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Tecnologia

A Apple sobreviveu à saída de Steve Jobs. Agora precisa descobrir o que vem depois do iPhone

Durante 15 anos, a Apple provou que conseguia crescer sem seu fundador mais famoso. Agora, uma nova liderança chega diante de um desafio que pode redefinir o futuro da empresa.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando Steve Jobs deixou o comando da Apple, em 2011, havia uma dúvida que parecia impossível de responder: a empresa conseguiria continuar inovando sem a pessoa que havia se tornado praticamente sinônimo de sua identidade? Quinze anos depois, os números contam uma história surpreendente. A Apple não apenas sobreviveu à ausência de Jobs como se transformou em uma gigante ainda maior. Agora, porém, uma nova era está começando.

Tim Cook transformou a Apple em uma máquina de escala global

Em 24 de agosto de 2011, Steve Jobs renunciou ao cargo de CEO da Apple. Ele havia conduzido a companhia por uma das maiores transformações da história da tecnologia, com produtos como Mac, iPod, iPhone e iPad.

Seu sucessor tinha um perfil bastante diferente.

Tim Cook era conhecido muito mais pela experiência em operações, logística e cadeia de produção do que pelo protagonismo dos grandes lançamentos. Para muitos observadores, essa diferença levantava dúvidas sobre o futuro da Apple.

O tempo acabou oferecendo uma resposta bastante clara.

No ano fiscal de 2025, a Apple registrou cerca de US$ 416 bilhões em receita, um recorde para a companhia. No segundo trimestre fiscal de 2026, as vendas chegaram a US$ 111,2 bilhões, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A empresa também continuou disputando o posto de companhia mais valiosa do mundo. Em julho de 2026, chegou a ultrapassar temporariamente a Nvidia e atingiu uma capitalização próxima de US$ 4,88 trilhões, antes de perder parte desse terreno com a volatilidade das ações ligadas à corrida pela inteligência artificial.

Cook construiu algo diferente do legado de Jobs: uma Apple capaz de crescer em escala gigantesca e transformar seus produtos em um ecossistema econômico muito mais amplo.

Mas essa expansão também criou uma nova dependência.

O iPhone continua central, mas a Apple deixou de depender apenas dele

O iPhone ainda é o coração da Apple. Porém, olhar apenas para o smartphone é ignorar uma transformação importante ocorrida nos últimos 15 anos.

Serviços como App Store, iCloud, Apple Music, Apple TV e Apple Pay criaram uma fonte recorrente de receita ligada à enorme base de usuários da empresa.

Ao mesmo tempo, a Apple lançou categorias de produtos que nem sequer existiam quando Jobs deixou o cargo. Apple Watch, AirPods e Vision Pro passaram a fazer parte do portfólio e ajudaram a ampliar o ecossistema.

Essa diversificação foi uma das marcas da era Cook.

Mas existe uma ironia: quanto maior e mais lucrativa a estrutura construída pela Apple, maior também é o desafio de encontrar o próximo grande motor de crescimento.

E o próximo capítulo não será decidido apenas por um novo iPhone.

A empresa agora precisa competir em uma transformação tecnológica que avançou rapidamente enquanto ela adotava uma postura mais cautelosa: a inteligência artificial.

É nesse cenário que a sucessão de Cook ganha uma dimensão muito maior do que uma simples troca de CEO.

John Ternus recebe uma Apple diferente daquela que Cook encontrou

Desta vez, a sucessão não é um mistério.

A Apple anunciou que John Ternus assumirá como CEO em 1º de setembro de 2026. Cook deixará a direção executiva, mas continuará na companhia como presidente executivo do conselho.

Ternus já possui uma longa trajetória dentro da Apple e atualmente lidera a área de Engenharia de Hardware. Participou do desenvolvimento de produtos como Mac, iPad e AirPods e trabalhou em questões relacionadas a materiais, durabilidade e fabricação.

Sua chegada também envia um sinal importante sobre a direção da companhia.

Depois de anos em que serviços, operações e escala ganharam enorme importância, o produto volta a ocupar um lugar central na liderança.

Mas Ternus não recebe a mesma Apple que Cook herdou de Jobs.

A competição tecnológica agora é dominada pela inteligência artificial. OpenAI, Google, Microsoft e Meta avançaram rapidamente em modelos generativos e novos sistemas de IA, enquanto a Apple precisou acelerar seus próprios esforços.

A empresa apresentou uma nova geração do Apple Intelligence e da Siri, além de uma arquitetura renovada de modelos fundamentais integrada aos seus dispositivos.

O desafio será fazer com que essa tecnologia não pareça apenas mais um recurso do iPhone, mas parte de uma transformação maior.

Ao mesmo tempo, a Apple precisa continuar reorganizando sua gigantesca cadeia de produção. A Índia, por exemplo, ganhou importância crescente e pode responder por cerca de 26% da fabricação mundial de iPhones em 2026.

Cook provou que a Apple podia sobreviver sem Steve Jobs.

Agora, Ternus terá de responder a uma pergunta muito mais difícil: a Apple conseguirá continuar sendo uma das empresas mais importantes da tecnologia quando a próxima grande plataforma talvez não seja um aparelho, mas a inteligência que existe dentro dele?

Essa será a verdadeira prova da nova era.

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