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Tecnologia

A arma que Moscou queria nunca ver: Tomahawk chega à pauta da guerra

A palavra que Moscou sempre considerou um tabu agora está em pauta. A Ucrânia pediu oficialmente mísseis de longo alcance que poderiam atingir o coração da Rússia, forçando os Estados Unidos e a Europa a ponderar sobre os limites de sua participação e o risco de uma escalada global.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A decisão de fornecer esses mísseis não é apenas técnica, mas estratégica. Ao pedir Tomahawks, a Ucrânia não busca apenas um armamento, mas enviar um sinal claro: nenhuma cidade russa estaria fora de alcance. Essa escolha coloca aliados ocidentais diante de dilemas inéditos sobre dissuasão e conflito direto.

O pedido ucraniano e o tabu do Tomahawk

Desde a invasão em 2022, a Ucrânia vem solicitando armamentos de maior alcance. Primeiro vieram os HIMARS, depois os ATACMS e mais tarde os mísseis Taurus da Alemanha. Mas o nome que sempre foi vetado, uma palavra quase proibida, é Tomahawk — mísseis de cruzeiro capazes de atingir entre 1.500 e 2.500 km, colocando Moscou, São Petersburgo e o núcleo político do Kremlin na mira.

O presidente Zelenski pediu publicamente aos Estados Unidos que forneçam os Tomahawks, um gesto que não é apenas militar, mas simbólico, sinalizando disposição para expandir o alcance estratégico da Ucrânia.

A reação de Moscou

O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitri Peskov, informou que está realizando uma análise detalhada sobre as implicações da presença desses mísseis na Ucrânia. O ponto crítico não é apenas o alcance técnico, mas quem controlaria o lançamento. Se os ucranianos operarem sozinhos, a ameaça já é significativa; se houver pessoal americano envolvido, Moscou poderia considerar um confronto direto entre potências.

Bases europeias poderiam se tornar alvos legítimos caso sirvam de plataforma para ataques contra o território russo, evidenciando o risco de escalada.

A escalada gradual: ATACMS, Taurus e Tomahawk

  • ATACMS: mísseis balísticos táticos de até 300 km, usados para depósitos e aeródromos próximos à linha de frente. 
  • Taurus: mísseis de cruzeiro de 500 km, capazes de destruir bunkers e alvos fortemente protegidos. 
  • Tomahawk: alcance de até 2.500 km, com capacidade de atingir centros estratégicos russos. 

Cada salto no alcance representa um nível crescente de risco, de desgaste tático a dissuasão estratégica.

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© Raytheon

Mudança na postura americana

Durante o governo Biden, o medo de uma escalada nuclear limitava a entrega de armas de longo alcance. ATACMS foram autorizados, mas sem atacar solo russo. Sob Trump, o discurso mudou: a vitória da Ucrânia passou a ser prioridade, e declarações como “não existem santuários” refletem uma disposição maior de fornecer armas antes restritas.

Isso pressiona a Europa a considerar liberar seus próprios mísseis de longo alcance, como os Taurus.

Disputa entre dissuasão e risco direto

Para Kiev, os Tomahawks representam um salto qualitativo: atingir depósitos estratégicos, centros de comando e bases no interior da Rússia, minando sua logística. Para Moscou, representam uma linha vermelha difusa, que poderia justificar represálias diretas contra os fornecedores ou operadores.

O dilema é extremo: equilibrar a guerra com mísseis de longo alcance ou evitar que a escalada envolva a OTAN em um confronto direto com Moscou. Ao mencionar o nome proibido, a Ucrânia lança um desafio: forçar o Ocidente a decidir até onde está disposto a ir para defender sua causa.

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