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Trump reuniu Xi Jinping e os maiores nomes da tecnologia em uma noite marcada pelo que quase ninguém falou

A Casa Branca reuniu líderes políticos, bilionários e alguns dos nomes mais poderosos da tecnologia, mas um dos assuntos mais importantes do momento ficou surpreendentemente em segundo plano.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma mesa capaz de reunir Donald Trump, Xi Jinping e alguns dos empresários mais influentes do planeta naturalmente desperta expectativas. Ainda mais quando Estados Unidos e China disputam espaço em uma tecnologia que pode redefinir a economia mundial. A visita de Estado do líder chinês a Washington teve cerimônia, empresários bilionários e conversas reservadas. Mas foi justamente aquilo que apareceu pouco nos discursos públicos que acabou chamando atenção.

Uma mesa que parecia reunir boa parte do poder tecnológico mundial

A cena na Casa Branca era difícil de ignorar. Durante a visita de Estado de Xi Jinping aos Estados Unidos, alguns dos principais executivos de tecnologia, finanças e indústria participaram de um jantar oferecido em homenagem ao presidente chinês.

Entre os nomes presentes estavam Sam Altman, Jensen Huang, Elon Musk e Jeff Bezos. Somente esses empresários representam companhias diretamente envolvidas na transformação tecnológica em andamento, especialmente na corrida pela inteligência artificial.

A lista era ainda maior. Tim Cook, da Apple, Mark Zuckerberg, da Meta, Sundar Pichai e Sergey Brin, da Alphabet, além de Lisa Su, da AMD, também estavam entre os convidados. Fora do setor tecnológico, executivos como Jamie Dimon, Larry Fink, Jane Fraser e Mary Barra reforçavam o peso econômico do encontro.

Havia ainda convidados menos óbvios, como Bernard Arnault e seu filho Alexandre, da LVMH, além do bilionário Jeff Yass, investidor da ByteDance. A presença de tantos empresários contrastou com a ausência de grandes executivos chineses na lista oficial.

Tudo parecia preparado para uma grande conversa sobre o futuro tecnológico. Mas não foi exatamente isso que aconteceu diante das câmeras.

A inteligência artificial estava em toda parte, menos nos discursos

Trump reuniu Xi Jinping e os maiores nomes da tecnologia em uma noite marcada pelo que quase ninguém falou
© Imagem gerada com IA

A inteligência artificial é um dos pontos mais delicados da relação entre Estados Unidos e China. Os dois países investem pesadamente na tecnologia, enquanto Washington mantém restrições sobre componentes avançados e Pequim tenta acelerar sua própria capacidade tecnológica.

Mesmo assim, Trump não colocou a IA no centro de seu discurso preparado para o jantar. A ausência chamou atenção justamente porque vários dos empresários presentes comandam companhias diretamente responsáveis pela expansão dessa tecnologia.

Horas antes, Trump havia indicado publicamente que não pretendia ampliar naquele momento as salvaguardas impostas ao desenvolvimento da IA. Xi, por outro lado, adotou uma formulação diferente ao defender que a tecnologia permaneça sob controle humano e seja administrada em benefício das pessoas.

Isso não significa que o assunto tenha desaparecido completamente.

Segundo informações divulgadas após a reunião, Trump e Xi conversaram reservadamente sobre inteligência artificial e segurança. Os dois líderes também discutiram comércio, Taiwan e conflitos internacionais.

O contraste ficou evidente: enquanto a IA ocupava discretamente as conversas privadas, a cerimônia pública privilegiava a diplomacia e a demonstração de aproximação entre as duas potências.

Por trás da cerimônia existe uma disputa que vale bilhões

O encontro ocorre em um momento em que a rivalidade tecnológica entre Washington e Pequim está mudando de formato. As disputas comerciais mais amplas deram espaço a batalhas específicas por semicondutores, infraestrutura, inteligência artificial e acesso a tecnologias estratégicas.

Empresas chinesas vêm reduzindo a distância em relação às concorrentes americanas em determinadas áreas da IA. Os Estados Unidos, por sua vez, tentam preservar vantagens em chips avançados e capacidade computacional.

Essa corrida ajuda a explicar por que nomes como Jensen Huang, Sam Altman, Mark Zuckerberg e Elon Musk eram especialmente relevantes naquela sala. Eles não representavam apenas grandes fortunas, mas empresas diretamente ligadas à infraestrutura e aos modelos que estão definindo a próxima fase da inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, o encontro não produziu publicamente grandes anúncios sobre algumas das questões econômicas que cercavam a visita.

Autoridades dos dois países vinham discutindo, por exemplo, maior abertura do mercado chinês para produtos agrícolas e energéticos americanos. A ausência inicial de detalhes concretos deixou investidores esperando por informações mais específicas.

A verdadeira disputa continuou depois que o jantar terminou

Enquanto líderes políticos e executivos ocupavam a Casa Branca, outra parte da corrida pela IA acontecia longe dos salões diplomáticos.

A infraestrutura necessária para sustentar essa tecnologia está se tornando gigantesca. Um exemplo é o Projeto Júpiter, centro de dados previsto para fornecer capacidade computacional à OpenAI dentro do projeto Stargate. A instalação enfrenta desafios relacionados a licenciamento e infraestrutura energética no Novo México.

Ao mesmo tempo, a competição está chegando diretamente aos consumidores. A Meta avança com o Muse, seu agente de inteligência artificial voltado também para compras e serviços. Segundo os dados citados pela reportagem, a ferramenta alcançou cerca de 3,4 milhões de downloads desde seu lançamento em setembro.

Amazon, por sua vez, bloqueou o acesso do Muse à sua plataforma, enquanto empresas como Walmart, Best Buy, Sephora, Instacart, Expedia e OpenTable adotaram diferentes formas de integração com agentes de IA.

É nesse cenário que a reunião entre Trump, Xi e os magnatas da tecnologia ganha uma dimensão maior. O jantar ofereceu poucas revelações públicas sobre inteligência artificial, mas colocou na mesma sala boa parte dos protagonistas de uma disputa tecnológica que já ultrapassou laboratórios e governos.

Talvez o detalhe mais significativo daquela noite, portanto, não tenha sido o que apareceu nos discursos, mas o tamanho dos interesses reunidos ao redor da mesma mesa.

[Fonte: Ambito]

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