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Ciência

Uma gigantesca faixa marrom apareceu no Atlântico e já pode ser vista do espaço — fenômeno preocupa cientistas

Satélites observam há anos uma enorme faixa marrom atravessando o Atlântico. O fenômeno cresce rapidamente e levanta alertas sobre impactos ambientais que podem afetar ecossistemas e regiões costeiras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Do espaço, o planeta Terra revela detalhes que muitas vezes passam despercebidos aqui embaixo. Estruturas gigantes, desertos e até cidades inteiras podem ser vistas em imagens de satélite. Nos últimos anos, porém, cientistas passaram a notar algo diferente no Oceano Atlântico: uma extensa faixa marrom que parece atravessar o mar de um continente ao outro. O fenômeno vem sendo monitorado por satélites da NASA e já chamou a atenção da comunidade científica.

A enorme faixa marrom que atravessa o Atlântico

Uma gigantesca faixa marrom apareceu no Atlântico e já pode ser vista do espaço — fenômeno preocupa cientistas
© https://x.com/RAM_meteo

O que os satélites registraram não é uma ilha nem um novo continente, mas sim uma gigantesca concentração de algas marinhas.

Essa formação recebeu o nome de Grande Cinturão de Sargaço.

Trata-se de uma imensa massa de algas pardas que se estende por mais de 8.000 quilômetros, distância superior à que separa Nova York de Madrid.

Em algumas medições recentes, cientistas estimaram que essa formação pode pesar cerca de 37,5 milhões de toneladas.

Vista do espaço, a estrutura aparece como uma longa faixa marrom que atravessa o oceano.

O fenômeno se estende do Golfo do México, passando pelo Caribe, até alcançar regiões próximas à costa oeste da África.

Como surgiu o Grande Cinturão de Sargaço

Uma gigantesca faixa marrom apareceu no Atlântico e já pode ser vista do espaço — fenômeno preocupa cientistas
© https://x.com/canal6tv

O sargaço não é uma alga desconhecida para os cientistas.

Historicamente, esse tipo de alga vivia concentrado no Mar dos Sargaços, uma região específica do Atlântico Norte conhecida por abrigar grandes quantidades dessa vegetação marinha.

Durante décadas, esse ecossistema permaneceu relativamente estável.

Mas a partir de 2011, satélites começaram a registrar algo diferente: o sargaço passou a se espalhar por áreas muito maiores do oceano.

Desde então, enormes massas de algas têm surgido praticamente todos os anos — com exceção de 2013 — formando esse gigantesco cinturão no Atlântico.

Por que esse fenômeno preocupa cientistas

Embora o sargaço faça parte do ecossistema marinho e sirva de abrigo para várias espécies, seu crescimento em escala tão grande tem causado preocupação.

Quando essas algas chegam às praias em grandes quantidades, começam a se decompor rapidamente.

Durante esse processo, elas liberam sulfeto de hidrogênio, um gás tóxico com cheiro forte que pode afetar a saúde humana e prejudicar ecossistemas costeiros.

Além disso, o acúmulo excessivo de algas pode:

  • reduzir o oxigênio na água
  • prejudicar recifes de coral
  • afetar atividades turísticas
  • alterar o equilíbrio de habitats marinhos

Em casos extremos, o problema pode até interferir em infraestruturas costeiras.

O cientista Brian Lapointe, do Harbor Branch Oceanographic Institute, lembra que uma grande quantidade de sargaço chegou a provocar o fechamento emergencial de uma usina nuclear na Flórida em 1991.

O que está alimentando o crescimento dessas algas

Pesquisas que analisaram amostras de sargaço desde a década de 1980 identificaram mudanças importantes na composição dessas algas.

Entre 1980 e 2020, os cientistas observaram:

  • aumento de 55% na concentração de nitrogênio
  • crescimento de 50% na proporção entre nitrogênio e fósforo

Esses nutrientes funcionam como fertilizantes naturais para as algas.

O problema é que uma parte significativa deles não vem do oceano, mas da atividade humana em terra firme.

Entre as principais fontes estão:

  • escoamento de fertilizantes agrícolas
  • despejo de águas residuais
  • nutrientes transportados por grandes rios, como o Amazonas

Esses elementos acabam chegando ao oceano e estimulando o crescimento acelerado das algas.

As correntes marítimas então espalham o sargaço pelo Atlântico.

Um alerta ambiental para o futuro dos oceanos

O crescimento do Grande Cinturão de Sargaço passou a ser visto por cientistas como um possível sinal de alerta ecológico.

Embora o fenômeno seja impressionante do ponto de vista visual, ele pode indicar desequilíbrios nos ciclos naturais de nutrientes dos oceanos.

Especialistas afirmam que a principal forma de reduzir esse problema é limitar a quantidade de nutrientes que chegam ao mar.

Isso inclui controlar melhor o uso de fertilizantes agrícolas e melhorar o tratamento de águas residuais.

Caso essas fontes continuem aumentando, pesquisadores temem que fenômenos semelhantes possam surgir em outras regiões do oceano.

Por enquanto, satélites seguem monitorando o crescimento dessa enorme faixa marinha que, vista do espaço, já parece desenhar um novo “continente” no Atlântico.

[Fonte: Xataka]

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