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Drones da guerra na Ucrânia começam a cruzar fronteiras da Europa

Primeiro foram drones enfrentando drones. Depois, enxames equipados com inteligência artificial. Agora, um novo capítulo inquietante da guerra na Ucrânia veio à tona: drones de ataque estão se perdendo e caindo em países que não fazem parte do conflito. O caso mais recente aconteceu na Estônia, mas já preocupa toda a região do Báltico.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um agricultor encontrou em seu campo, a apenas 80 quilômetros da fronteira russa, os destroços de um drone ucraniano. Segundo autoridades locais, a aeronave tinha como alvo instalações militares em São Petersburgo, mas acabou desviada por bloqueios eletrônicos russos e perdeu a rota.

O episódio é simbólico: foi a primeira vez que um drone ucraniano entrou em território de um país neutro desde 2022. Para os especialistas, isso mostra como as fronteiras aéreas da Europa estão cada vez mais vulneráveis diante da guerra tecnológica travada por Moscou e Kiev.

Spoofing, jamming e a guerra invisível

De acordo com a diretora do serviço de segurança da Estônia, Margo Palloson, o drone foi derrubado pelo uso de técnicas como spoofing (imitação de sinais de GPS) e jamming (bloqueio eletrônico). Essas armas invisíveis transformaram a fronteira russa em uma espécie de “muro digital”, capaz de desorientar aeronaves militares — e até civis.

O ministro da Defesa, Hanno Pevkur, confirmou que não se trata de um caso isolado. Drones ucranianos já caíram também na Lituânia, na Letônia e até no Lago Peipus, do lado russo, reforçando que a guerra eletrônica está se espalhando.

A escalada no Báltico e os riscos colaterais

Enquanto um drone explodia no campo estoniano, a Ucrânia atacava o complexo de gás Novatek em Ust-Luga, a apenas 30 km da fronteira da Estônia. O episódio expôs ainda mais a fragilidade da região, que já começa a registrar acidentes semelhantes aos de Polônia, Romênia, Moldávia e Bulgária, onde drones caem perto de áreas habitadas.

Autoridades estonianas admitem que a detecção de drones de baixa altitude é quase impossível com radares convencionais. A primeira-ministra Kaja Kallas (corrigindo o texto original, que citava erroneamente Kristen Michal) defende a criação de um sistema de defesa em camadas, mas especialistas alertam que a cobertura total nunca será viável.

Quando a aviação civil entra na linha de risco

Além do impacto militar, esses desvios já afetam aviões comerciais. Um voo entre Sharm El Sheikh e São Petersburgo precisou pousar de emergência em Tallinn após o fechamento temporário do aeroporto de Pulkovo. A Organização Internacional da Aviação Civil alerta que a interferência russa no GPS ameaça seriamente os voos em toda a região, incluindo Finlândia, Suécia e Polônia.

Relatórios de 2023 apontaram que estações russas em Moscou, Kaliningrado e Pavlovka interferiram até em sinais de TV e substituíram transmissões por propaganda de guerra. O Reino Unido confirmou que até um voo oficial do então ministro da Defesa, Grant Shapps, sofreu com falhas no GPS sobre Kaliningrado, no mesmo dia em que 500 aeronaves registraram interferência semelhante.

O pano de fundo: corrida por armas de longo alcance

No coração dessa disputa está a pressa de Kiev e Moscou em ampliar seu arsenal. A Ucrânia desenvolve drones e mísseis como o Flamingo, um míssil de cruzeiro terrestre com alcance de 3.000 km e ogiva de mais de uma tonelada. Já a Rússia acelera a produção de drones e armas hipersônicas.

Esse braço de ferro aumenta o risco de escalada indesejada, já que cada vez mais projéteis podem atingir países da OTAN por acidente, forçando respostas que ampliam a tensão na região.

O drone que caiu na Estônia é mais do que um incidente isolado: é um alerta sobre os limites difusos de uma guerra que já ultrapassou fronteiras. Entre spoofing, jamming e armas de longo alcance, cresce o perigo de que a guerra na Ucrânia escape do controle e arraste países vizinhos para o centro do conflito.

[Fonte: Xataka]

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