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Tecnologia

A China usou uma máquina colossal para enfrentar um dos maiores desafios da engenharia moderna

Uma obra de engenharia sem precedentes superou um desafio considerado quase impossível e abriu caminho para uma nova geração de ferrovias de alta velocidade com trajetos mais rápidos e eficientes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A engenharia moderna continua quebrando recordes que, há poucos anos, pareciam impossíveis de alcançar. Agora, uma gigantesca máquina desenvolvida especialmente para um projeto ferroviário conseguiu realizar uma escavação inédita sob um dos rios mais importantes do planeta. O feito impressiona não apenas pelas dimensões da obra, mas também pelas tecnologias empregadas para enfrentar condições extremas e transformar o transporte ferroviário de alta velocidade.

Uma escavação inédita estabeleceu um novo marco na engenharia

Grandes túneis costumam ser construídos a partir de vários pontos de escavação para reduzir o tempo da obra. Neste projeto, porém, a estratégia foi completamente diferente.

Uma única tuneladora conseguiu perfurar continuamente mais de 11 quilômetros sob o rio Yangtzé, estabelecendo um dos maiores feitos já registrados para uma máquina desse porte destinada à construção de túneis ferroviários de alta velocidade.

O diferencial está justamente na forma como o trabalho foi realizado. Durante toda a escavação, não foram abertos poços intermediários nem criadas novas frentes de trabalho. Todo o percurso foi executado pela mesma máquina desde o ponto inicial, sem desmontagens ou deslocamentos para outro local.

Embora a operação tenha levado cerca de 27 meses, isso não significa que a máquina tenha trabalhado ininterruptamente durante todo esse período. O verdadeiro recorde está na capacidade de concluir uma escavação tão extensa utilizando apenas uma frente de ataque.

A responsável pelo feito recebeu o nome de Linghang e foi desenvolvida especialmente para o projeto do túnel Chongtai pela empresa China Railway Engineering Equipment Group. Após sua fabricação e montagem, concluídas em 2024, a máquina iniciou oficialmente as escavações em abril daquele ano.

O projeto representa um importante avanço para a engenharia ferroviária, principalmente por demonstrar que túneis extremamente longos podem ser construídos com maior precisão e menor necessidade de intervenções ao longo do percurso.

A gigantesca máquina foi criada para trabalhar em condições extremas

As dimensões da Linghang ajudam a explicar por que ela se tornou uma das maiores tuneladoras ferroviárias já construídas.

Sua cabeça de corte possui 15,4 metros de diâmetro, enquanto toda a estrutura mede aproximadamente 148 metros de comprimento e pesa cerca de 4 mil toneladas.

Para enfrentar uma obra dessa complexidade, a máquina foi equipada com um sistema inteligente chamado I-TBM, responsável por monitorar continuamente fatores como pressão interna, direção da escavação e remoção do material retirado do solo.

Outro destaque é o conjunto de sistemas de vedação desenvolvidos para suportar elevadas pressões de água, além de um robusto rolamento principal de longa duração e uma cabeça de corte preparada para resistir ao intenso desgaste provocado por areia e sedimentos existentes sob o leito do Yangtzé.

O funcionamento desse tipo de equipamento segue um princípio relativamente simples. Na parte frontal, uma enorme roda giratória corta o terreno enquanto uma estrutura cilíndrica protege a escavação contra desmoronamentos. Logo atrás, segmentos pré-fabricados de concreto são instalados para formar o revestimento definitivo do túnel.

Trabalhar quase 90 metros abaixo do rio exigiu soluções inéditas

Um dos maiores desafios da obra foi a profundidade alcançada durante a escavação.

Em determinados trechos, a Linghang operou a aproximadamente 89 metros abaixo do leito do rio Yangtzé, enfrentando pressões próximas de 0,9 megapascal.

Essas condições exigiram sistemas altamente sofisticados para impedir infiltrações de água e manter tanto a máquina quanto o terreno completamente estáveis durante toda a operação.

O túnel construído possui 14,8 metros de diâmetro externo e foi projetado para acomodar duas linhas ferroviárias dentro de uma única galeria.

Esse amplo espaço não foi escolhido apenas por questões estruturais. Trens de alta velocidade, capazes de atingir cerca de 350 km/h, deslocam enormes volumes de ar ao avançarem dentro de túneis. Se a passagem fosse muito estreita, ocorreria um aumento significativo da pressão interna, conhecido como “efeito pistão”, capaz de provocar desconforto aos passageiros e aumentar o desgaste da infraestrutura.

Com um túnel mais largo, esse efeito é reduzido, permitindo que os trens mantenham altas velocidades mesmo durante a travessia sob o rio.

Após concluir a maior parte da escavação, a Linghang ainda retornará ao trabalho para finalizar cerca de 1,8 quilômetro restante do túnel Chongtai. A expectativa é que essa etapa seja concluída antes do fim de 2026.

Quando toda a nova ferrovia entrar em operação, os trens poderão cruzar sob o Yangtzé a 350 km/h, reduzindo o percurso de aproximadamente 63 quilômetros entre Chongming e a estação Shanghai Baoshan para cerca de 17 minutos.

Mais do que estabelecer um novo recorde, o projeto demonstra como avanços em máquinas de escavação podem transformar futuras obras ferroviárias, tornando possível construir conexões cada vez mais rápidas, seguras e eficientes em regiões consideradas extremamente desafiadoras.

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