Quando Steve Jobs deixou o comando da Apple, em 2011, havia uma dúvida que parecia impossível de responder: a empresa conseguiria continuar inovando sem a pessoa que havia se tornado praticamente sinônimo de sua identidade? Quinze anos depois, os números contam uma história surpreendente. A Apple não apenas sobreviveu à ausência de Jobs como se transformou em uma gigante ainda maior. Agora, porém, uma nova era está começando.
Tim Cook transformou a Apple em uma máquina de escala global
Em 24 de agosto de 2011, Steve Jobs renunciou ao cargo de CEO da Apple. Ele havia conduzido a companhia por uma das maiores transformações da história da tecnologia, com produtos como Mac, iPod, iPhone e iPad.
Seu sucessor tinha um perfil bastante diferente.
Tim Cook era conhecido muito mais pela experiência em operações, logística e cadeia de produção do que pelo protagonismo dos grandes lançamentos. Para muitos observadores, essa diferença levantava dúvidas sobre o futuro da Apple.
O tempo acabou oferecendo uma resposta bastante clara.
No ano fiscal de 2025, a Apple registrou cerca de US$ 416 bilhões em receita, um recorde para a companhia. No segundo trimestre fiscal de 2026, as vendas chegaram a US$ 111,2 bilhões, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A empresa também continuou disputando o posto de companhia mais valiosa do mundo. Em julho de 2026, chegou a ultrapassar temporariamente a Nvidia e atingiu uma capitalização próxima de US$ 4,88 trilhões, antes de perder parte desse terreno com a volatilidade das ações ligadas à corrida pela inteligência artificial.
Cook construiu algo diferente do legado de Jobs: uma Apple capaz de crescer em escala gigantesca e transformar seus produtos em um ecossistema econômico muito mais amplo.
Mas essa expansão também criou uma nova dependência.
Apple: Tim Cook will step down as CEO at the end of August, with John Ternus set to take over as Apple's new CEO on September 1, 2026. Cook will remain with Apple as executive chairman.#apple #timcook #johnternus #technews #applenews pic.twitter.com/k0nn5AN1kK
— Tech Mansion (@TechMansion) August 7, 2026
O iPhone continua central, mas a Apple deixou de depender apenas dele
O iPhone ainda é o coração da Apple. Porém, olhar apenas para o smartphone é ignorar uma transformação importante ocorrida nos últimos 15 anos.
Serviços como App Store, iCloud, Apple Music, Apple TV e Apple Pay criaram uma fonte recorrente de receita ligada à enorme base de usuários da empresa.
Ao mesmo tempo, a Apple lançou categorias de produtos que nem sequer existiam quando Jobs deixou o cargo. Apple Watch, AirPods e Vision Pro passaram a fazer parte do portfólio e ajudaram a ampliar o ecossistema.
Essa diversificação foi uma das marcas da era Cook.
Mas existe uma ironia: quanto maior e mais lucrativa a estrutura construída pela Apple, maior também é o desafio de encontrar o próximo grande motor de crescimento.
E o próximo capítulo não será decidido apenas por um novo iPhone.
A empresa agora precisa competir em uma transformação tecnológica que avançou rapidamente enquanto ela adotava uma postura mais cautelosa: a inteligência artificial.
É nesse cenário que a sucessão de Cook ganha uma dimensão muito maior do que uma simples troca de CEO.
John Ternus recebe uma Apple diferente daquela que Cook encontrou
Desta vez, a sucessão não é um mistério.
A Apple anunciou que John Ternus assumirá como CEO em 1º de setembro de 2026. Cook deixará a direção executiva, mas continuará na companhia como presidente executivo do conselho.
Ternus já possui uma longa trajetória dentro da Apple e atualmente lidera a área de Engenharia de Hardware. Participou do desenvolvimento de produtos como Mac, iPad e AirPods e trabalhou em questões relacionadas a materiais, durabilidade e fabricação.
Sua chegada também envia um sinal importante sobre a direção da companhia.
Depois de anos em que serviços, operações e escala ganharam enorme importância, o produto volta a ocupar um lugar central na liderança.
Mas Ternus não recebe a mesma Apple que Cook herdou de Jobs.
A competição tecnológica agora é dominada pela inteligência artificial. OpenAI, Google, Microsoft e Meta avançaram rapidamente em modelos generativos e novos sistemas de IA, enquanto a Apple precisou acelerar seus próprios esforços.
A empresa apresentou uma nova geração do Apple Intelligence e da Siri, além de uma arquitetura renovada de modelos fundamentais integrada aos seus dispositivos.
O desafio será fazer com que essa tecnologia não pareça apenas mais um recurso do iPhone, mas parte de uma transformação maior.
Ao mesmo tempo, a Apple precisa continuar reorganizando sua gigantesca cadeia de produção. A Índia, por exemplo, ganhou importância crescente e pode responder por cerca de 26% da fabricação mundial de iPhones em 2026.
Cook provou que a Apple podia sobreviver sem Steve Jobs.
Agora, Ternus terá de responder a uma pergunta muito mais difícil: a Apple conseguirá continuar sendo uma das empresas mais importantes da tecnologia quando a próxima grande plataforma talvez não seja um aparelho, mas a inteligência que existe dentro dele?
Essa será a verdadeira prova da nova era.