oferecer proteção natural, futuras bases lunares talvez não precisem depender exclusivamente de estruturas construídas sobre a superfície.

Parte da solução para viver fora da Terra pode estar escondida sob os nossos pés, em cavernas formadas bilhões de anos antes do surgimento da humanidade.

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