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Ciência

Uma estrela morta a 730 anos-luz está produzindo algo que a física atual não consegue explicar

Uma enorme onda de choque foi encontrada ao redor de uma anã branca. O problema é que nenhuma das explicações conhecidas consegue justificar como ela continua ativa.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O espaço pode parecer silencioso e tranquilo quando observado de longe. Na prática, porém, está repleto de processos extremamente violentos. Estrelas explodem, ventos carregados de partículas atravessam sistemas inteiros e objetos celestes arrancam matéria uns dos outros.

A maioria desses fenômenos segue mecanismos que os astrônomos conhecem relativamente bem. De vez em quando, porém, aparece algo que simplesmente não se encaixa nos modelos existentes. É o que está acontecendo com RXJ0528+2838, uma estrela morta localizada a cerca de 730 anos-luz da Terra.

Astrônomos encontraram ao redor dela uma enorme onda de choque. E, até agora, não conseguem explicar de onde vem a energia necessária para mantê-la.

Uma onda de choque que não deveria estar ali

Ondas Gravitacionais1
© Maggie Chiang – Simons Foundation

A descoberta começou com observações feitas pelo Telescópio Isaac Newton, localizado na ilha de La Palma, na Espanha. Os pesquisadores identificaram uma estrutura incomum ao redor de RXJ0528+2838, uma anã branca.

Tratava-se de uma onda de choque de proa, uma estrutura curva que lembra as ondas formadas na água diante de um barco em movimento.

No espaço, esse tipo de fenômeno normalmente aparece quando grandes quantidades de material são lançadas por uma estrela e colidem com o meio ao seu redor.

No caso de uma anã branca em um sistema binário, existem algumas explicações possíveis. O material pode vir dos ventos da estrela companheira, de uma explosão termonuclear na superfície da própria anã branca ou de um disco de acreção.

Esse disco surge quando a anã branca começa a capturar matéria de sua companheira. O problema é que nenhuma dessas possibilidades explica completamente o que os astrônomos encontraram.

Os cientistas procuraram um disco de acreção, mas ele não existe

A assinatura energética observada não corresponde à esperada de uma explosão termonuclear. A intensidade da onda também não combina com o material produzido pelos ventos da estrela companheira.

Restaria, portanto, o disco de acreção.

Só que os astrônomos não encontraram nenhum.

O resultado foi tão inesperado que a equipe decidiu realizar novas observações usando o Very Large Telescope (VLT), instalado no deserto do Atacama, no Chile.

O poderoso observatório permitiu analisar o sistema com muito mais precisão. Ainda assim, o mistério permaneceu.

RXJ0528+2838 realmente possui uma estrela companheira semelhante ao Sol. Portanto, existe uma fonte de matéria que poderia alimentar o fenômeno.

O problema continua sendo descobrir como esse material está sendo capturado e lançado novamente ao espaço.

O campo magnético pode explicar parte do mistério

Uma das hipóteses envolve o campo magnético da anã branca.

Os pesquisadores acreditam que ele pode ser forte o suficiente para arrancar matéria diretamente da estrela companheira e conduzi-la até a anã branca, impedindo a formação de um disco de acreção convencional.

Isso explicaria por que nenhum disco foi detectado.

Mas cria outro problema.

Pelo tamanho da onda de choque observada, os cientistas estimam que o fenômeno esteja ativo há pelo menos 1.000 anos. O campo magnético atual de RXJ0528+2838, porém, conseguiria sustentar esse processo por apenas algumas centenas de anos.

Em outras palavras, a onda deveria ter desaparecido há muito tempo.

Pode existir um “motor” ainda desconhecido

Estrela Familiar1
© Wikiwand

A possibilidade levantada pelos pesquisadores é que exista alguma fonte adicional de energia atuando no sistema.

Esse mecanismo invisível estaria aumentando a capacidade da anã branca de capturar matéria de sua companheira e lançá-la novamente no espaço, mantendo a enorme onda de choque durante muito mais tempo do que os modelos atuais permitem explicar.

Por enquanto, ninguém sabe exatamente qual seria esse mecanismo.

A expectativa é que observações futuras com o Extremely Large Telescope (ELT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), permitam estudar RXJ0528+2838 e outros sistemas semelhantes com muito mais detalhes.

A descoberta pode não representar apenas uma exceção curiosa. Ela também pode indicar que existe um mecanismo ainda desconhecido atuando em determinados sistemas de estrelas mortas — e que nossa compreensão sobre o comportamento das anãs brancas ainda está longe de estar completa.

 

[ Fonte: Xataka ]

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