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Ciência

Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de Alzheimer, diz estudo

Um novo estudo publicado na Nature Medicine sugere que o vírus da herpes-zóster — o mesmo da catapora — pode aumentar o risco de demência. A boa notícia: a vacinação contra a doença parece reduzir significativamente essa chance, especialmente em quem recebeu mais de uma dose.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A ciência acaba de revelar mais uma possível peça no quebra-cabeça da demência. Segundo uma pesquisa da revista Nature Medicine, a vacina contra a herpes-zóster pode ajudar a prevenir doenças como o Alzheimer. O estudo aponta que reativações do vírus varicela-zoster estariam ligadas ao surgimento de quadros demenciais — e que o imunizante pode ser uma forma de proteção eficaz.

O vírus que dorme e volta a atacar

A herpes-zóster é causada pelo vírus varicela-zoster, o mesmo que provoca a catapora. Depois que alguém se recupera da infecção, o vírus não vai embora: ele fica “adormecido” no sistema nervoso, podendo ser reativado anos depois — especialmente quando o sistema imunológico está enfraquecido.

Quando isso acontece, surgem erupções dolorosas na pele, que podem durar até quatro semanas. Mas o novo estudo mostra que o impacto do vírus pode ir além da pele, afetando também o cérebro.

O que os cientistas descobriram

Pesquisadores analisaram registros médicos de mais de 100 milhões de pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas entre 2007 e 2023. O estudo, feito com base na plataforma americana Optum EHR, comparou dados de quem teve herpes-zóster ou foi vacinado com os de quem nunca teve contato com o vírus.

Os resultados foram claros: pessoas que tiveram mais de um episódio de herpes-zóster apresentaram até 9% mais risco de desenvolver demência nos anos seguintes. Por outro lado, os vacinados tiveram menos chances de desenvolver Alzheimer e outras formas de degeneração cognitiva.

E mais: quem recebeu duas ou mais doses da vacina recombinante teve proteção ainda maior do que quem tomou apenas uma.

Um passo promissor, mas não definitivo

Os cientistas afirmam que os resultados são fortes o bastante para considerar o vírus varicela-zoster um possível fator de risco modificável para a demência — ou seja, algo que pode ser prevenido. No entanto, eles destacam que ainda não há prova de uma relação de causa e efeito.

Mais estudos serão necessários para entender exatamente como a infecção afeta o cérebro. Ainda assim, os dados reforçam a importância da vacinação, especialmente em adultos acima dos 50 anos.

Um alerta e uma esperança

Embora a ligação entre herpes-zóster e demência ainda precise de mais evidências, o estudo traz uma mensagem importante: prevenir reativações do vírus pode ser uma forma de proteger também o cérebro. A vacina, antes vista apenas como uma forma de evitar dor e erupções cutâneas, pode estar abrindo caminho para algo muito maior — talvez até uma nova estratégia contra o Alzheimer.

[Fonte: CNN Brasil]

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