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Ciência

5 conselhos de dermatologistas para adolescentes cuidarem da pele sem exagerar

Rotinas complexas popularizadas nas redes sociais podem irritar a pele jovem. Para a maioria dos adolescentes, cuidados básicos e consistentes são mais importantes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

As redes sociais transformaram os cuidados com a pele em uma verdadeira obsessão entre adolescentes. Vídeos com rotinas de vários passos prometem reduzir poros, eliminar espinhas e produzir a famosa “pele de vidro”.

O problema é que esse padrão dificilmente corresponde à pele humana real.

O dermatologista britânico Jonathan Kentley afirma que imagens excessivamente filtradas ajudam a criar expectativas pouco realistas. Poros, espinhas, manchas, vermelhidão e pequenas cicatrizes são extremamente comuns, especialmente durante a adolescência.

E tentar eliminar cada imperfeição utilizando cada vez mais produtos pode acabar provocando justamente o efeito contrário.

Acne na adolescência é normal e pode ser tratada

Acne
© Roberta Sant’Anna – Unsplash

As mudanças hormonais da puberdade aumentam a produção de sebo, enquanto células mortas podem bloquear os folículos. Bactérias e inflamação também participam do processo que leva ao aparecimento da acne.

O NHS explica que alterações hormonais durante a puberdade estão entre as principais causas da acne, uma condição extremamente comum entre adolescentes.

A dermatologista Zainab Laftah destaca que tanto meninos quanto meninas podem apresentar essas alterações.

“O acne é muito comum, normal e tratável”, explica.

Um dos ingredientes utilizados no tratamento é o ácido salicílico. Ele ajuda a desobstruir os poros e pode ser encontrado em diferentes concentrações e produtos. A American Academy of Dermatology (AAD) inclui o ácido salicílico entre os tratamentos utilizados contra cravos e espinhas.

Isso não significa, porém, que adolescentes devam combinar vários ativos ao mesmo tempo. O excesso pode ressecar e irritar a pele.

1. Mantenha os cuidados com a pele simples

Para a maioria dos adolescentes, não existe necessidade de montar uma coleção de produtos.

Uma rotina básica pode começar com um limpador facial suave, hidratante adequado ao tipo de pele e proteção solar.

A American Academy of Dermatology recomenda lavar suavemente o rosto e evitar produtos agressivos. A entidade também orienta o uso de protetor solar de amplo espectro, resistente à água e com FPS 30 ou superior.

A lógica é simples: mais produtos não significam necessariamente uma pele melhor.

2. Cuidado com ácidos, retinoides e esfoliação excessiva

Skincare inteligente: a ciência está mudando completamente a forma de cuidar da pele
© Pexels

Séruns, tônicos, máscaras e diferentes ingredientes ativos aparecem constantemente em vídeos de skincare. O problema começa quando vários deles são utilizados simultaneamente sem necessidade.

Produtos agressivos podem provocar ressecamento e irritação. A própria AAD recomenda evitar adstringentes, alguns tônicos e esfoliantes quando eles irritam a pele.

Kentley afirma ter observado mais adolescentes com dermatite perioral associada a rotinas excessivamente agressivas.

Laftah também alerta para jovens que adotam rotinas desenvolvidas para adultos e combinam numerosos produtos ativos.

A pele não precisa arder ou descamar para que um tratamento esteja funcionando.

3. Sono e alimentação também merecem atenção

A relação entre alimentação e acne é mais complicada do que algumas publicações nas redes sociais fazem parecer.

Existem pesquisas associando dietas de alta carga glicêmica a uma maior ocorrência de acne em algumas pessoas. Entretanto, isso não significa que comer determinado alimento provoque automaticamente uma crise.

A American Academy of Dermatology afirma que alguns estudos encontraram melhora da acne com dietas de baixa carga glicêmica, mas ressalta que outras pesquisas não encontraram a mesma relação e que ainda são necessários mais estudos.

O sono também pode ter influência. A AAD aponta que dormir pouco e passar por períodos de maior estresse podem estar associados à piora da acne em algumas pessoas.

Portanto, não existe uma dieta milagrosa para conseguir uma pele perfeita. Alimentação equilibrada, sono adequado e atenção aos próprios gatilhos são estratégias mais sensatas.

4. Não esprema as espinhas

Pode ser difícil resistir, mas apertar uma espinha aumenta o risco de transformar um problema temporário em uma marca duradoura.

A AAD alerta que espremer ou cutucar a acne pode aumentar o risco de cicatrizes e manchas escuras.

Laftah considera os adesivos hidrocoloides uma das tendências das redes sociais que podem ser úteis em determinados casos.

Eles podem absorver líquido de lesões superficiais e criar uma barreira física que dificulta ficar tocando a região.

5. Saiba quando procurar um dermatologista

Nem toda acne deve ser tratada apenas com produtos vendidos livremente.

Lesões profundas, dolorosas, persistentes ou que deixam cicatrizes merecem avaliação profissional.

O NHS recomenda procurar atendimento médico quando a acne não melhora com cuidados básicos, apresenta muitas lesões profundas ou dolorosas ou começa a provocar cicatrizes.

Um dermatologista pode identificar o tipo de acne e, quando necessário, utilizar tratamentos mais potentes e medicamentos que exigem prescrição.

E os meninos?

As mudanças hormonais também podem deixar a pele masculina mais oleosa. Além disso, existe outro fator que começa a fazer parte da rotina de muitos adolescentes: o barbear.

Passar a lâmina pode irritar a pele e favorecer problemas nos folículos.

A British Association of Dermatologists explica que a pseudofoliculite, conhecida popularmente como irritação ou “caroços” provocados pela lâmina, acontece quando os pelos ficam presos sob a superfície da pele e provocam inflamação.

Kentley recomenda preparar a pele antes de fazer a barba, utilizar um produto lubrificante e evitar passar repetidamente a lâmina sobre a mesma região.

Também é importante observar a direção de crescimento dos pelos e evitar um barbear excessivamente rente quando existe tendência à irritação.

No fim, os dermatologistas defendem uma abordagem muito menos complicada do que aquela apresentada em muitos vídeos.

A pele adolescente terá poros, espinhas e outras imperfeições. Isso faz parte de uma fase marcada por grandes mudanças hormonais.

Em vez de perseguir uma “pele de vidro” que muitas vezes só existe graças a filtros e edição, uma rotina simples, proteção solar e tratamento dermatológico quando necessário são caminhos muito mais realistas para manter a pele saudável.

 

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